Recuperar Senha
Fechar
Entrar

ARTES CÊNICAS

O poder feminino em cena 

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
MAT04-B
Sucesso: Nas praças pelas quais já passou, o musical já atraiu mais de 17 mil pessoas
PUBLICADO EM 10/03/18 - 03h00

 

O convite para integrar o elenco de “L, o Musical”, no papel de uma lésbica, a atriz e poetisa Elisa Lucinda recebeu como uma boa notícia. E como uma má. Sem nenhuma incoerência. “Foi um presente luxuoso. Meu Deus do céu, em 32 anos de carreira, nunca interpretei uma lésbica! Nunca me foi ofertada tal possibilidade, nem para nada perto disso”, conta, sobre o espetáculo que chega agora ao CCBB BH, onde cumpre temporada até 9 de abril.
 
“Então, é uma ótima e uma péssima notícia, pois, ao mesmo tempo que a gente tem a chance de oferecer essa dramaturgia tão oportuna para uma sociedade que evolui neste sentido, confirma-se que a ficção ainda engatinha em relação à realidade”, adiciona. O musical trata o amor entre mulheres a partir da música. O palco, Elisa Lucinda divide com Ellen Oléria e jovens atrizes da cena de Brasília: Luísa Caetano, Gabriela Correa, Tainá Baldez e Luiza Guimarães. Elisa interpreta Ester Rios, autora de novelas que vai retornar à cena para retratar um triângulo amoroso entre mulheres – e, no processo, lembra-se de uma antiga paixão, Rute (Oléria). A narrativa se desenvolve em meio à execução de 22 músicas de Simone, Adriana Calcanhotto, Márcia Castro, Cássia Eller, Mart’nália, Isabella Taviani, Maria Gadú, Leci Brandão, Sandra de Sá, Ellen Oléria, Angela Ro Ro, Marina Lima, Maria Bethânia, entre outras cantoras que se assumem lésbicas ou bissexuais, ou que têm uma identificação afetiva com esse público. “Sou amiga de várias mulheres que são lésbicas, conheço muitas histórias incríveis de amor delas, mas que nunca protagonizam uma peça de teatro, um filme, uma novela. Então, nesse sentido, o musical é uma revelação, mas que revela também o nosso atraso”.
 
“L, o Musical” tem dramaturgia de Sergio Maggio, que localiza o embrião do projeto em sua adolescência. “Ouvia cantoras lésbicas e via a representatividade que elas tinham para minhas amigas. A MPB representava uma ocupação de espaço que não encontrava similar em outras áreas”, rememora. “Claro que, naquela época, não me passava pela cabeça fazer um espetáculo. A ideia veio há um ano e meio atrás, quando o CCBB lançou um edital. A minha proposta é um entretenimento político. Não é uma peça para o público se divertir, mas sair do teatro e esquecer. A proposta da narrativa é que ela consiga empoderar a mulher lésbica”, complementa ele, que, formado em jornalismo, também atuou por um longo período como crítico de teatro. 
 
O elenco, ressalta Lucinda, é formado quase que majoritariamente por mulheres negras. “À exceção da Luiza (Guimarães), que é maravilhosa, e atua como curinga, podendo substituir a mim ou a Ellen, se necessário. A gente quase não vê isso (elenco formado por negras). São meninas jovens de Brasília, um elenco de ouro. Olha... Só tem fera. Eu e a Ellen somos as pretagonistas (ri). E, veja, o diálogo entre tribos é uma situação na qual raramente alguém sai perdendo”. 
 
Elisa Lucinda revela que há quem sugira que o musical viaje Brasil afora como uma proposta educativa de diversidade. “Por não ser panfletário. Musicalmente, é emocionante, e também ensina. Faz chorar, faz rir e causa aprendizado de maneira leve, sobre um assunto que para muita gente não é (leve). Ai, BH... Ai, BH... Nos aguarde! A gente quer bombar aí, nesta terra que adoro: Belo... Horizonte...”, diz, de forma pausada e enfática, a bela atriz. 
 
L, o Musical
CCBB BH (Praça da Liberdade, 450). De 15/3 a 9/4. Quinta a segunda, às 20h. R$20 (inteira), venda também pelo eventim.com.br. 

O que achou deste artigo?
Fechar

ARTES CÊNICAS

O poder feminino em cena 
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter