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Esportivamente por Daniel Ottoni
05 de Abril - Sexta-feira - 11:50

Ocupando o espaço público

'Grita Calma' vai convidar pessoas de várias áreas que podem agregar com ideias e propostas do grupo de corrida


Ideia do Calma Clima passa longe de performance ou competitividade (crédito: Lucas Cancela)


Na última terça-feira, o grupo de corrida Calma Clima deu início ao projeto 'Grita Calma', que vai trazer pessoas de diversas áreas que têm a ver com a sua proposta. Fui convidadado para acompanhar as palestras de Guilherme Guimarães, manager do aplicativo Strava no Brasil e também de Bernardo Biagioni, organizador do corre.

Bernardo é figura conhecida há quase 10 anos, desde quando trabalhamos juntos na Revista Ragga. Sempre mostrou um texto diferenciado na coluna 'On the Road', com uma visão e gostos que chamavam atenção. Além do 'Quarto Amado', Bernardo se dedica também à running crew, que conseguiu em pouco mais de um ano ganhar grande notoriedade na capital mineira. Impressionante em como, a cada edição, aumenta o número de corredores.

A ideia passa longe de rendimento e tem muito mais a ver com o lado de ocupar a cidade, de cada um se permitir uma experiência diferente, sem essa questão de físico, tempo, distância. "Nossa proposta é coexistir na cidade. Respeito à natureza. Uma ocupação lúdica e imaginaria do espaço público", conta.

Com vários toques de stand up comedy, Bernardo apresentou sua história com o projeto. Algo que começou meio por acaso e foi ganhando forma e corpo. É certo que não despertaram o interesse do Strava à toa. Quem corre ali, percebe que está em algo que sai do lugar comum. Nas próximas edições, convidados de áreas como artes, esporte, tecnologia vão marcar presença, deixando claro o perfil distinto da crew, que vai muito além de um encontro e de um simples corre. Nada mais justo do que comparecer para perceber, na pele, do que se trata. Às terças, no perfil do grupo no Instagram, é informado o ponto de chegada e saída do encontro.

 

 

02 de Abril - Terça-feira - 15:28



   


Ocampo estaria acertado com o Minas (crédito: Cristiane Mattos)

 

Após ter confirmadas as saídas de quatro atletas (os pontas Bob e Piá, o central Flávio e o levantador Marlon, estes dois últimos para o Sesc-RJ), o Fiat-Minas tenta repôr o elenco na mesma medida. O site Web Vôlei cravou as chegadas do levantador Rodrigo Ribeiro, que atuou por Maringá e do ponta Lazo, argentino que defende o UPCN-ARG. "Ainda não temos estes atletas fechados, o que temos de concreto são apenas os atletas que ainda possuem vínculo", comenta Carlos Castanheira, o Cebola, supervisor do time masculino.

Cebola, muito possivelmente, adota uma postura cautelosa, uma vez que os possíveis reforços ainda têm contrato com suas equipes até o final da atual temporada. O blog do jornalista Bruno Voloch garantiu que um outro argentino, o ponta Ocampo, também estaria vindo para o Minas. O experiente jogador já atuou no Brasil pelo extinto Bento Vôlei-RS e está jogando as semifinais da liga hermana pelo Personal Bolívar. Além de Lazo e Ocampo, podemos ter mais argentinos na Superliga masculina 2019/2020, de acordo com informações que chegam do país vizinho. 

A ideia de um central ser prioridade não foi confirmada por Cebola. "Queremos trazer jogadores para as posições que perdemos, sem ênfase em uma ou outra posição", indica o dirigente. Com um levantador e dois pontas bem encaminhados, a tendência é que os esforços do Minas, neste momento, sejam de um meio-de-rede, para suprir a lacuna deixada por Flávio. 

Existe a chance do Minas ter maior recurso disponibilizado pela Fiat, patrocinadora master, que entrou somente com a atual temporada em andamento. Nos bastidores, dentro do clube, a diretoria se movimenta para ter essa sinalização positiva. Até segunda ordem, Cebola trabalha com o orçamento que lhe foi passado. Pelas primeiras movimentações do Minas, creio que o orçamento não será muito diferente da atual temporada, mas as coisas podem mudar, aumentando as chances de reforços de maior peso.

No Sada Cruzeiro, é certa a saída do ponta Taylor Sander, que aceitou a proposta financeira do Dínamo de Moscou. O jogador tinha a possibilidade de estender seu vínculo com o clube celeste, mas acabou não aceitando a proposta feita no começo deste ano, deixando aberta a possibilidade para sair ou permanecer.

O mesmo Voloch colocou a ponta Drussyla na mira do Minas, que já trabalha com a possibilidade de perder Natália para o vôlei turco. O valor, por temporada, seria na casa de R$ 1 milhão. Fiz contato com Keyla Monadjemi, diretora do time feminino do Minas, que preferiu não render o assunto contratações, lembrando que o clube está em momento decisivo da temporada, presente nas semifinais da Superliga. O Praia Clube não deve contar com a levantadora norte-americana Carli Lloyd na próxima temporada. A garantia da presença do patrocínio da Dentil, divulgada na última semana, dá a certeza de um elenco do mais alto nível, como tem acontecido nas últimas temporadas.
 

02 de Abril - Terça-feira - 15:15

Sem perder tempo

Equipe não confirma acerto com atletas que devem desembarcar em BH na próxima temporada; dois deles são argentinos



   Experiente ponta Ocampo estaria acertado com o Minas (crédito: Cristiane Mattos)

 

Após ter confirmadas as saídas de quatro atletas (os pontas Bob e Piá, o central Flávio e o levantador Marlon, estes dois últimos para o Sesc-RJ), o Fiat-Minas tenta repôr o elenco na mesma medida. O site Web Vôlei cravou as chegadas do levantador Rodrigo Ribeiro, que atuou por Maringá e do ponta Lazo, argentino que defende o UPCN-ARG. "Ainda não temos estes atletas fechados, o que temos de concreto são apenas os atletas que ainda possuem vínculo", comenta Carlos Castanheira, o Cebola, supervisor do time masculino.

Cebola, muito possivelmente, adota uma postura cautelosa, uma vez que os possíveis reforços ainda têm contrato com suas equipes até o final da atual temporada. O blog do jornalista Bruno Voloch garantiu que um outro argentino, o ponta Ocampo, também estaria vindo para o Minas. O experiente jogador já atuou no Brasil pelo extinto Bento Vôlei-RS e está jogando as semifinais da liga hermana pelo Personal Bolívar. Além de Lazo e Ocampo, podemos ter mais argentinos na Superliga masculina 2019/2020, de acordo com informações que chegam do país vizinho. 

A ideia de um central ser prioridade não foi confirmada por Cebola. "Queremos trazer jogadores para as posições que perdemos, sem ênfase em uma ou outra posição", indica o dirigente. Com um levantador e dois pontas bem encaminhados, a tendência é que os esforços do Minas, neste momento, sejam de um meio-de-rede, para suprir a lacuna deixada por Flávio. 

Existe a chance do Minas ter maior recurso disponibilizado pela Fiat, patrocinadora master, que entrou somente com a atual temporada em andamento. Nos bastidores, dentro do clube, a diretoria se movimenta para ter essa sinalização positiva. Até segunda ordem, Cebola trabalha com o orçamento que lhe foi passado. Pelas primeiras movimentações do Minas, creio que o orçamento não será muito diferente da atual temporada, mas as coisas podem mudar, aumentando as chances de reforços de maior peso.

No Sada Cruzeiro, é certa a saída do ponta Taylor Sander, que aceitou a proposta financeira do Dínamo de Moscou. O jogador tinha a possibilidade de estender seu vínculo com o clube celeste, mas acabou não aceitando a proposta feita no começo deste ano, deixando aberta a possibilidade para sair ou permanecer.

O mesmo Voloch colocou a ponta Drussyla na mira do Minas, que já trabalha com a possibilidade de perder Natália para o vôlei turco. O valor, por temporada, seria na casa de R$ 1 milhão. Fiz contato com Keyla Monadjemi, diretora do time feminino do Minas, que preferiu não render o assunto contratações, lembrando que o clube está em momento decisivo da temporada, presente nas semifinais da Superliga. O Praia Clube não deve contar com a levantadora norte-americana Carli Lloyd na próxima temporada. A garantia da presença do patrocínio da Dentil, divulgada na última semana, dá a certeza de um elenco do mais alto nível, como tem acontecido nas últimas temporadas.
 

29 de Março - Sexta-feira - 14:22

Desmanche

Bob, Piá, Flávio e Marlon não ficam; Rogerinho também pode estar entre as ausências do time


               Flávio deixa o Minas após mais de 10 anos de vínculo com o clube (crédito: Orlando Bento)


Após a eliminação na Superliga masculina de vôlei, o Fiat-Minas já se movimenta para montar seu elenco para a próxima temporada. Certo é que o técnico Nery Tambeiro terá um time bastante mudado, principalmente em relação aos jogadores titulares. Atletas como os pontas Bob e Piá não ficarão, assim como o central Flávio.

O levantador Marlon, de 41 anos, vestirá a camisa do Sesc-RJ, informação divulgada pelo jornalista Bruno Voloch. As reposições já são estudadas e a torcida mostra-se esperançosa com o suporte que o patrocínio da Fiat pode dar. A atual temporada foi a primeira do novo patrocinador, que chegou com todos os elencos já montados, não dando possibilidade para contratações.

Quem permanece no elenco minastenistas será o líbero Maique, os opostos Davy e Roque, além do ponta Henrique Honorato. É provável que o líbero Rogerinho não permaneça no elenco, que deve ter um segundo líbero mais novo, seguindo com a missão do clube de abrir espaço para jovens talentos.

Após o jogo desta sexta-feira, entre Vôlei Renata-SP e EMS Taubaté Funvic-SP, o Minas saberá sua posição ao final da Superliga. Se o Taubaté se classificar, o Minas será o quinto colocado. Se der Campinas, o time de BH ficará com a sexta posição.

 

 

27 de Março - Quarta-feira - 20:22



       Gabi estaria na mira do vôlei turco (crédito: Léo Fontes)



Com as Superligas se aproximando do fim, começa a época de especulação e nunca é demais tentar prever algumas situações que já começam a ventilar. Falando de Minas Gerais, é bem provável que o Itambé-Minas, garantido nas semifinais, fique pelo menos sem uma das suas ponteiras.

Natália e Gabi já começaram a ser sondadas por clubes estrangeiros de grande poder econômico de países como Turquia e Itália. Como ambas possuem 7 pontos, ranking que deve ser igualado pela levantadora Macris, se tal informação se confirmar, o clube precisará abrir mão de uma delas. Cada time pode ter, no máximo, duas atletas de pontuação máxima.


    Russos vieram pesado pra cima do norte-americano do Sada Cruzeiro (crédito: Douglas Magno)


Em relação a Sada Cruzeiro, a dúvida é sobre a permanência do ponta Taylor Sander, que já admitiu contato do Dinamo de Moscou. Os russos vieram pesado pra cima do jogador, que se adaptou muito bem ao time e à capital mineira. A boa campanha do Fiat-Minas, que terminou a fase de classificação com mesmo número de pontos e vitórias do Sesc-RJ, pode fazer interesses aparecerem em jogadores que fazem boa temporada, como o central Flávio, o ponta Honorato e o oposto Davy. De Dentil-Praia Clube, pouco ainda se sabe sobre o que pode acontecer. Certo é que um investimento pesado deve ser mantido, assim como a presença de grandes jogadoras. 

Um palpite que tenho é a que a ponta Kosheleva não fica. A russa teve mais baixos do que altos e não rendeu o esperado após o time confiar na recuperação. Ela vinha de uma grave cirurgia no joelho e a precoce eliminação do time, que deixa o campeonato pela primeira vez nas quartas de final, pode contribuir para sua despedida. No Taubaté, as especulações são fortes de que a dupla de argentinos formada pelo levantador Nico Uriarte e pelo ponta Conte, não ficam. Eles estariam na mira de clubes do seu país de origem.

                            Honorato tem feito boa Superliga pelo Minas (crédito: Orlando Bento)



Endividados

Uma outra dúvida que se tem é sobre os times que estarão aptos para atuar. Alguns como Caramuru, São Judas, Brasília e Camboriú ficaram devendo salários de jogadores e, se não apresentarem certidão que garante a falta de débito, podem ficar de fora da Superliga, como manda o regulamento da competição. 

"O Fair Play Financeiro foi criado com o intuito de evitar que clubes inadimplentes participem da Superliga. Cada clube classificado, do campeão ao décimo colocado, além dos dois advindos da Superliga B, devem apresentar o documento de quitação, com a assinatura (e consequente aval) de todo o elenco e a comissão técnica para que sua inscrição seja confirmada. O Fair Play Financeiro determina o mesmo para qualquer situação ou clube – ou seja, o que não apresentar a certidão negativa, não participará da próxima edição do campeonato", indica a Confederação Brasileira de Vôlei, por meio de nota.

 


 

27 de Março - Quarta-feira - 20:12

Vai e vem

Mercado começa a entrar em ebulição e times se movimentar na formação de elenco da próxima temporada



       Gabi estaria na mira do vôlei turco, um dos mais ricos do mundo (crédito: Léo Fontes)



Com as Superligas se aproximando do fim, começa a época de especulação e nunca é demais tentar prever algumas situações que já começam a ventilar. Falando de Minas Gerais, é bem provável que o Itambé-Minas, garantido nas semifinais, fique pelo menos sem uma das suas ponteiras.

Natália e Gabi já começaram a ser sondadas por clubes estrangeiros de grande poder econômico de países como Turquia e Itália. Como ambas possuem 7 pontos, ranking que deve ser igualado pela levantadora Macris, se tal informação se confirmar, o clube precisará abrir mão de uma delas. Cada time pode ter, no máximo, duas atletas de pontuação máxima.


    Russos vieram pesado pra cima do norte-americano do Sada Cruzeiro; boa adaptação pode ajudar na permanência (crédito: Douglas Magno)


Em relação a Sada Cruzeiro, a dúvida é sobre a permanência do ponta Taylor Sander, que já admitiu contato do Dinamo de Moscou. Os russos vieram pesado pra cima do jogador, que se adaptou muito bem ao time e à capital mineira. A boa campanha do Fiat-Minas, que terminou a fase de classificação com mesmo número de pontos e vitórias do Sesc-RJ, pode fazer interesses aparecerem em jogadores que fazem boa temporada, como o central Flávio, o ponta Honorato e o oposto Davy. De Dentil-Praia Clube, pouco ainda se sabe sobre o que pode acontecer. Certo é que um investimento pesado deve ser mantido, assim como a presença de grandes jogadoras. 

Um palpite que tenho é a que a ponta Kosheleva não fica. A russa teve mais baixos do que altos e não rendeu o esperado após o time confiar na recuperação. Ela vinha de uma grave cirurgia no joelho e a precoce eliminação do time, que deixa o campeonato pela primeira vez nas quartas de final, pode contribuir para sua despedida. No Taubaté, as especulações são fortes de que a dupla de argentinos formada pelo levantador Nico Uriarte e pelo ponta Conte, não ficam. Eles estariam na mira de clubes do seu país de origem.

                            Henrique Honorato tem feito boa Superliga pelo Minas (crédito: Orlando Bento)



Endividados

Uma outra dúvida que se tem é sobre os times que estarão aptos para atuar. Alguns como Caramuru, São Judas, Brasília e Camboriú ficaram devendo salários de jogadores e, se não apresentarem certidão que garante a falta de débito, podem ficar de fora da Superliga, como manda o regulamento da competição. 

"O Fair Play Financeiro foi criado com o intuito de evitar que clubes inadimplentes participem da Superliga. Cada clube classificado, do campeão ao décimo colocado, além dos dois advindos da Superliga B, devem apresentar o documento de quitação, com a assinatura (e consequente aval) de todo o elenco e a comissão técnica para que sua inscrição seja confirmada. O Fair Play Financeiro determina o mesmo para qualquer situação ou clube – ou seja, o que não apresentar a certidão negativa, não participará da próxima edição do campeonato", indica a Confederação Brasileira de Vôlei, por meio de nota.

 


 

11 de Março - Segunda-feira - 15:15

Igualdade

Nem de longe conseguimos imaginar a realidade que mulheres passam, não só no meio do esporte, como em outras áreas; já imaginou mal chegar em um estádio e receber olhares e comentários discriminatórios?

 
Time de futebol americano é apenas um exemplo de barreiras que mulheres precisam quebrar diariamente (crédito: reprodução canal do Youtube Maíra Lemos)

 

Na última semana, justo no Dia Internacional da Mulher, li relato de alguns colegas admitindo o machismo enraizado que existe entre nós. Me incluo neste grupo e garanto não me orgulhar de tal sentimento. Longe dele ser aflorado, mas é inegável sua presença, assim como uma grande vontade para que isso apareça cada vez menos. Diariamente faço um esforço para que isso não interfira nas minhas decisões e pensamentos. Não são todos que irão admitir esse sentimento e posso garantir que ele é frequente e corriqueiro. Fomos formados dentro de uma realidade que nos fez pensar e agir de uma determinada forma, algo que se torna cada vez mais inconcebível.

Em pequenas coisas, percebemos como esse machismo se apresenta e como há um longo caminho para ele desaparecer. Lembro muito da minha infância...

Sempre que aparecia uma menina querendo fazer parte de brincadeiras e jogos, já recebia olhares e comentários, como se ela não pudesse fazer parte daquilo. Por que não? Por que era de outro gênero? Esse argumento podia até parecer justo naquela época, mas tem se tornado injustificável. Eu me lembro bem quando era sócio do Minas e jogávamos bola todos os sábado e domingos. Uma turma grande de meninos. Até o dia em que uma menina, da nossa idade, apareceu perguntando se podia jogar. Era Maíra, hoje conhecida como Maíra Lemos, querendo bater uma bola e se enturmar. Muitos não foram a favor da sua presença, mas acabaram convencidos. Duro era aceitar que ela estivesse no nosso time. Parecia que um lado era mais fraco, precisávamos refazer os times para equilibrar o jogo. E Maíra jogava de igual com muitos, era melhor que alguns por ali. Seu direito era igual o nosso. Era sócia, pagava a mensalidade e podia frequentar qualquer área do clube.

Há algum tempo atrás, o preconceito era tão forte como hoje, mas pouco combativo. As ações, campanhas e atitudes que se tornaram tão constantes foram fundamentais para começarmos a ver as coisas com outros olhos. É preciso uma voz ativa para que uma nova visão apareça. Se não for por bem, vai por mal.

Estar do lado de cá é fácil e cômodo. Nunca precisamos enfrentar pré-conceitos, olhares e opiniões sem o mínimo de bom senso, tendo o gênero como único motivo para achar que não existe condição. Nunca tivemos que escutar que não somos capazes, que nosso lugar não é ali. Nunca escutamos ameaças ou outros impropérios que certamente ferem a alma.

Não nos dói olhar de um jeito criminoso e julgar quem está ao lado, com o mesmo direito e capacidade. E não tenha dúvida de que o talento, o conhecimento e a formação, muitas vezes, são superiores, obrigando-nos a aceitar tal situação. Aos poucos, vamos reconhecendo quão pesado é julgar e apontar dedos e olhares pelo simples fato de serem mulheres. Cansamos de fazer isso, mesmo que em silêncio.

Ao ver vídeo do globoesporte.com, com mulheres jornalistas relatando insultos que já sofreram, a gente tenta se colocar no lugar delas. Mas é impossível sentir 1% do que ela passaram, até porque nunca passamos por isso, nunca passaremos. Alguns comentários nem forma lidos de tão pesados que eram. Não consigo imaginar em alguém me insultando por qualquer motivo que seja antes mesmo da pessoa conhecer meu trabalho. Dizer, do nada, que meu lugar não é ali, que não tenho condição para exercer o cargo que ocupo e sofrer ameaças, xingamentos, etc. Tento, a cada dia, ter um pensamento menos preconceituoso e machista, com a certeza de que o talento, a capacidade, a qualidade e formação delas são iguais aos nossos.

O número de homens e mulheres pode até não ser igual no nosso meio, isso ainda vai demorar para acontecer, se acontecer. Mas elas têm todo o direito de ocupar o cargo que quiserem, frequentarem o lugar que quiserem e falarem o que bem entender, pelo simples fato de serem livres pra isso. Seguiremos lutando contra a sociedade e contra nosso próprio pensamento hostil e retrógrado, até que um dia a diferença seja mínima. Ou ela um dia vai deixar de existir? Cabe a nós fazermos nossa parte nesta caminhada dura pra elas e confortável pra quem nunca precisou lidar com situações que nunca precisaremos passar.

 

 

06 de Março - Quarta-feira - 12:44

Dá pra confiar?

Critérios diferentes entre os responsáveis por coletar dados e falta de interpretação dos números fazem com que jogadores com poucos minutos de quadra apareçam entre os principais destaques


Tiago Silva acredita que número mínimo de jogos poderia ajudar na hora de selecionar jogadores com melhor aproveitamento (crédito: Renato Araújo)

Há poucas semanas atrás, o central Renan, do EMS Taubaté Funvic-SP, aparecia como destaque entre os bloqueadores no site da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A informação era de que ele liderava as estatísticas, com melhor média de bloqueios. Isso porque em apenas três sets jogados, Renan bloqueou quatro bolas. O desempenho o fez, automaticamente, ocupar a primeira posição entre os melhores bloqueadores por set, durante algumas semanas, deixando para trás jogadores que atuaram por muito mais tempo e bloquearam muito mais bolas. "A CBV não considera a participação efetiva dos atletas nos jogos. O critério deveria ter um mínimo de participação nos sets disputados pela equipe", indica Tiago Silva, estatístico do Sada Cruzeiro.

Não foi a primeira vez que vi situações nas estatísticas da CBV me chamaram atenção. A mais nova delas é ter na 'seleção dos sonhos' o jovem Winck, terceiro levantador do Fiat-Minas. Até poucas temporadas, a CBV contratava uma empresa de estatísticas, que ficava por conta de juntar os dados e interpretá-los. A falta de uma equipe especializada nos últimos anos fez os dados serem enviados diretamente pelos estatísticos dos clubes, com ajuda de um sistema utilizado nas prinicipais ligas do mundo. No entanto, cada profissional tem seu próprio critério, o que pode fazer com que números e informações não batam a todo momento.

"Os números são frios, a interpretação dos dados podem ser feita de maneiras distintas e isso pode mostrar tipos diferentes daquilo que consideramos como melhor ou pior. Os dados estão sendo apresentados com uma análise muito simples e isso causa o desconforto em determinar o melhor bloqueador, o melhor sacador, etc", reforça Silva. "Seria interessante se os estatísticos tivessem determinado critério para cada tipo de bola. Desta forma, teríamos dados fieis para todos os fundamentos", destaca Rodrigo Fuentealba, estatístico do Itambé-Minas.

Fiz contato com a CBV para entender melhor estas questões e a resposta foi de que "a CBV entende que os analistas de desempenho são os profissionais capacitados para tal função. Recebemos e publicamos o material sem censuras, rasuras ou análises, pois não temos pessoal capacitado para isto internamente", afirma a entidade. Disponilizando os dados frios, sem critérios e interpretações, a tendência é que novas informações que geram estranhamento sigam acontecendo com frequência.

 

01 de Março - Sexta-feira - 11:45

Pegou fogo

Garrafa de plástico atirada na cabeça do jogador desencadeou tumulto que terminou com árbitro passando mal e locutor expulso do ginásio



Lorena precisou ser contido depois de ficar descontrolado (crédito: Felipe Reis - Rise Up)



O oposto Lorena foi o pivô de uma grande confusão no jogo entre JF Vôlei e Botafogo pela Superliga B no último dia 16. A proximidade da torcida que comparece ao ginásio da UFJF com a quadra de jogo foi a deixa para um tumulto que ficará marcado. Lorena foi desqualificado de quadra no segundo set. Enquanto saía, jogou água na direção da torcida, um gesto que pode parecer pouco agressivo mas que serviu para inflamar a torcida que o pressionava a poucos metros aos gritos de 'pipoqueiro'. Um irresponsável da torcida resolveu jogar uma garrafa plástica no jogador, que foi atingido na cabeça para a confusão ficar ainda maior. No vídeo que publiquei no meu Instagram, é possível ter uma noção do que se formou. Como se não bastasse as discussões, o árbitro precisou de atendimento médico depois de passar mal. O locutor do ginásio, acusado de inflamar a torcida, foi expulso do ginásio. 

A atitude do torcedor do JF foi desnecessária e fez o time correr risco de ser punido. Por sorte, recebeu apenas advertência. Lorena, que foi suspenso por um jogo, afirma que o ginásio não reúne condição de jogo. Ouvi e li de pessoas que já trabalharam ali por muitas vezes que a estrutura não é a ideal. E eu concordo, até por já ter feito cobertura inloco. 

Quem vai em jogos de vôlei, sabe que a distância entre quadra e arquibancada costuma ser pequena. Mas admito que, assim que entrei pela primeira vez no ginásio da UFJF, esta proximidade me chamou atenção. Senti falta, por exemplo, de cabine de imprensa. Não foi a primeira vez que me deparei com esta ausência, há de se levar em conta. A presença de um gradil poderia, no mínimo, gerar uma maior sensação de delimitação e segurança. O espaço por ali é limitado e reconhecido pelo diretor do time Maurício Bara.

Proximidade entre arquibancada e quadra chamou minha atenção na primeira vez que estive no ginásio da UFJF (crédito: Felipe Reis - Rise Up)

"Claro que há esta proximidade e queremos melhores condições sempre, mas é algo que também acontece na NBA. Não quero comparar. Vale lembrar que nunca tivemos uma invasão em 11 anos de jogos por ali, foram mais de 150 partidas sem incidente. O gesto do Lorena inflamou a torcida. Nosso público é um dos mais educados e passivos que conheço. Ficamos chateados com o que aconteceu, mas o histórico sem invasões é uma estatística favorável", afirma.

Há de se lembrar que esta não foi a primeira confusão envolvendo Lorena, um cara conhecido pelo temperamento forte. Ser pilhado é uma das marcas do jogador, que teve também um gesto indevido. Qual a necessidade de atirar água na direção da torcida? Independentemente disso machucar ou não alguém. A questão é outra e Lorena sabe bem, no alto dos seus 40 anos, qual deve ser a postura de um jogador. 

Um outro ginásio, dentro da UFJF, já está pronto e prestes a ser entregue, não só para o time de vôlei como para todos os estudantes e equipes da instituição. Até lá, os jogos seguem ali, com o risco de novos incidentes acontecerem, principalmente devido à atitude irresponsável de torcida e jogadores.  

28 de Fevereiro - Quinta-feira - 18:05


Reunião contou com deputado representantes dos atletas, membros do esporte e gestora da Cidade Administrativa (crédito: arquivo pessoal)


No último sábado, o triatleta amador Alexandre Lazarotto, de 57 anos, morreu enquanto treinava dentro da Cidade Administrativa. Ainda se apura o que aconteceu exatamente antes do choque com um ônibus. Infelizmente, não foi a primeira vez e nem será a última. A falta de um lugar seguro para treinar é um problema recorrente para os praticantes da modalidade, que se arriscam em vias de alta velocidade.

Mas era justamente por se tratar de um local com baixo tráfego que a Cidade Administrativa é muito usada pelos triatletas. A proibição da passagem de ônibus, aos sábados, foi a primeira medida tomada após reunião que teve o deputado Doorgal Andrada (PV) como representante político da comunidade do triatlo. Praticantes da modalidade reforçaram a voz do esporte junto à gestora da Cidade Administrativa, Marilene Bretas. 

Outras ideias foram sugeridas e a lista segue abaixo, passada a mim pelo triatleta e professor de filosofia Magnus Bouchardet, que participou da reunião. Um novo encontro (ainda sem previsão) deve acontecer e é preciso pensar com mais cuidado na maior segurança de quem é obrigado a usar ruas e avenidas como local de treinamento. Se tivéssemos por aqui centenas de quilômetros de ciclovias, a realidade seria outra. A impressão que se deixa, em muitos momentos, é de esquecimento e esse sentimento só aumenta o medo de quem sai de casa todos os dias para pedalar ou correr.

Não sou atleta de rendimento, mas costumo dar minhas corridas e pedaladas por aí. No meu mini-rolê, já é possível perceber como alguns motoristas são despreparados, por vontade própria, e fazem questão de ter uma postura agressiva. Parece que estamos tomando o espaço deles, que aparenta ser exclusivo. Pensar no ao lado é muito complicado, às vezes. 

Leis e uma movimentação mais atuante serão primordiais para a redução de acidentes. Erradicar é algo que vejo como possível, mas muito distante.

Ideias sugeridas para maior segurança dos triatletas:

- Ghost Bike: ao redor do mundo, este ato se tornou comum. Pendura-se a bike acidentada ou um objeto simbólico, pintado de branco, em uma árvore, poste ou praça pública, junto a uma placa para que a população tenha conhecimento de mais um ocorrido. Algo como crucifixos nas estradas. 

- Proibir trânsito de todos os veículos na Cidade Administrativa aos sábados. No domingo isso já acontece.

- Estabelecer locais de BH que sejam isolados para o trânsito de bicicletas, como já acontece no Rio de Janeiro.

- Campanhas de prevenção e conscientização, algo que já vimos outras vezes. Se 10% de quem recebe a mensagem, refletisse...