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Fábrica de amônia

Uberaba luta para adiar leilão

Após o naufrágio do projeto capitaneado pela Petrobras, município tenta adiar leilão e evitar fatiamento de maquinário. Projeto poderia ser retomado por estrangeiros.

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Celebração. Solenidade de assinatura do protocolo de intenções para a fábrica de amônia, em 2011
PUBLICADO EM 14/11/17 - 03h00

O sonho da fábrica de amônia que a Petrobras prometeu construir em Uberaba, no Triângulo Mineiro, está prestes a acabar com um leilão. O certame está marcada para os dias 21, 22 e 23 de novembro, mas o prefeito da cidade, Paulo Piau (PMDB), está lutando para adiá-lo e impedir que todos os equipamentos sejam vendidos separadamente, na esperança de vender tudo para algum investidor interessado em tocar o projeto. “Tem empresas estrangeiras, que atuam na área de fertilizantes, interessadas”, diz.

A amônia é o principal insumo para a fabricação de fertilizantes, setor que tem chamado a atenção de investidores internacionais. No fim do ano passado, por exemplo, a Vale anunciou a venda dos seus ativos de fertilizantes para a multinacional norte-americana Mosaic. Também fez a aquisição de uma participação minoritária na companhia, por cerca de US$ 2,5 bilhões.

De acordo com Piau, a Petrobras estaria aberta a adiar o leilão e discutir a possibilidade de não fatiar a venda dos ativos. “O próprio presidente, Pedro Parente, tem uma reunião marcada para o dia 22, exatamente para discutir isso, o que indica que o leilão não deve acontecer nessa data”, acredita o prefeito.

A fábrica de amônia em Uberaba foi anunciada em 2011, como um dos maiores investimentos em Minas Gerais. Ela começou a ser feita, com a promessa de gerar 200 empregos diretos após a inauguração, prevista para 2017. Entretanto, em 2015, a Petrobras colocou o projeto para “hibernar”, como parte de um plano maior de desinvestir US$ 42 bilhões até 2018. Na época, a unidade já tinha recebido mais de R$ 800 milhões, cerca de 40% do total do investimento de R$ 1,95 bilhão.

A proposta oficial do leilão é fatiar a venda dos ativos. “Se for assim, acredito que eles vão conseguir vender as máquinas por no máximo 25% do valor de mercado. E quem vai pagar o restante?”, questiona. A empresa responsável pelo empreendimento era a Toyo Setal, que foi alvo de escândalos na Lava Jato.

O prefeito afirma que a maior parte desses equipamentos nem chegou a vir para o Brasil. Ele não soube precisar o percentual das máquinas que sequer veio para cá, mas fontes do mercado estimam que apenas 10% estejam em Uberaba. 

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