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ARTES CÊNICAS

Olhar particular sobre o terror 

“Céus” desembarca em Belo Horizonte no próximo fim de semana

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CEUS
Espetáculo dirigido por Aderbal produção do também ator Felipe de Carolis, mostra um grupo de especialistas, que estão em uma espécie de bunker, tentando salvar o mundo do de um ataque terrorista
PUBLICADO EM 10/03/18 - 03h00

Eles são especialistas nas mais variadas áreas de um sistema de inteligência. Presos em uma espécie de bunker, precisam desvendar um iminente atentado terrorista. Em meio ao trabalho que pode salvar milhões de vida, também são confrontados com o misterioso desaparecimento de um dos membros da equipe. Trazendo este contexto asfixiante, o espetáculo “Céus” desembarca em Belo Horizonte no próximo fim de semana (dias 16 e 17 de março).

O texto de Wajdi Mouawad conta um pouco da própria experiência do dramaturgo, que nasceu em 1968 e aos 10 anos fugiu da guerra de seu país natal, o Líbano. “Céus” é uma das peças da tetralogia “Sangue de Promessas”, que ainda conta com “Florestas”, “Litoral” e “Incêndios”. Esta última, fenômeno de bilheteria durante três anos em São Paulo e Rio de Janeiro, marcou a primeira parceria entre o diretor Aderbal Freire-Filho e o ator e produtor Felipe de Carolis com o teatro de Mouawad.
 
“O tema do terrorismo é central na peça, mas seu olhar sobre ele é muito particular. A presença da arte, do belo – o quadro da Anunciação, de Tintoretto (que compõe o cenário da peça) – trazendo uma oposição feio e belo (penso nas bruxas de ‘Macbeth’, de Shakespeare, ‘o belo é feio e o feio é belo’); a presença da religião, constante nas questões do terrorismo, mas neste caso para contestar essa relação habitual religião-terrorismo, para buscar fora da religião, como fora do oriente e as causas do terrorismo. Tudo isso traz um olhar novo, diferente para essa questão. Ou seja, o habitual do olhar sobre o terrorismo é o Oriente como culpado e o Ocidente como vítima: Wajdi quer buscar a origem da culpa do Ocidente”, explica o diretor Aderbal Freire-Filho.
 
Em “Céus”, ator e diretor se reuniram novamente para explorar a dramaturgia do autor que é um dos mais destacados nomes da cena contemporânea internacional. O espetáculo concentra a sua ação em um curto espaço de tempo bem definido. “Ainda durante a temporada de ‘Incêndios’, o Felipe me propôs uma volta ao universo de Mouawad. Antes, no começo dos ensaios de ‘Incêndios’, eu tinha lido ‘Sangue das Promessas’ e tinha falado de como me impressionou ‘Céus’, de suas diferenças em relação às outras três peças, do olhar provocador para a relação Ocidente-Oriente, agora, mais confrontados, de sua forma diferente. O Felipe lembrou dessa conversa e me falou que essa, então, podia ser a nossa nova peça do Wajdi”, diz Freire-Filho.
 
Elenco
 
 
No palco, além do próprio Felipe de Carolis, estão também Rodrigo Pandolfo, Marco Antonio Pâmio, Karen Coelho e Isaac Bernat. O espetáculo estreou em 2016, no Rio de Janeiro, tendo seguido para São Paulo, em outubro de 2017, mas é inédita no resto do país.
 
“Tivemos três meses de ensaio, o que é incomum, porque geralmente ensaiamos dois meses. Mas justamente pela dificuldade dessa identidade que o texto propõe, que é um jeito de dialogar, de escrever muito diferente do que estamos acostumados. É um texto muito específico, então, exigiu um cuidado maior, um estudo maior”, explica Rodrigo Pandolfo.
 
Na trama, ele interpreta um hacker que chega a causar alguns conflitos para a célula. “É um personagem inédito para mim também. Como estereótipo dos hackers que a gente conhece, ele é um tanto maldito, porque é um cara que invade os computadores de grandes empresas, um ladrão indireto. É um personagem extremamente vaidoso e egocêntrico. Existe uma briga forte pelo poder e pela chefia daquele grupo, então ele se sente injustiçado pela falta de oportunidade que teve dentro do grupo”, conta.
 
Céus
Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Dias 16 (sexta) e 17 (sábado), às 21h. R$ 25 (inteira).

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