Recuperar Senha
Fechar
Entrar

ARTES CÊNICAS

Um olhar para a história 

Inspirado no monumento histórico localizado no Rio de Janeiro, “Ao cais do Valongo” aborda a ancestralidade da cultura negra

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
MAT01-5AN5
Peça se reflete sobre a escravidão e seu legado presente
PUBLICADO EM 25/11/17 - 04h00

Ancestralidade, escravidão, multiculturalismo e, fundamentalmente, história. Inspirada e provocada por uma visita do produtor e diretor teatral Fábio Lemos ao monumento histórico do Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, a peça por ele encabeçada não tinha lugar e época melhor para ser apresentada: no mês da Consciência Negra, integrando a programação especial do Palácio das Artes, o artista se juntou com o grupo Ora-Pro-Nóbis para criar “Ao cais do Valongo” em cartaz na cidade até este domingo (26), na sala João Ceschiatti.

A primeira vez que visitou o antigo cais, em 2014, Lemos ficou inquieto. “Entre 1811 e 1831, enquanto ficou ativo, estima-se que entre 500 mil e1 milhão de africanos escravizados desembarcaram por lá”, diz.
 
Do real facção
 
As memórias da visitação vieram latentes quando começou a imaginar temas sobre os quais embasaria o texto de uma peça – àquela altura, ainda indefinida. Lemos, então, se debruçou sobre a pesquisa através de documentários, filmes de ficção e também de obras de historiadores como Manolo Florentino, e jornalistas, a exemplo de Laurentino Gomes. O resultado é “uma história ficcional que interroga o presente e reflete sobre a herança desse período, ainda presente hoje”, pontua.
 
A história se passa a bordo da nau Esperança, que em 1811 sai do Porto de Luanda rumo ao Cais do Valongo. À bordo, sob o comando do capitão Félix, do marinheiro mestre Domingos e do padre Leão, estão Imaan, Issa, Jahara, Mandara e Zaila. O grupo foi capturado para alimentar o trato mercantil de escravização no Brasil oitocentista.
 
A situação de migração forçada, os percalços da travessia atlântica, o multiculturalismo e as violações de direitos humanos embasam a pesquisa “histórica-social” de Lemos – como ele mesmo intitula esse processo de produção. “Acredito que é importante pensar, aos olhos da história, o momento atual do país, quando frutos desse período são colhidos nos dias atuais em cenas reais Brasil afora”, afirma Lemos, que assina a direção com Sônia Silva e divide a produção com Lice Calixto. “A finalidade do projeto é também promover uma reflexão”, defende ele.
 
O artista conta que todos os envolvidos com a peça foram ao Cais do Valongo, onde puderam sentir e tatear esse sítio histórico. Assim como a visita ao lugar, a peça é capaz de “estimular emoções que possam ser racionalizadas e reverberem no presente e na nossa lida com o outro”, conclui. 
 
Ao Cais do Valongo
Sala João Ceschiatti do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro). Nestes sábado (25) e domingo (26), às 20h. R$ 20 (inteira).

O que achou deste artigo?
Fechar

ARTES CÊNICAS

Um olhar para a história 
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter