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MÚSICA

O canto na vibração do afeto

Marina Machado e Celinha Braga estreiam espetáculo cênico-musical para pais e filhos no próximo dia 14, no Teatro Sesiminas

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Delicadezas. Mari e Celi, à frente, e Ana Clara, ao fundo
PUBLICADO EM 07/10/17 - 03h00

A música é a espinha dorsal. Mas há muitos outros elementos envolvidos no show “Mari e Celi Estão na Cidade”, que Marina Machado e Celinha Braga apresentam no próximo sábado (14), no Teatro Sesiminas. Trata-se, na verdade, de um espetáculo permeado pelo afeto e que caminha em direção diametralmente oposta aos sentidos que se derivam da palavra mega. “O cenário é pequeno. Nada grandioso. Não tem nada de gigante. Tudo analógico”, salienta Marina Machado, acrescentando, ainda, que o cenário estará sempre em progresso. 

Motivo: alguns objetos de cena são compostos por peças de crochê feitas pela própria Marina. E como a cantora e compositora está super envolvida neste ofício, outras peças poderão ser incorporadas ao cenário no curso do tempo. 

O show é dedicado a filhos e pais. Mãe de duas crianças, a mineira inclusive já vinha observando as músicas do repertório “adulto” que o filho cantarolava espontaneamente, a partir da “escuta involuntária”. Num encontro recente com Celinha, veio a ideia de colocar o projeto em prática. Mas faltava o nome para a iniciativa, e o “Mari e Celi Estão na Cidade” veio de supetão. “É uma brincadeira com o fato de eu morar em Nova Lima e a Celinha, na Pampulha”, ri Marina. “E também pelo fato de a gente resgatar músicas e sons esquecidos, do interior. Acabou que todo mundo está gostando (do título)”, festeja. 

Cumpre dizer que toda a concepção do show também reflete o momento de vida de Marina Machado e Celinha. “Ela, dona de escola (Celinha Braga Escola de Música), eu, mãe de crianças bem pequenas. Meu tempo hoje é diferente de quando trabalhava, por exemplo, com a Cia Burlantins”, analisa.

Repertório

No show, o duo canta e toca guitarra, ukulêle e kantale, acompanhadas pelo músico Claudio Kiari nos vocais e guitarra e Vinicius Alves na percuteria e design sonoro, além da cantora Ana Clara. O repertório traz músicas selecionadas pelo crivo do afeto. Há, por exemplo, preciosidades como um bloco de marchinhas. “Esse trechinho é o meu pai”, brinca Celinha, que tem uma relação atávica com a festa momesca – ela capitaneia o bloco Atrás do Jacaré, que, este ano, estreou seu bloco infantil. No trecho citado por ela, estão “Tem Gato na Tuba” (Nuno Roland) e “Dança do Ganso” (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), ambas da década de 40. “Meu pai costumava colocá-las para os netos”, diz Celinha. 

O roteiro inclui, ainda, “Clara e Ana”, de Joyce; “Semente do Amor”, d’A Cor do Som; ou “Valsa para uma Menininha”, de Toquinho e Vinícius. Tendo a apresentação em Conceição do Mato Dentro como termômetro, pode-se dizer que as crianças aprovaram, o que Celinha credita também ao fato de muitas falarem de animais. Caso de ‘Marimbondo’, de Sá & Guarabira. Há, ainda, uma versão de “Rock das Aranhas”, de Raul Seixas, e duas canções dos Beatles interpretadas de forma lúdica.

“Por não serem propriamente temas infantis, de início, ficamos em dúvida: ‘Será que os mais novos vão entender a nossa proposta?’. Mas foi tudo tão mágico. As crianças subiram no palco, os olhinhos brilhavam. Depois, fizeram fila para tirar fotos com a gente, pediram as perucas...”.

Já no caso dos “mais velhos”, Celinha cita um momento especial. “No começo do show, canto um trecho de ‘Uirapuru’ (Waldemar Henrique). Aliás, sempre que eu canto essa música, vem alguém depois comentar”. Outra música certeira, lembra ela, é “Carinhoso”, de Pixinguinha. 

Crochê

Todo o afeto envolvido na iniciativa, Celinha localiza como uma reação às mazelas do mundo atual. “Você liga a televisão e vê o que houve em Las Vegas (EUA), por exemplo. É tanta violência! Então, a gente resolveu falar de coisas boas com a nossa arte, da forma mais simples possível. Que convide as pessoas a subirem ao palco com a gente. E tem a coisa do crochê, que tem todo um significado: tem o fio, a coisa da linha, que te liga com a memória. Que conduz a vida da gente, pois estamos nos perdendo, e queremos recuperar a nossa criança interior”.

Mari e Celi Estão na Cidade

Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60). Dia 14 (sábado), às 17h30. R$ 30 (inteira)

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