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Gerando incômodos

Assembleia da CBV ignora clubes e tem tentativa de manobra

Mesmo com auditoria indicando ressalvas no balanço, o mesmo foi aprovado; clubes estranharam fato do conselho fiscal sugerir aprovação com louvar das contas que mostram dívida de R$ 16 milhões

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assembleia cbv estatuto
Boa relação da CBV com federações facilitou aprovação das contas
PUBLICADO EM 21/03/18 - 18h20

Não seria exagero dizer que o saldo da Assembleia da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), realizada nesta quarta-feira, ficou aquém do esperado. A intenção de clubes e atletas, que chegaram com apenas dois votos cada entre todos os 31 representantes, para que tivessem maior representatividade não se confirmou. Os clubes, responsáveis pela formação de atletas e pela manutenção dos times que atuam na elite do esporte, seguem com apenas dois votos. Os atletas ganharam mais força e agora serão representados por quatro votos.

A intenção inicial dos jogadores era ter 10 votos e o número final foi acordado em negociação. A ideia inicial de que o maior espaço para atletas e clubes fosse debatido nem sequer aconteceu, deixando os clubes, representados por Minas Tênis e Pinheiros-SP, bastante insatisfeitos. A Federação Mineira também engrossa o coro de inconformados com essa situação, que ignorou os responsáveis por manter e formar atletas de várias categorias, que pediam melhor gestão e mais transparência. A ideia inicial era que as duas classes tivessem, no mínimo, 30% de representação, com seis votos para cada.

Uma ideia que foi criada foi montar uma comissão para estudar uma nova alteração no estatuto em relação ao número de representantes de clubes. No entanto, neste conselho estão um atleta e cinco federações que não passam por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, responsáveis por quase 100% dos clubes na Superliga.

Contas aprovadas. Mesmo com a auditoria contratada indicando várias ressalvas sobre o balanço financeiro, o mesmo foi aprovado. Os clubes demonstraram sua discordância ao lembrar que o Conselho Fiscal da entidade sugere a aprovação com louvor das contas. "Nos causa perplexidade que, embora o parecer da auditoria conste as ressalvas citadas, o parecer do Conselho Fiscal sugere a aprovação integras das contas com louvor. Nos fica claro a ocorrência de uma situação, no mínimo, contraditória, em relação aos atos de gestão da entidade", afirma o comunicado assinado pelo Minas.

Foi divulgado que a CBV deve um valor na casa dos R$ 16 milhões para fornecedores, além de juros e impostos. A força da entidade junto às federações fez a diferença para a aprovação. Os clubes e a Federação Mineira, neste sentido, se abstiveram de votar, usando como argumento o pouco tempo para analisar todas as informações enviadas. Os dados foram passados na última quinta-feira para que tudo pudesse ser estudado em pouco menos de uma semana.

Também foi informado de que a CBV tem previsão de receber e gastar R$ 75 milhões, não tendo folga no seu caixa para outros investimentos e gastos, lembrando ainda da necessidade de pagar os atuais débitos.

Abusando. Uma tentativa de manobra ainda apareceu no artigo 40. A ideia era adicionar um item para que os executivos da CBV não tivessem responsabilidade sobre atos da administração financeira. A assembleia foi alertada sobre isso e acabou votando contra de forma unânime. "Isso cria uma situação de irresponsabilidade repudiada pela sociedade e pelo Direito, ainda mais com a disposição/adendo proposto que estende aos executivos que fazem a gestão financeira da entidade uma isenção de responsabilidade legal, o que, mais uma vez, gravemente contraria as boas práticas de gestão e compliance", cita a nota.

Sem restrições. Em relação ao estatuto, uma mudança importante definiu que qualquer brasileiro, com mais de 21 anos, pode ser candidato ao cargo de presidente da CBV, desde que tenha aprovação de seis votos, desde que cinco destes sejam de federações. Desta forma, qualquer pessoa, ligada ou não à modalidade e até mesmo ao âmbito esportivo, pode se tornar presidente da entidade que rege o vôlei no país.

Antes disso, os candidatos precisavam ter, no mínimo, um período de sete anos dentro de alguma das federações filiadas. Membros do Conselho Diretor e Fiscal da CBV precisavam de cinco anos consecutivos na entidade caso quisessem se candidatar ao maior cargo. Na reunião, André Heller, presidente Comissão de Atletas de quadra, e o presidente da Federação de Goiás não compareceram.

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