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Josias Pereira

Quando ser campeão nacional não basta

PUBLICADO EM 16/04/18 - 03h00

Barcelona, Manchester City, Bayern, Real Madrid... Times que inevitavelmente habitam o nosso imaginário como as maiores forças do futebol atual. Equipes que, com seus milhões, carregam em suas fileiras de atletas a ambição de inúmeros torcedores pelo globo, que ao verem seus times caseiros em campo ilusionam terem alguém como um Messi ou um Cristiano Ronaldo para, em uma jogada, decidirem uma partida amarrada seja lá em qual nível de disputa ela aconteça. Eles estão no Olimpo do futebol.

Mas os deuses gregos tinham seus calcanhares de Aquiles. E é justamente por habitarem entre a imortalidade e a mortalidade que tais potências estão sujeitas a tropeços que muitos consideram impossíveis de acontecerem.

Parecia pouco provável que a Roma se insurgisse contra o poderio catalão. Ainda mais após o primeiro nocaute. Mas a esquadra giallorossi percebeu que poderia fazer Messi “sangrar” como qualquer mortal. Na cidade que viveu tantas disputas históricas por poder, a Loba capitolina deu três botes que trouxeram de volta o Barcelona à realidade caseira de La Liga. 

Mas o título nacional para times com capacidade de investimento altíssimo não é o bastante. Quando a temporada se encerrar, os holofotes estarão em Kiev. E é lá, na Ucrânia, que será decidido quem será lembrado por toda a Europa. E também pelo mundo. 

Não por acaso, o PSG desprendeu-se de fortunas para tentar concluir esse objetivo, mais uma vez pelo caminho. E mesmo que a taça da Ligue 1 esteja sob posse dos parisienses, a lacuna continua. O mesmo sentimento que perambula pelos corredores do Etihad Stadium, onde o lado azul de Manchester e a calibragem inequívoca dos times de Guardiola sucumbiram ante à mistura do Brasil com o Egito. Firmino para selar, Salah para firmar o caminho.

Os campeonatos nacionais para times como Barcelona e Manchester City encaixam-se apenas como um consolo. Ou, para alguns, a obrigação. E, inevitavelmente, surge internamente os questionamentos sobre até onde a regularidade realmente expresse o sentido do futebol. Talvez em nós exista a certeza de que o mata-mata seja a maior prova de que este esporte é mágico. Se não fosse, nenhum clube desprenderia a alma em busca de um torneio como a Champions e a Libertadores. Pois é na imprevisibilidade que surgem os mitos. 

Observemos só a Copa do Mundo, o torneio de futebol mais importante do mundo. Sete jogos que definem quem será o rei do mundo da bola pelos próximos quatro anos. Existe o senso de responsabilidade e o senso de aventura em cada ser humano. Ganhar um título nacional, no modelo estabelecido em quase todos os cantos do planeta, tem sido como uma receita de bolo, uma vez que o calendário e as competições eliminatórias têm sugado e atraído a atenção dos times e torcedores. 

E os atrativos são inúmeros, que vão desde a capacidade de superação e o que este título pode gerar em termos de lucro. No fim, o que todos buscam é sair da sua zona de conforto. Nas condições atuais, apenas um torneio mata-mata tem sido capaz de levar os times ao extremo de suas forças. Como não haveria também justiça nisso?

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