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Ágatha e Duda: uma mistura que está dando certo no vôlei de praia

Experiente vice-campeã olímpica e jovem promessa da modalidade iniciaram parceria visando aos Jogos de Tóquio

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Ágatha e Duda
Primeiro resultado. Após somente duas semanas de treinos, Ágatha e Duda conquistaram o título da sexta etapa do Circuito Brasileiro ao vencerem a dupla de Larissa e Talita na decisão em João Pessoa
PUBLICADO EM 20/03/17 - 03h00

Uma está com 33 anos e já é medalhista olímpica. A outra tem apenas 18 e entrou no circuito profissional somente no ano passado. As duas se uniram com um objetivo claro e comum: chegar juntas ao Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Ágatha conquistou a prata ao lado de Bárbara nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, mas viu a dupla se desfazer logo na semana seguinte.

“Logo depois da separação do time, eu não quis pensar em nada, só curtir a medalha, porque naquele momento eu não esperava a separação do time. Então, eu quis curtir, porque essa conquista foi tão grande, tão suada, e era o momento de aproveitar os louros. Depois de uns 20 dias eu peguei o telefone e liguei para a mãe da Duda”, conta Ágatha.

A sergipana Eduarda Santos Lisboa, que gosta de ser chamada só de Duda, começou a se destacar ainda na adolescência. Com 15 anos, ela se tornou a primeira jogadora de vôlei de praia a disputar, em uma mesma temporada, os três Campeonatos Mundiais das categorias de base. E ela fez história ao conquistar o título, ao lado de Tainá, da categoria sub-19, e, ao lado de Thais, foi vice-campeã mundial na sub-23. Agora, jogando com Ágatha, Duda só pensa em chegar aos Jogos de Tóquio. “O início mesmo da dupla já foi pensando em 2020. Mas tem que conquistar a vaga primeiro, tem que jogar bem os torneios, até lá tem muito chão ainda”, ressalta a jovem.

A diferença de idade entre as novas parceiras não deve atrapalhar dentro de quadra, pelo contrário. Com apenas duas semanas de treinos, Ágatha e Duda foram campeãs da sexta etapa do Circuito Brasileiro, em João Pessoa. Além disso, elas também já chegaram a outras três finais.

“Eu fiquei muito feliz, porque já começamos com o pé direito, conquistando título. A gente estava muito ansiosa. O time todo, na verdade, para saber como seria. Todo mundo estava com esta expectativa. A gente está se dando muito bem na quadra e fora, mesmo tendo 15 anos de diferença”, conta Duda.

“Dentro de quadra, em muitos momentos eu vejo ela com uma vontade enorme de vencer e até gerando uma ansiedade. Aí eu posso entrar com essa maturidade e experiência. Isso mais na parte psicológica, porque, na parte técnica e tática, a Duda já é uma excelente jogadora. A gente troca bastante”, revela Ágatha.

Rumo a Tóquio

“A gente já está falando isso desde o início, que é um projeto para 2020. Eu acho importante as pessoas de fora entenderem que o nosso time tem essa mentalidade. A gente se surpreendeu neste início, com duas semanas de treino, fizemos três finais em três torneios. Mas a gente está com os pés no chão. Sabemos que o caminho é longo até Tóquio.”
Ágatha Bednarczuk
Parceira de Duda

Adaptação

“Eu aprendo muito com a Ágatha. Ela passou por tudo o que eu estou passando, né? Ficar longe de casa, abdicar de várias coisas. Mas a Ágatha tem um lado muito jovem, ela é muito sorridente, não parece ter 33 anos. Ela adaptou muito rápido com a minha idade. A Ágatha é muito tranquila, acho ela sensacional como dupla, como pessoa, como amiga.”
Duda Lisboa
Parceira de Ágatha

Ágatha quer ser mãe após Tóquio 2020

Ágatha já tem os planos para o futuro bem-definidos. A meta é ir aos Jogos de Tóquio com Duda, lutar por outra medalha e depois se aposentar do vôlei de praia. “Depois de Tóquio eu paro. Porque vou querer ser mamãe e vou estar na idade limite. Depois de Tóquio, vou estar com 37 anos e já morrendo de vontade de ser mãe”, planeja.

A curitibana conta como o carinho dos fãs aumentou após ter sido medalha de prata no Rio. “As pessoas me param na rua para me contar como foi a experiência delas assistindo ao jogo. Isso é o mais legal de tudo. Cada vez que alguém me conta, eu me arrepio e me lembro daquele momento”, diz emocionada.

FOTO: Paulo Frank / CBV - 29.1.2017
Duda e Ágatha
Duda se mudou para o Rio de Janeiro para treinar ao lado de Ágatha


Herança

Mãe é técnica e incentivadora

O gosto e o talento para o vôlei de praia estão no sangue de Duda. A jovem herdou da mãe, Cida Lisboa, que foi jogadora da modalidade até os 45 anos e montou, em São Cristóvão, no interior de Sergipe, uma escolinha para as crianças. Foi onde Duda começou a dar os primeiros saques, manchetes e cortadas.

“Eu comecei por causa de minha mãe, ela era jogadora de vôlei, parou com 45 anos. Comecei a escolinha com 5 anos de idade. Meu primeiro campeonato foi com 12 anos, um estadual. Eu fiquei em quinto, e minha mãe ficou em terceiro. Ela jogou o mesmo campeonato”, conta Duda.

Foi no Centro de Treinamento Cida Vôlei que Duda treinou até o fim do ano passado, tendo a mãe como técnica. Durante esse tempo, ela foi convocada para a seleção de base, disputou torneios em vários países e foi bicampeã mundial sub-19. “Ela criou o CT Cida Vôlei, quando eu era bebê. Fica em São Cristóvão, no interior de Sergipe, uma cidade precária, muito pobre. Muitas crianças não estudam, vão para o lado das drogas, e minha mãe quer mudar isso, em vez de fazer essas coisas, praticar esporte”, explica Duda, com orgulho. “Ela é minha maior inspiração”, conta.

Agora, Duda se mudou para o Rio de Janeiro para treinar com a nova parceira Ágatha. A mãe ficou em Sergipe, mas sempre que pode acompanha a filha em torneios. “Foi muito rápido, eu saí muito nova de casa para viajar. Mas eu fui acostumando. Eu sempre me acostumei com ela viajando e agora foi o contrário. O resto da minha família eu vejo pouco, mas minha mãe sempre está comigo”.

Apoio. Ágatha e Duda fazem parte do Time Nissan 2.0, que patrocina 11 atletas olímpicos e paralímpicos de várias modalidades para o novo ciclo, além do ex-nadador Clodoaldo Silva. O projeto será renovado anualmente. 

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