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Lei que promove talentos ainda requer mais incentivos

Principal fonte de recursos para formação de atletas ainda é tabu; Minas Tênis tem trabalho de referência

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Projetos de formação do Minas e de outros clubes do Estado só são possíveis com os recursos captados pelas leis de incentivo ao esporte dos governos federal e estadual
PUBLICADO EM 02/11/17 - 03h00

Que tal deixar de pagar impostos e investir o dinheiro em jovens promessas do esporte? A proposta é sugestiva, afinal, quem diria “não”? Mas, para conseguir recursos incentivados pelas leis, é preciso correr atrás de doadores e suar a camisa, nada muito diferente do que atletas fazem por aí.

Maior captador das leis federal e estadual de incentivo ao esporte no Estado, o Minas Tênis Clubes já conseguiu, desde que a legislação passou a valer, há dez anos, mais de R$ 55 milhões de recursos para projetos de formação. Mas, para ter um êxito assim, o clube mantém um departamento dedicado exclusivamente à captação dessas verbas.

“Temos um planejamento de captar em torno de R$ 6 milhões por ano. Há no clube uma área de desenvolvimento de projetos. Temos alguns parceiros, mas, com a crise que vivemos hoje, fica cada vez mais difícil apoiar. É feito um trabalho de visitas, de agendamento, de como funciona a legislação. E a parte contábil é fundamental. A legislação precisa que a empresa se sinta confiante em aportar, já que envolve a receita federal e imposto”, destacou Helena Souza, coordenadora de recursos incentivados do Minas (veja aqui quem são os maiores captadores e entenda as leis).

Torcedor-cidadão. De olho em recursos para suas categorias de base, Atlético e Cruzeiro também têm reunido esforços para divulgar seus projetos e pedir a colaboração de seu torcedor. Com Rafael, Alisson, Mayke e outros nomes revelados na base como garotos-propaganda, a Raposa promoveu a ação Diamante Azul para atrair mais recursos. Uma nova ação de marketing está sendo programada para os próximos meses. “O objetivo é intensificar mesmo. Vamos entrar com uma campanha forte. Temos três projetos para captar. Um de R$ 3,4 milhões, outro de R$ 980 mil e outro de R$ 560 mil”, explica Deis Emilia Chaves, diretora de projetos incentivados do Cruzeiro.

No Galo, o projeto Juntos pela Base, lançado no ano passado, dá ao atleticano a opção de gerar um boleto com o valor que pretende doar, criando um documento que ele pode usar em sua declaração de Imposto de Renda. “O torcedor tem a ferramenta de doação física pelo site juntospelabase.com.br. Ele pode pegar parte daquele dinheiro que vai entregar ao governo e destiná-lo ao Atlético”, ressalta o superintendente administrativo do clube, Marcelo Machado.

Recurso incentivado é “salvação” corintiana

Em São Paulo, o Corinthians tem apostado – e muito – na captação de recursos pelas leis de incentivo para garantir o futuro de jovens promessas de suas categorias de base. Atualmente, por causa do investimento na construção da arena própria, tudo o que o clube arrecada de bilheteria é usado para o pagamento da dívida. Se a equipe paulista não se virar para buscar recursos de outra forma, ele estará fadado ao insucesso, na comparação com os rivais.

“As despesas que os clubes têm, anualmente, aumentam entre 15% e 20%, e as receitas, não. É muito difícil, num período de cinco anos, ver as suas despesas dobrarem e não conseguir fazer isso com patrocínios, com mensalidade de associado, cota de produto licenciado”, destaca o diretor administrativo do Timão, Eduardo Caggiano.

Fontes

Além das leis de incentivo ao esporte, as agremiações esportivas podem conseguir recursos pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC). Essa fonte de recurso é baseada na nova Lei Pelé, que repassa ao comitê o correspondente a 0,5% de toda a verba arrecadada nos concursos de prognósticos, loterias federais e similares, com destino único e exclusivo para formação de atletas olímpicos. Outra fonte são os convênios diretos assinados com a União.


Fique ligado!

Edital na praça. No próximo dia 20, encerra-se o prazo para protocolo de projetos esportivos no Edital 1/2017 do Minas Esportiva Incentivo ao Esporte, do governo estadual. Aberto no dia 14 de julho, o edital contava, até meados do mês passado, com 63 iniciativas protocoladas. Treze delas já tinham sido aprovadas, estando em fase de captação. Um projeto de vôlei feminino, idealizado pela Associação Argos e pelo Minas Tênis Náutico Clube, conseguiu o aporte de R$ 261 mil pela Ambev e pela Sada Siderurgia para fomentar o Núcleo de Excelência Esportiva em Voleibol, em Contagem, na região metropolitana.

Recursos. A Lei Estadual de Incentivo ao Esporte já aprovou, desde sua implantação, em 2013, 502 projetos, beneficiando mais de 85 mil pessoas, segundo o último número o da Secretaria de Estado de Esportes. Os recursos captados ultrapassam os R$ 42,2 milhões e contribuem para o desporto social de crianças e adolescentes em diferentes regiões de Minas. No âmbito federal, os recursos da lei viabilizaram investimento de R$ 1,87 bilhão em projetos de lazer, educação e esporte de alto rendimento, segundo o último balanço feito pelo governo, em julho deste ano. Foram 12.555 projetos aprovados desde 2007.

Consciência. O trabalho de capacitação e conscientização das leis de incentivo tem sido constante. Em setembro, quase 200 agentes esportivos participaram de um seminário na Cidade Administrativa para aprender e tirar dúvidas sobre os trâmites. “Buscamos intensificar nossos contatos com executores e as empresas, para que elas conheçam o mecanismo e queiram apoiar os projetos. É muito positivo para as organizações associar suas marcas a ações que melhoram a qualidade de vida da população e impulsionam o surgimento de talentos esportivos”, destacou o secretário adjunto de Esporte, Ricardo Sapi.

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