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ARTES CÊNICAS

Um tempo para a imaginação  

Grupo Matraca estreia montagem infantil, voltada para crianças de 1 a 5 anos, sobre seres imaginários, uma língua inventada, palhaços e bonecos

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Em cena, Juliana Palhares e Cauê Salles criam monstros e seres imaginários
PUBLICADO EM 13/01/18 - 04h00

 

Junte seres imaginários, uma língua inventada com base na sonoridade, música, bonecos e técnicas de palhaço. Nas mãos do Grupo Matraca, o resultado é o espetáculo “Osquilibum”, que estreia na próxima quinta (18) e fica em cartaz até domingo (21), no Teatro de Bolso do Sesc Palladium.
 
Voltada para público de 1 a 5 anos, a montagem é fruto dos estudos dos integrantes da companhia, que já haviam resultado em outro espetáculo, “O Menino Azul”, de 2013. “A partir desse processo de pesquisa da linguagem teatral para crianças, vimos que ainda não havia muitos espetáculos voltados aos pequenos, dessa primeira infância”, conta a atriz Juliana Palhares. “Por isso, depois de ‘O Menino Azul’, ficou a vontade de investir mais na área”, completa.
 
Junto ao parceiro de palco Cauê Salles, Juliana ainda aproveitou o trabalho desenvolvido por ambos na Escola da Serra, sobre monstros e outros seres inexistentes, para levar o universo da imaginação da criança para o palco. “Somos duas pessoas que encontram malas esquecidas e começam a agir em cima disso. Delas, vão sair monstros criados com corda, panos e outros itens simples”, diz a atriz, sobre o enredo de “Osquilibum”. O nome do espetáculo também é inventado. “Só tem sonoridade”, explica, rindo. 
 
Invenção, aliás, é palavra-chave mobilizadora da peça. “A construção cênica foi toda feita sem darmos um sentido final fechado. Pelo contrário, ela abre um espaço para a invenção da criança”, comenta. 
 
Trajetória
 
Juliana está há 18 anos envolvida com trabalho e pesquisa do universo infantil e também quis trazer, no espetáculo, um contraponto à realidade atual. “Fizemos um momento contrário do que ocorre. Desde ‘O Menino Azul’, buscamos trabalhar a montagem como um tempo de contemplação, porque as crianças de hoje são muito aceleradas, têm uma diversidade de informação grande, mas também uma dificuldade de concentração diante de tanto estímulo fornecido, e acabam não se aprofundando em nenhum. Nosso objetivo é ir mais fundo na experiência, trabalhando com uma certa desaceleração, um tempo para ver, ouvir, sentir o que está acontecendo. Isso não quer dizer que o espetáculo seja lento, mas está em outro lugar, no do lúdico, poético etc.”, explica. 
 
Dessa maneira, no palco, Juliana e Salles se valem de várias estratégias pontuais para prender a atenção dos pequenos, como simplicidade, dinamismo e repetição. “É uma concepção de narrativa diferente, quase sem palavras. Usamos muito essa língua inventada, o gramelô, porque a palavra não é mais importante para a criança: a narrativa precisa ser construída para além disso. Também usamos aspectos visuais e cenas curtas, porque, para elas, é preciso ter dinamismo, tem que mudar o tempo todo a cena, mas pode ser dentro de elementos simples, não precisamos ter coisas extremamente sofisticadas, porque não é isso que prende a atenção de uma criança desse tamanho. Por outro, lado, também há sempre partes que repetimos”, defende. 
 
A trilha sonora também possui papel fundamental na concepção da obra, com canções de domínio público e populares, algumas assinadas pelos artistas envolvidos na produção, e também outras eruditas, que ganharam arranjos contemporâneos e inusitados. Parte das músicas é executada ao vivo. Além disso, os atores fazem uso de onomatopeias e efeitos sonoros.
 
As técnicas de palhaço, por sua vez, se somam à manipulação de bonecos, sobretudo, no sentido de interação com o público, e são fruto da parceria da companhia com o diretor Rodrigo Robleño. “Cauê e eu não somos palhaços, mas o Robleño tem toda uma trajetória na área. Ele trabalha conosco nas proposições de interação, próprias do universo do palhaço, que se aproximam muito do universo da criança. Isso permite que a gente brinque, jogue, use o lírico e o engraçado. Aliás, a montagem é uma grande brincadeira”, define Juliana. “Além disso, a técnica do palhaço dialoga bem com a coisa do boneco animado porque ele também não se pauta pela palavra, mas usa muito o corpo”, comenta a atriz.
 
 
Osquilibum
Teatro de Bolso Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro, 3270-8100). De 18 (quinta) a 21 (domingo). Quinta a sábado, às 16h; domingo, às 11h. R$12, inteira.
 

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