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Esportivamente por Daniel Ottoni
24 de Maio - Quinta-feira - 11:51

Sem descanso

Jogadores defendem equipe de Dubai ao final da temporada, atraído pelos petrodólares; prática é comum entre jogadores de várias partes do mundo

Dupla terá permanência de apenas duas semanas no time de Dubai (crédito: agência i7)


Depois de jogarem até a última temporada no Sada Cruzeiro, o central Simon e o ponta Leal estão juntos novamente, agora pelo Surprise, time de Dubai. Eles foram contratados por um curto período para participar de uma única competição que terminará no próximo dia 25. Serão apenas duas semanas por lá antes das férias começarem efetivamente para os dois.

São necessários vários fatores para abrir mão das desejadas férias após o fim de uma temporada desgastante. Para convecer alguns dos maiores jogadores do mundo a desfilar seu talento, times do Oriente Médio abrem os cofres, cheios de petrodólares, para tê-los durante um período curto. 

Ao lado de Leal e Simon, neste período do ano, estão nomes como dos também cubanos Leonel Marshal e Salvador Hidalgo. Mesmo querendo um merecido descanso, estrelas do vôlei internacional rumam para países da região para fazer um bom dinheiro e ter uma experiência de vida. "Em 2016, joguei apenas um mês no Police, de Doha, no Catar. Participamos de dois torneios (Copa do Rei e Copa do Príncipe) e ficamos em terceiro nas duas. Claro que o dinheiro pesa muito na hora da escolha, são valores bem mais altos do que os pagos no Brasil. Além disso, eles dão prêmios para melhor jogador em quadra, maior pontuador, melhor bloqueio, melhor saque", comenta o ponta Piá, que acaba de ser contratado pelo Minas.

Sabendo da necessidade de estar em boa forma, Simon e Leal convidaram o preparador físico João de Paula, que trabalhou com eles no Sada Cruzeiro, para estar presente inloco em Dubai, dando um reforço na parte física. O fato do nível do torneio não ser tão alto diminui as chances de uma lesão. 

Diferenças dentro e fora de quadra

Em uma cultura tão diferente, os brasileiros garantem que ficaram bem impressionados com tudo que encontraram no Oriente Médio. Após ser vice-campeão da Superliga pelo Renata Vôlei-SP na temporada 2015/2016, o ponta Piá pôde, finalmente aceitar um convite que já havia aparecido anteriormente, mas que não foi possível de ser aceito por causa da sua agenda. "A vida lá é fantástica. Eles têm uma estrutura muito boa e disponibilizam as melhores condições como hotel cinco estrelas, entre outras coisas. As férias são sagradas mas tudo isso que vi por lá me faz ter muita vontade de voltar. Para quem vai, é algo bastante vantajoso", comenta o jogador.

Para seu companheiro de posição Rapha, que defendeu o Al Arabi e o El Jaish, a realidade diferente do Brasil foi sentida logo nos primeiros dias. Em algumas partidas, ele precisou se deparar com a paralisação durante os jogos para que os atletas se retirassem de quadra para os momentos de orações. "A beleza do país e a segurança também chamaram minha atenção", revela o jogador, hoje defendendo o Jeo Park Kula, da Turquia.

Estrelas como adversários

Na sua passagem por Doha, Piá teve nomes do mais alto nível como adversários, como Zaytsev, Leon, Leal, Camejo, Simon e Bartman. "O nível técnico não é dos mais altos, mas melhora bastante com a presença dessa turma. São autorizados dois estrangeiros por time. Além disso, muitos gringos de qualidade são naturalizados, que também contribui", salienta. Outros nomes que foram oponentes e colegas de time dos brasileiros foram Juantorena, Jan Stokr e Filip Rejlek.

O medo de se machucar não passou pela cabeça de Piá, que chegou a Doha em boas condições físicas. Rapha prefere ver esse risco como algo normal para todos os atletas em qualquer momento da carreira. Mesmo jogando em um período que deveria ser de descanso, ele acredita que um lado positivo aparece para quem fecha acordo com os árabes. "É uma alternativa interessante para não deixar o ritmo cair. Abri mão das férias para me manter no mais alto nível. Lesões podem acontecer em qualquer momento, nunca vi o fato de jogar lá como um risco", pontua.


 

23 de Abril - Segunda-feira - 16:28

Quebrando tabus

Conquista do time mineiro quebra hegemonia e faz nome 'diferente' vencer Superliga após 16 anos



Praia Clube levou título inédito na sua segunda participação na final da Superliga (crédito Wander Roberto - Inovafoto)



O mais interessante do título do Dentil-Praia Clube, na Superliga Feminina, foi a hegemonia de Sesc-RJ e Vôlei Nestlé-SP, de quase duas décadas, ser quebrada. Por mais incontestável que seja o mérito das duas equipes, não vejo como saudável para a competição ter somente um ou outro no lugar mais alto. Foi assim desde 2001/2002, quando o Minas sagrou-se campeão, antes de começar uma sequência que não deu chances para outros times. 

Equipes como o próprio Praia, o Minas e o Sesi-SP até chegaram na decisão em anos posteriores, mas o título sempre ia para Rio ou Osasco. Se isso vai se manter ou não nos próximos anos, não sabemos. Mas é saudável abrir o leque de opções, até pensando no maior nível técnico e na impressão que muitas pessoas podem ter do nosso cenário quando batem o olhos nos últimos campeões.

Vejo a conquista do Praia como uma nova página que se abre no vôlei feminino. O alto investimento será mantido e certamente o time seguirá brigando pelas primeiras posições na próxima temporada. Se vai ser campeão novamente, são outros quinhentos. A participação do Camponesa-Minas no Mundial fez o patrocinador abrir os cofres para ter atletas do nível de Gabi e Natália. Cada uma delas não chega a Belo Horizonte ganhando menos de R$ 1 milhão por temporada, deixando claro o novo patamar econômico do clube.

Mesmo com alguns altos e baixos na temporada, o Praia teve todo o merecimento nesta conquista. Quebrou tabus seguidos na competição e fez um jogo primoroso quando mais precisava. No último jogo, não oscilou, foi agressivo e constante e jogou o Sesc contra a parede. Talvez seria uma boa opção Bernardinho ter preservado algumas titulares na reta final da terceira parcial, já pensando no golden set. Bernardo sabe bem o que faz e sua decisão de manter o time completo acabou não dando certo.

Com essa força mineira incomodando quem aparecer pela frente, temos maiores chances de que a escrita entre Rio e Osasco, nas próximas temporadas, siga sendo quebrada, colocando novos times entre os mais vencedores do país. Neste caso, quanto mais quantidade na prateleira de cima, mais qualidade para todos os que acompanham e torcem para ver o vôlei brasileiro seguindo como diferenciado. Aquela mesmice fazia bem para pouquíssimos...

 

 

02 de Abril - Segunda-feira - 17:36

Passou despercebido

Paraense Dewson Freitas surpreendeu expectativas de muitos controlando bem o jogo do começo ao fim

 

Dewson Freitas fez torcida esquecer polêmicas envolvendo seu nome no primeiro jogo da decisão (crédito: Alex de Jesus)



Admito que fiquei receoso com a escolha do paraense Dewson Freitas, de 37 anos, para apitar o primeiro jogo da final do Mineiro entre Atlético e Cruzeiro. As recordações que tinha dele não eram boas, mas sua atuação no clássico deste domingo ficará marcada. Dewson soube controlar muito bem o jogo, do início ao fim. Não precisou mostrar muitos cartões e foi firme quando necessário. Sua atuação discreta não deixou dúvidas sobre seu bom desempenho, algo que se tornou raro nos dias de hoje, no futebol brasileiro, quando o assunto são partidas decisivas. Sabemos bem que um árbitro vai bem quando pouco ou nada se fala dele após o apito final. Sua atuação foi muito boa, só perdendo para o meia venezuelano Otero, autor de três assistências para o lado alvinegro.

Como é bom chegarmos nas horas após os jogos para falarmos somente dos gols, das jogadas, das falhas e acertos dos jogadores, das opções dos treinadores e de tudo mais que envolve o futebol dentro de campo. Nada de expulsões, pênaltis que foram ou não marcados, falta de critério de arbitragem e influência direta dos comandantes do apito no resultado final. Talvez Dewson tenha dado sorte também com lances pouco polêmicos, como os que aconteceram entre Atlético e América.

A boa atuação do paraense não garante que não teremos mais reclamações em breve, inclusive com seu próprio desempenho. Quando os árbitros não vão bem, as críticas 'chovem' e todos reclamam, de vários lados. Quando eles vão bem, os elogios podem e devem aparecer. Eles acontecem, mas em um número bem menor na proporção das costumeiras reclamações.

É preciso bater quando necessário, mas também reconhecer quando uma atuação tão boa da arbitragem acontece em um momento tão importante do maior clássico mineiro. Gostaria muito de ver um árbitro mineiro na final, mas os clubes preferiram evitar um local, talvez influenciados pelos incidentes recentes dentro do próprio campeonato. Vejo Minas Gerais bem no cenário nacional e com condições de colocar um árbitro que passe despercebido em um Atlético e Cruzeiro. 

Talvez esta realidade reapareça em breve, de preferência com uma boa atuação, que dê a todos a certeza de que o Estado está bem servido, proporcionando debates somente sobre a bola rolando.

 

 

 

22 de Março - Quinta-feira - 14:42

Rodado

Campeão mundial pelo Brasil em 2008, jogador vive situação inédita na carreira, precisando comandar, dentro de quadra, elenco com vários atletas do sub-20

 

 

Ciço se diverte com entusiasmo dos novatos nas coisas mais simples durante a Liga de estreia de muitos deles (crédito: Ignacio Costa)

 

Diferente de muitos anos atrás, quando começou sua carreira no futsal da GM, hoje Ciço é a voz da experiência no Supermercados BH-Minas. Com 36 anos, ele será uma das referências do elenco do técnico Paulo César Cardoso na equipe que estreou com vitória de 4 a 0, sobre o Assoeva-RS, na Liga Futsal. Boa parte do time de BH é formado por jovens atletas, muitos deles recém-promovidos do time sub-20.

"É a primeira vez que jogo em um time com tantos jovens. Pra mim, é uma alegria e uma motivação tentar passar um pouco do que aprendi para eles, com o desejo de que tenham uma carreira de sucesso. É algo diferente, mas bacana. Preciso saber lidar o que e como falo, eles ainda não conseguem interpretar tudo. É um desafio prazeroso ter isso depois de 20 anos nas quadras. Espero contribuir bastante", comenta o jogador, que tem passagens pela seleção, além das ligas de Portugal, Espanha e Irã. Pelo Brasil, foi campeão mundial em 2008.

Torna-se inevitável que um filme passe na cabeça do experiente jogador quando vê situações corriqueiras e simples, hoje para ele, sendo consideradas como novidades pelos novatos. "Na minha cabeça, muitas coisas são fáceis de lidar. Mas, para eles, é a primeira vez. Aprendo com o entusiasmo e a alegria dos mais jovens, que estão no ápice físico. Tento compensar acelerando o jogo, dando menos toques na bola. É legal ver como eles ficam entusiasmados nos hoteis, nas viagens. Vivenciei tudo isso e ver agora em outras pessoas é algo atípico", recorda.

Apesar de reconhecer que está na reta final de carreira, Ciço não perde a alegria de seguir fazendo o seu melhor e ajudar os mais novos a irem longe dentro das quadras. "A palavra que me define, hoje, é motivação. È um prazer vê-los desfrutar da primeira Liga, é algo grandioso para muitos. Sabemos das dificuldades e também das nossas qualidades, que são muitas. Tenho certeza que muitos aqui vão trilhar um caminho de sucesso", projeta. 


 

07 de Março - Quarta-feira - 18:04

Saindo da rotina

Longe da redação, consegui uma cobertura que foi além dos resultados das quadras, um dos meus focos mais distantes que preferi ter na competição internacional



Dupla de cubanos, pra variar, fez a diferença a favor do Sada Cruzeiro rumo ao seu sétimo Mundial seguido (crédito: Uarlen Valério)

Do ar-condicionado da Arena Minas para o forno da simpática Montes Claros no ginásio Tancredo Neves. Em duas semanas, uma overdose de Sul-Americano de clubes de vôlei. Primeiro o feminino, em Belo Horizonte. No dia da final, folguei antes de já estar arrumando as malas rumo ao Norte de Minas.

Foram dezenas de jogos em sequência, que não me permitiram desviar atenção das quadras, uma vez que os resultados estavam entre os assuntos mais importantes. Pessoalmente, queria, muitas vezes, era mirar nas arquibancadas, no banco de reservas, na cabine de imprensa, em quase tudo menos na quadra. Até porque já era sabido quem chegaria na final ou seria campeão.

Como sempre, personagens costumam 'pipocar' e eu sabia bem que estava diante de alguns que poderiam, muito bem, não passar na minha frente de novo. Caso de Alicia Casamiquela, de 83, coordenadora do Gimnasia Y Esgrima, da Argentina. Ela talvez tenha me presenteado com a melhor história. Primeira treinadora da história do vôlei argentino, é considerada a embaixadora da modalidade local. É mãe da treinadora do clube, que me passou o recado de que dona Alicia havia ficado muito feliz e emocionada com a matéria de página inteira que consegui emplacar. A lembrança de uma simpatia em pessoa e um regalo serão levados comigo por muitos anos. Meu portunhol fluente foi testado e aprovado, cada dia melhor e sem sair do lugar

Veja aqui a matéria completa que fiz 

A passagem do Sesc por BH ainda rendeu exclusiva com o sempre inquieto Bernardinho, prestes a sair nas páginas de O Tempo. Sem muita intenção, a notícia de que o San Simon, da Bolívia, havia viajado de ônibus entre Cochabamba e BH me fez levantar da cadeira para não deixar a oportunidade escapar. Com sorriso no rosto, as jogadoras lembravam dos perrengues da viagem, de terem dormido no chão e de como tudo aquilo havia valido a pena para enfrentar estrelas da modalidade como Gabi e Hooker. A chave de ouro foi fechada com o título do Minas que eu, particularmente, não esperava que viria, ainda mais sem a norte-americana inteira.

A troca de chave foi instantânea assim que desembarquei no calor de MOC. Uma toalha na mochila, a cada dia, foi providencial, para amenizar a constante suadeira. O lado bom foi ter o Lomas como time presente, saindo do lugar comum entre Bolivar e UPCN como representantes argentinos. Equipes diferentes sempre trazem novos personagens e sabia que algo de bom poderia sair dali. Foi legal para ver a nova força argentina chegando na frente dos dois times de maior expressão do país. 

Nas horas vagas, a academia do hotel serviu para alguns bate-papos com os estrangeiros. A grande diferença foi ter ficado hospedado no mesmo hotel de todas as delegações, convivendo com os times por várias horas por dia. Quem é repórter, sabe a diferença que isso faz para que novas histórias venham á tona.

Se estivesse em outro hotel, o convívio e a cobertura não seriam os mesmos. Um bate-papo com o levantador belga Depestete, do Bolívar, me fez criar uma simpatia ainda maior pelo time que conheci bem no começo da temporada, inloco, no interior da Argentina. Ele mal sabia que uma grave lesão estaria por vir, colocando em risco o resto da temporada do time. Só espero que não tenha sido uma despedida triste da carreira do experiente jogador de 40 anos. No mesmo dia da lesão, vi o técnico Javier Weber conversar longamente, fora do hotel, com os jogadores mais experientes. Pra mim pareceu uma tentativa de tentar manter a motivação das referências da equipe na base da conversa, uma vez que a parte técnica estaria comprometida.

Uma carona no ônibus do Sada, em um dos dias, me fez voltar em um tempo não muito distante quando era parte da delegação na Polônia. Depois de me sentir um peixe fora d´água nos primeiros dias, o gelo foi quebrado e quase virei um integrante fixo do time em Opole e na Cracóvia. Quase...

Por fim, o título cruzeirense, tão esperado, coloca o time de volta do outro lado do Atlântico em dezembro. Será que estaremos nessa novamente? Só o tempo dirá...

Um passo de cada vez, sempre tentando aproveitar as oportunidades que aparecem. Cada Sul-Americano tem seu lugar, abrindo chances que podem não voltar em breve.
 

19 de Fevereiro - Segunda-feira - 11:40

Vai ou fica?

Jogador garante que vai esperar final da temporada para, só então, começar a negociar com clubes interessados

Leal pode fazer com que o Sada Cruzeiro tenha que ir ao mercado para repôr sua perda; efeitvação de Rodriguinho no time titular também é opção (crédito: Renato Araújo)



As especulações em torno do futuro do ponta Leal, do Sada Cruzeiro, crescem a cada dia. Veículos estrangeiros já dão como certa a proposta de equipes de fora do país, que podem fazer com que o cubano-brasileiro repense sobre sua sequência no vôlei brasileiro. Após o jogo contra o JF Vôlei, na última sexta-feira, aproveitei a presença do jogador para saber o que existe de real nesta história toda. Sondagens não são novidades para ele, mesmo na época em que seu contrato estava longe de se encerrar com o time cruzeirense. A boa relação que existe com a diretoria azul pode ajudar para a permanência de Leal, além do ambiente favorável que o cerca, dentro e fora de quadra, em Belo Horizonte.

Mudar para a Rússia, por exemplo, implicaria em uma nova rotina para o jogador, que precisaria se adaptar a uma série de fatores diferentes. Nada de outro mundo, mas uma novidade que seria motivada por um salário de se fazer pensar bem na decisão a ser tomada. 

"Não estou sabendo de nada, estou apenas concentrado no Sada Cruzeiro. Após o final da temporada, começo a pensar no meu futuro", afirmou. Tentei insistir, mas Leal mostrou-se relutante para falar pouco sobre o assunto. "Estou disposto a ouvir propostas para tomar a melhor decisão, seja ela ficar ou ir embora", resumiu.

No Sada Cruzeiro há seis temporadas, Leal é uma das principais peças do elenco, tendo sido fundamental na trajetória de sucesso com as conquistas de três Mundiais, quatro Sul-Americanos e cinco Superligas. O Sada Cruzeiro já deve estar atento á situação para sair na frente e ganhar tempo. Meu palpite é 50% de chance de permanência. As cifras milionárias e um novo desafio podem mexer com a cabeça e o bolso do jogador, que teria uma oportunidade de jogar em um outro campeonato para seguir evoluindo e comprovando porque é um dos melhores do mundo na sua posição.

 

08 de Fevereiro - Quinta-feira - 15:59

Além do mau futebol

Atitude intempestiva de Oswaldo de Oliveira pode criar pressão ainda maior em uma temporada que mal começou

 

   Oswaldo de Oliveira afirma nunca ter sido ofendido na carreira como na noite desta quarta-feira (crédito: Reprodução)


Admito que fiquei surpreso com a atitude de Oswaldo de Oliveira. Por mais que alguns incidentes anteriores já tenham acontecido, o perfil do treinador carioca é outro, de um cara educado, cortês e até boa praça. Por maior que seja o poder para que um incidente mude toda a impressão que temos de uma pessoa, não será este o caso comigo.

No entanto, isso não impede o repúdio sobre o acontecido na noite desta quarta-feira após a classificação suada do Atlético em Rio Branco (AC). Mesmo se Léo tenha mencionado um palavrão, Oswaldo precisaria ter o sangue frio necessário para evitar o vexame que foi visto e divulgado. O jornalista afirma ter apenas dito que estava fazendo seu trabalho.

Gomide é um dos poucos que possui uma postura corajosa de fazer perguntas que poucos querem ouvir. É uma exceção entre tantos que cobrem o futebol mineiro. Sabemos bem como isso incomoda. A ponto do assessor do clube chamá-lo de babaca para tentar 'amenizar' os ânimos exaltados do técnico. Uma atitude longe da ideal para aquele momento de tensão. Oswaldo chegou a ser avisado sobre o perfil de Léo quando chegou ao Atlético, como se fosse alguém perigoso que marcasse presença diária no CT. Se fosse para apenas termos as perguntas desejadas em coletiva, a presença da assessoria seria suficiente. O papel da imprensa passa por contestar e Léo faz isso como poucos, por mais que esta seja a obrigação de todos.

O que se viu do treinador foi algo bem pior do suposto xingamento proferido. Ele abandonou a entrevista por alguns instantes para partir pra cima, provocar,insultar e quase ir para as vias de fato. 'Só você que ouviu isso', retrucou Gomide. Não creio que ele falaria o que Oswaldo acha que ouviu. A assessoria do treinador afirma que o xingamento foi algo pior do que se vê nas arquibancadas. Quanto exagero...

O próprio assessor do clube, que estava ao lado, tomaria alguma atitude naquele momento, creio eu. Oswaldo pode muito bem ter se confundido. Talvez tenha sido traído e tomou uma ação intempestiva e desnecessária. Até agora nada foi provado sobre a palavra que Gomide teria proferido. Foi apenas a gota d´água de um incômodo que começou há alguns meses e seguiu durante a coletiva. Sua postura aguerrida, com perguntas fora do padrão, incomodam. Léo nem havia terminado sua pergunta quando foi interrompido pela falta de paciência do treinador. Como o jornalista mesmo disse, ele tem o direito de embasar sua opinião em suas próprias impressões. Oswaldo contestou e deixou claro que o profissional deveria apenas fazer perguntas. Errou neste argumento.

Faltou bom senso a Oswaldo para contar até 10 e responder qualquer coisa que fosse, mas de forma educada, mesmo não concordando com tudo que havia acabado de ouvir. Uma cena que ganhou o mundo e que serviu apenas para deixar o ambiente no Atlético, em má fase mesmo no começo de temporada, ainda mais conturbado.

Em uma decisão arbitrária, o Atlético proibiu Gomide de acessar o CT até segunda ordem. Se for impedir cada um que cause incômodo de entrar na Cidade do Galo, é possível que tenhamos situações parecidas em um futuro não muito distante. Isso não resolverá nada, pelo contrário. Não é esta a forma de se tentar remediar situações como a ocorrida recentemente.

Mesmo com toda a proteção que o clube tenta dar ao treinador, sua situação não será favorável daqui pra frente. O time, que não mostra evolução alguma na temporada, precisará de uma nova postura para impedir que uma pressão, que parece inevitável, se torne ainda maior. Será neste ambiente, criado por ele mesmo, que Oswaldo precisará fazer o time começar a jogar, antes que sua condição torne-se insustentável. O desejo de Oswaldo e Léo, para que uma pedra seja colocada sobre o assunto, também é o meu. Espero que o incidente sirva de lição para se entender o papel do jornalista e para que quem convive neste meio ter a ciência da sua obrigação de apenas responder, sem o direito de agredir repórteres verbal e fisicamente, evitando demonstrações de destempero com quem apenas realiza seu trabalho.


 

29 de Janeiro - Segunda-feira - 15:26

Chance perdida

Entidade pretende retomar conversar com responsáveis por comandar partidas somente quando novo presidente da COBRAV for conhecido

 

Árbitros de Minas Gerais não entraram na briga contra a CBV (crédito: Orlando Bento)

Não são somente torcedores (as), jogadores, técnicos e clubes que têm suas reclamações contra a CBV. Para completar o hall de participantes diretos da Superliga que sabem que podem ter um outro tipo de retorno e tratamento da entidade que organiza a Superliga, os árbitros também entraram nesta lista. Nos últimos meses de 2017, duas reuniões (a primeira em outubro) foram realizadas entre representantes da arbitragem de São Paulo com a Confederação. Eles solicitavam uma nova remuneração, tendo apoio da Federação Gaúcha de Vôlei. Árbitros de outros Estados preferiram não aderir ao protesto.

A ideia era que os árbitros pudessem receber parte do valor de R$ 1,5 milhão que a CBV recebe da Sky. A operadora de TV é uma das patrocinadoras da Superliga e sua marca é estampada no uniforme dos árbitros, que não recebem nada em relação a direito de imagem e pedem um reajuste que não aparece há três anos. Já na temporada passada, os árbitros pediram um retorno da CBV sobre o assunto e foram ignorados. "Pedimos, por escrito, uma cópia do contrato. Os atletas cedem seu direito de imagem e isso não é feito com os árbitros. Não temos conhecimento do teor e do que diz o contrato da CBV com a Sky. Se isso não pode se tornar público, ok, mas internamente não vejo motivo para não sabermos o que está escrito. Fica parecendo que existe algo estranho e obscuro, a gente fica tentando entender o motivo disso. Os atletas são as figuras principais de um jogo de vôlei, mas o mínimo que deve ser feito é respeitar a figura do árbitro", afirma Carlos Cimino, presidente da Federação Gaúcha de Vôlei. "Mesmo existindo cláusulas de confidencialidade, a CBV demonstrou aos árbitros o percentual referente a publicidade nas camisas", garante Radamés Lattari, diretor de competições de CBV. A informação é sumariamente negada pelos árbitros, que garantem que tiveram somente uma informação verbal, que não acabou sendo comprovada nos documentos pedidos. Se a CBV fez questão de não informar de forma oficial, abre-se a suspeita sobre o que foi passado. 

Após as duas reuniões (a segunda, inclusive, contou com representante da parte comercial da CBV), foi prometido um retorno oficial até 31 de dezembro, o que não aconteceu. A desculpa para o novo atraso foi o recesso de final de ano, o que não convenceu os representantes da arbitragem. Na minha visão, custava pouco dar um retorno, mas não foi a primeira vez que a entidade preferiu 'empurrar com a barriga' e ganhar tempo. A situação parece que vai persistir, apesar de algumas ameaças dos árbitros, que chegaram a afirmar que usariam a tradicional camisa branca, sem a logo da SKy, caso não tivessem os pedidos atendidos. 

Há duas temporadas, os árbitros foram surpreendidos quando a CBV recolheu as camisas, que foram retornadas com a logo da Sky, sendo informados que aquele seria o uniforme padrão da arbitragem dali em diante. O acordo de um contrato de exploração comercial na camisa dos árbitros fez a classe se sentir no direito de ser ressarcida de alguma forma. Nenhum tipo de autorização foi dada neste sentido. Depois de uma temporada inteira sem nada acontecer, situação semelhante aconteceu no campeonato seguinte. Três meses antes da atual temporada começar, os árbitros informaram à CBV de que tal prática era irregular, solicitando que providências fossem tomadas. "Quando a CBV nadava em águas tranquilas, nada foi feito. Agora, a desculpa é sobre a crise econômica. Estamos apresentando um leque de reinvidicações que foi esquecida com o passar dos anos", pontua Cimino.

Fiquei na esperança de ver a coisa ser colocada em práticas mas as últimas informações que tive foi que uma nova reunião entre as partes estava prestes a acontecer. Acompanhando de perto, admito que fiquei desapontado quando soube que os árbitros estavam esperando a presença de representantes da CBV, a exemplo do seu presidente Walter Toroca, para que novas negociações acontecessem. Em uma semana, a parte da CBV estava viajando, na outra não tinha agenda, e por ai vai. Se forem depender da boa vontade e interesse da CBV para sentar, conversar e ter os pedidos atendidos, acho que pouca coisa vai sair do lugar.

Acredito que seria necessária uma atitude mais drástica, como a que foi divulgada em nota assinada por Dalmir Medeiros, presidente da Associação de Árbitros de São Paulo e membro da Comissão Brasileira de Árbitros de Vôlei (COBRAV). Acabou que nada se concretizou e a CBV ganhou um tempo precioso. Uma das solicitações que defendo é da atualização dos árbitros. Sabemos que eles possuem outras profissiões e não costumam passar por cursos e palestras para estarem mais bem preparados. A CBV insiste em dizer que a arbitragem brasileira (e também a sua liga) está entre as melhores do mundo. No entanto, erros seguidos em quase todas as rodadas e melhorias que sempre estão por vir me fazem ver a situação com outros olhos.

Concordo também com o pedido para que o novo presidente da COBRAV seja um ex-árbitro internacional de renome. Carlos Rios, ex-presidente da Federação Mineira de Vôlei (FMV) teve seu nome contestado pelos paulistas e gaúchos. Não demorou para que ele entregasse seu cargo. A CBV ainda procura por um novo nome. Até lá, Carlão segue no posto. Esta é uma outra situação que também não deve apresentar pressa para ser solucionada, servindo de argumento pela entidade para que tudo se mantenha como está. "Assim que for definido o novo nome da Cobrav, as conversas vão ser retomadas", afirma Radamés. "Não temos nada contra a pessoa do Carlão, mas sua presença na CBV é meramente política. Ele não tem condições de exercer o cargo pelo simples fato de nunca ter sido árbitro, por isso o nosso pedido", comenta Cimino.

Com passos de tartaruga, seguimos caminhando lentamente neste assunto, que tinha tudo para gerar uma pressão maior sobre a CBV, despertando novidades necessárias. A impressão é que os representantes da arbitragem preferiram esperar e dar um passo atrás, quando tinha quase tudo engatilhado para bater de frente.

Até quando? Claro que eu não poderia deixar de perguntar à CBV sobre o desafio. A resposta foi clara e longe do que gostaríamos de ler. Talvez tenhamos mais alguns anos de erros e retrocesso pela frente. "O desafio é uma ferramenta muito importante nos dias de hoje, mas devido ao seu custo elevado se torna inviável para a maioria dos países. Em outros campeonatos do mundo, só existe o desafio em dois: no italiano e no polonês. Porém, nestes países, cada clube compra o seu. Se conseguíssemos fazer o mesmo aqui, com cada clube brasileiros participante comprando o seu, o problema estaria resolvido", sinaliza Radamés.


 

08 de Janeiro - Segunda-feira - 14:25

Pano pra manga

Jogadora tem se destacado após três rodadas na Superliga; autorização pode ser revista em breve

 
 
Tiffany teve atuação acima da média nos seus três primeiros jogos na Superliga; elá já havia atuado no vôlei italiano antes de jogar no Brasil (crédito: Divulgação - Vôlei Bauru) 
 
 

Muitos foram os comentários e postagens nas últimas semanas, dentro do vôlei, sobre a presença da transsexual Tiffany, mais nova contratada de Bauru. Depois
de apenas três jogos pelo time, ela assumiu a liderança no ranking de jogadoras com melhor média de ponto. Já a colocaram num patamar muito alto e é preciso
calma para batermos o martelo para dizer x ou y. Pra começar que os adversários enfrentados por Bauru (Fluminense, Pinheiros e São Caetano) não estão na prateleira de cima do cenário nacional. Talvez pode ser interessante esperarmos um pouco mais para ver seu desempenho, inclusive, contra times de maior qualidade, investimento e experiência. Se ela continuar bem, vai merecer ainda mais aplausos.

Em segundo lugar, alguns falam que ela parece levar vantagem sobre as atletas pelo fato do seu porte atlético ser privilegiado. Pelas pesquisas que fiz e textos que li, minha visão é que o nível de testosterona ser diminuído não me parece ser algo suficiente para ela estar no mesmo nível da maioria das adversárias. Ao que parece, seria necessário um tempo maior neste período de redução dos hormônios para que uma igualdade fosse mais nítida.

Gostaria muito de vê-la jogando inloco para ter uma posição mais bem definida, essa oportunidade deve aparecer em breve e espero aproveitá-la. Quem é a favor
dos LGBT´s costuma criticar quem não aprova a presença de Tiffany. A regra afirma que o nível de hormônio a permite jogar na competição e isso basta
para sua participação. No entanto, esta regra pode não estar totalmente correta, talvez precise de algumas adaptações. Os próprios médicos que a liberaram
pensam em reconsiderar a posição. "Talvez a regulamentação tenha de ser revista, ser um pouco mais criteriosa", comentou o médico Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Unifesp em entrevista à Revista Veja. O coração e outros órgãos de Tiffany possuem o tamanho que aparecem em homens, o que pode fazer com que ela tenha vantagem sobre as oponentes em muitos momentos.

Resumir sua participação somente ao nível de hormônio me parece pouco. Longe de mim ser especialista. E para isso, é preciso conversar com quem
entende do assunto. "Ela passou boa parte da vida com uma produção hormonal muito maior do que uma produção hormonal feminina. Isso acaba influenciando no tamanho dos órgãos, coração, pulmões, a parte óssea, ou seja, as alavancas do aparelho locomotor. Então, isso cria diferenças em relação às mulheres e faz com que ela tenha um desempenho melhor. Não é pura e simplesmente o controle de testosterona na circulação. É evidente que tem vantagem sobre as outras.", analisa Zogaib. "Ela tem uma capacidade de transporte de oxigênio muito maior do que uma mulher, porque ela tem um coração maior e tem mais sangue do que uma mulher. Os pulmões são maiores, a própria estrutura do aparelho locomotor é diferente, a largura dos quadris, o tamanho dos ossos. Isso é o que diferencia um homem de uma mulher e por isso o desempenho físico do homem é maior do que o da mulher. Não é somente pela concentração de testosterona", completa. Independentemente de muitos concordarem ou não, vou contra a linha de que a comunidade LGBT deve apoiar sua participação somente pelo fato de uma transsexual estar ganhando espaço.

Acho essa abertura muito válida e positiva, mas ela precisa ser feita da forma correta. E opções e preferências sexuais precisam ser deixadas de lado em favor da regra e da análise física e científica. Seria muito legal vermos mais Tiffanys no vôlei, desde que as regras estejam de acordo e que o princípio da igualidade possa falar mais alto. Reforço que ainda é cedo para tirarmos conclusões, mas a impressão inicial que tenho é de uma ligeira vantagem sobre as adversárias. O tempo irá dizer se estou certou ou errado. E quem venham as críticas e afirmações de 'homofóbico' e 'preconceituoso' de quem tem como base somente a opção sexual.






 

28 de Dezembro - Quinta-feira - 17:23

Vez ou outra

Apesar do resultado do Sada Cruzeiro, experiência mostrou novidades e diferenças que nos fazem ver tudo com outros olhos no retorno


Ponta Léón esteve especialmente inspirado para levar Zenit ao primeiro título mundial (crédito: FIVB - Divulgação)

Claro que, do outro lado do Atlântico, tudo seria novidade na cobertura de mais um Mundial de clubes. A começar por estar sozinho, em um ambiente estranho, com frio, neve, chuva e precisando recorrer a mim mesmo em caso de qualquer problema. Nada como poucos dias para se adaptar, entrar na rotina e no modo automático para começar uma produção para impresso, portal e rádio de tudo que pudesse ser interessante. Isso com aquele 'tira e põe' de agasalhos, blusas, toca, luva, gorro e cachecol. Sobe no ônibus, desce, hotel, ginásio, entrevista, fone, microfone, escuta, tira aspas, redige, relê e envia. No outro dia, tudo se repete, com os jogos dando um adento especial na jornada.

Na verdade, eu não via a hora do campeonato começar. Estar inloco em uma atmosfera que muito ouvi falar e que bastaram poucos segundos dentro da arena lotada para sentir tudo aquilo. A torcida polonesa é diferente mesmo, acompanha e joga junto. Mas tudo depende do desempenho do time da casa. Começou a vacilar, eles murcham quase que de imediato.

Minha maior torcida era para que o Sada Cruzeiro vencesse o primeiro jogo. Se isso acontecesse, seria provável a liderança do grupo e um encontro menos complicado na semifinal. Infelizmente, isso não aconteceu e um embate contra um embalado Zenit jogou por terra as pretensões do time celeste. O grupo sabe que poderia ter sido diferente. Ganhar um Mundial fora de casa é algo bem mais difícil do que estar diante da sua torcida, em um ginásio que fez os adversários sofrerem com o calor e a pressão. Lições não faltaram para o elenco, que voltou fortalecido com um terceiro lugar, apesar da distância para o lugar mais alto.

Aquele frio básico pra gente ter ainda mais certeza de como está longe de casa (crédito: Arquivo pessoal)


A experiência seria proveitosa em muitos sentidos. A chance de conhecer um palco como a Tauron Arena foi única, assim como ver de perto talentos como Juantorena, Christenson e Sokolov. Aquele perrengue básico com a turma da Polônia que mal arranha o inglês era esperado, mas tudo se saiu bem, no final das contas. Foi bom para ver de perto um outro nível de organização e estrutura, algo que a gente dificilmente vai se acostumar a ter. Ainda estamos distante em tantos aspectos...

Acho que consegui dar conta de tudo e o saldo foi positivo. Não via a hora de chegar em casa e retomar a rotina, por mais que, durante o ano, a gente reclame dela e torça pra algo um pouco mais agitado acontecer. Às vezes a gente é feliz com o que tem e precisa sair do modo normal para dar valor. Mesmo que saibamos que estamos diante de um privilégio daqueles, que costumam aparecer vez ou outra. A hora de voltar sempre chega e na bagagem a gente traz de volta experiências, lições e um agradecimento especial por ter feito parte de algo diferente do que já tinha vivenciado até então.

 

 Estar perto de referências internacionais, todos os dias, me fez ter a certeza de como estava no lugar que muitos desejavam (crédito: Arquivo pessoal)