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Recomeço

Com oportunidade no Atlético, refugiado sírio reconstrói vida em BH

Há um ano e meio, clube abriu as portas para sírios trabalharem na sede do Galo e recomeçarem longe de casa

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George Azar
Novo atleticano. George Azar chegou a Belo Horizonte com a família em 2015, fugindo da guerra na Síria, e encontrou no Atlético apoio para reconstruir a vida no Brasil
PUBLICADO EM 19/03/17 - 03h00

Deixar seu país e estabelecer novos laços passa longe de ser uma tarefa fácil. O desafio se torna ainda maior quando a decisão de se deslocar de sua terra natal faz parte da luta pela sobrevivência. Há dois anos, três refugiados sírios desembarcaram em Belo Horizonte para reconstruir a vida longe de seu país, que vive assolado pela guerra civil há sete anos. Junto com as malas, eles trouxeram sonhos e esperança de uma vida melhor e foram abraçados pelo Atlético na capital mineira.

Entre eles, está George Azar. Se em português o sobrenome do professor de literatura inglesa representa o “mau agouro”, na reconstrução da vida, George não pode reclamar da sorte na cidade. Aqui, ele fez amigos, trouxe sua família, estabeleceu residência e ganhou uma oportunidade de trabalho no Atlético, onde começou como faxineiro e hoje faz parte da equipe que cuida do Centro Atleticano de Memória. Dos três funcionários, foi o único que quis contar sua história.

Simpático e sorridente, George já fala o português sem muitas dificuldades. Atencioso, procura responder as perguntas com o máximo de clareza. Conta com orgulho sua promoção dentro do clube, o que foi possível graças a seu esforço para aprender o idioma. “Só aqui no Brasil é que fui aprender a falar o português. Eu era faxineiro, porque não conseguia falar a língua. Hoje, trabalho com a memória do Galo, com arquivos de jogos antigos, fichas, estatísticas. Sou muito feliz aqui”, comemora o sírio.

George é casado e tem duas filhas pequenas. Ayla, de três anos, nasceu na Síria e está prestes a conseguir a naturalização. Já Emy completará um ano no mês que vem e é mineira. Para ajudar a complementar a renda, George dá aulas particulares de árabe e inglês. Na Síria, era torcedor do Al-Wehdeh, que, em português, significa solidariedade, algo que George faz questão de traduzir. No Brasil, quando o assunto é futebol, não há o que discutir. George é um apaixonado pelo Galo.
“O Atlético é minha família. A oportunidade que tive aqui foi uma coisa muito importante em minha vida. Eu queria crescer aqui dentro, como forma de agradecimento, pois todos sempre foram muito bons comigo. O Galo nos abraçou”, conta George, emocionado.

Gratidão. Filho de sírio, Emir Cadar, na época presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, foi o responsável pela contratação dos três – gesto inesquecível para George. “Quando cheguei aqui, em Belo Horizonte, eu já sabia que havia muitos árabes na cidade ou descendentes. Sou muito grato por estar aqui e pela oportunidade”, ressalta.


Guerra na Síria

130 refugiados sírios chegaram a Belo Horizonte em 2015

13,5 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária

4,9 milhões de refugiados se mudaram para países vizinhos

7 anos é o tempo que já dura o conflito no país árabe


Síria entra em seu sétimo ano de conflito e insegurança

Violência, insegurança, conflitos, perseguições e medo. Há seis anos, a Síria se tornava um dos países com maior instabilidade para se viver, sendo manchete no mundo todo devido ao horror praticado pelo governo Bashar al-Assad e por seus opositores. Tamanha truculência fez com que aproximadamente 5,3 milhões de sírios buscassem refúgio em diversos países do mundo durante esse tempo. O Brasil não ficou de fora, e Belo Horizonte recebeu cerca de 130 sírios, que chegaram em maior número em 2105.

No início do mês, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) publicou um estudo alarmante sobre a situação dos sírios. De acordo com a pesquisa, 13,5 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária no país, e quase três milhões de sírios menores de cinco anos estão no meio do conflito.

Ainda segundo a ACNUR, mais da metade das pessoas que se deslocaram da Síria foi buscar refúgio em países próximos, como Turquia, Jordânia, Líbano e Egito. Segundo os dados, os turcos são os que mais acolheram refugiados sírios, totalizando 2,8 milhões até a metade de 2016.

FOTO: Moisés Silva
George Azar
George está se adaptando ao trabalho no Galo e à capital mineira


Capital mineira lembra Damasco

Como trabalha durante todo o dia, assim como sua esposa, o tempo de folga de George é dedicado aos cuidados das pequenas Ayla e Emy. Por isso, o casal acaba não tendo tanto tempo para visitar pontos turísticos de Belo Horizonte e nem de ir ao Horto com frequência para torcer pelo Atlético. No entanto, um lugar é especial para George: o mirante do parque das Mangabeiras.

“O mais longe que fui foi a Sete Lagoas. Tenho muitos amigos aqui, gente legal, que vai a minha casa. Quando subi ao mirante, eu me lembrei de meu país, e foi uma bonita lembrança. Um dia, estava triste aqui e fui para lá. Do alto, Belo Horizonte lembra muito Damasco”, revela.

Adaptado à cidade e à nova vida na capital mineira, George vê o retorno à Síria como algo distante. “Essa é a pergunta mais difícil de se responder (voltar ao país). Só penso em continuar minha vida aqui, com minha família. A Síria estará sempre em meu coração, mas penso apenas em visitá-la um dia”, planeja.

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