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Esportivamente por Daniel Ottoni
29 de Outubro - Segunda-feira - 16:51

Você por aqui?

Velhos conhecidos voltam a se ver, graças à mais nova competição continental




Oposto venezuelano Rodriguez esteve junto de Henrique Furtado, hoje assistente do Sada Cruzeiro, no Juiz de Fora, na última temporada (crédito: Divulgação - Ciudad Voley)

O mundo do esporte dá voltas e reencontros são inevitáveis. No vôlei, isso acontece com uma grande frequência e velhos amigos ou adversários estarão novamente na mesma quadra nos quatro jogos que acontecerão no Riacho, nesta terça e quarta, pela Libertadores. Os jogos serão entre Bolívar e Sesc, às 18h30 e Sada e Ciudad, às 21h30. Na quarta, os horários são mantidos e os adversários invertidos. Todos os jogos terão transmissão ao vivo pelo Facebook do Sada Cruzeiro. Estarei nas reportagens. 

Confira alguns dos reencontros programados:

Emerson Rodriguez e Henrique Furtado - oposto e treinador trabalharam juntos, na última temporada, no JF Vôlei, na campanha que rebaixou o time da Zona da Mata para a Superliga B. Henrique tinha Emerson como uma das principais referências do jovem elenco que tinha em mãos.

Marcelo Mendez e argentinos - velhos conhecidos do técnico do Sada Cruzeiro estarão no Riacho. A começar pelo técnico Javier Weber, do Personal Bolívar. Mendez tem boa relação com muitos jogadores das Águias, a exemplo do líbero Gonzalez. Quando estava em seu período de formação, o jogador, então treinador
por Mendez, foi convencido a persistir na carreira em um momento de algumas dúvidas.

Escobar e Madaloz diante do Sada Cruzeiro - os ex-minastenistas enfrentaram o Cruzeiro por diversas vezes e sempre tiveram muitas dificuldades diante do
hexacampeão brasileiro. O cubano, do Minas, foi para o Japão e chegou a fazer pré-temporada no CT do Sada. 

Loser, Martínez e Ciudad - o jovem central e o ponteiro se destacaram pelo Ciudad na última temporada e, na atual, foram contratados pelo Personal Bolívar, que enxergou grande potencial nos atletas, que já fazem parte da seleção argentina.

Opostos do Sesc-RJ e Sada Cruzeiro - o oposto Wallace, da seleção brasileira, defendeu o Cruzeiro por sete anos, onde teve algumas das maiores alegrias da carreira, como títulos mundiais e da Superliga. Situação semelhante á do oposto PV, que hoje também defende o Sesc-RJ.
 

Escobar teve boa passagem pelo Japão antes de retornar à América do Sul (crédito: Lincon Zarbietti)
 

16 de Outubro - Terça-feira - 16:11

Oscilou demais

Time não conseguiu se encontrar no campeonato e teve desempenho abaixo, mesmo contra times que não estavam no mais alto escalão

 

Tandara consola Gabi após um sétimo lugar, que deixa título inédito para uma próxima oportunidade (crédito: FIVB Divulgação)

Imaginei que seria improvável que a seleção brasileira feminina de vôlei fosse muito longe no Mundial. Foram várias as situações que o técnico José Roberto Guimarães precisaria contornar para fazer o time chegar 'redondo' no campeonato mais importante do ano ou que atingisse este patamar no decorrer da competição.

Natália estaria em boas condições somente após algumas partidas, ainda se recuperando de cirurgia no joelho. Mesma situação da central Thaisa, que pouco jogou. Dani Lins voltava a jogar após gravidez. Além disso, o time já havia apresentado oscilações nos torneios de preparação, principalmente quando enfrentava um time de melhor nível.

Não foi complicado se classificar em uma primeira fase diante de equipes bem inferiores como Quênia, República Dominicana e Porto Rico. Na segunda fase, os pontos fracos ficaram evidentes, mesmo diante de equipes que não estavam no mais alto escalação. Um set perdido para o México e uma derrota no tie-break para a Alemanha não estavam no planos. O Brasil chegou a vencer a Holanda, que agora se garante nas semifinais, mesmo com os vários altos e baixos que insistiram em aparecer na atual temporada. A coisa complicou quando o time foi obrigado a vencer as donas da casa do Japão, por 3 a 0, no último jogo.

O primeiro set era praticamente brasileiro (22 a 17 e 23 a 19), quando novas oscilações foram castigadas com uma derrota que fez os sets seguintes adiantarem pouco. Para mostrar dignidade, o Brasil lutou até o fim para vencer uma partida e se despedir com um sabor amargo.

Para brigar de frente em um Mundial, é preciso chegar bem e mostrar evolução. Nem uma coisa nem outra aconteceram e os resultados falam por si só. Sou a favor da permanência de Zé Roberto no comando e seu currículo fala, por si só, sobre sua capacidade. Não vejo outro nome em condições de substituí-lo neste momento. A hora, agora, é de 'juntar os cacos', rever situações que não deram certo e pensar em renovações para um ciclo olímpico que já está em sua metade. Algumas posições carecem de mudanças para que uma maior chance de sucesso apareça em curto, médio e longo prazo. 

04 de Outubro - Quinta-feira - 20:16

ALÉM DA EXPECTATIVA

Presença na final mostrou potencial de um time que cresceu na hora certa na competição; evolução de Douglas Souza foi fundamental na caminhada




William teve trajetória curta e de sucesso no tme nacional; Kadu (ao fundo) é um dos que deve ter sequência (crédito: Divulgação FIVB)


A medalha de prata da seleção brasileira masculina de vôlei, no Mundial, foi muito além do que eu esperava. Não via o Brasil entre os principais candidatos antes do torneio começar. Talvez, o fato de 'correr por fora' pode ter sido útil ao time do técnico Renan Dal Zotto, que ganhou 'corpo' com o decorrer dos jogos. O crescimento ao longo da competição fez a diferença para uma campanha até a grande decisão. Boas posturas contra Rússia e Sérvia mostraram o nível de maturidade atingido, algo que havia falto, até pouco tempo atrás, em momentos decisivos. 

A evolução do ponta Douglas Souza foi notável e teve seu peso para fazer a equipe ir longe. Não esperava um desempenho tão regular do jogador do Taubaté, que retorna para o Brasil em patamar diferente do que saiu. O técnico Daniel Castellani terá uma boa dor de cabeça para escolher sua dupla de titulares, com Lucarelli e Conte como opções. 

O mesmo pode-se dizer de Maique, líbero do Minas. Maior surpresa entre os chamados, sua presença em quadra surpreendeu o próprio jogador. Não bastando entrar, ele foi bem e mostrou serviço em alguns dos jogos mais importantes no Mundial. "Foi inexplicável tudo que aconteceu, estive em um torneio de visibilidade internacional e isso abre muitas portas. Participar de um torneio deste tamanho, com apenas 21 anos, tem extrema importância na minha carreira. Agora é hora de seguir o trabalho", conta.

A prata teve sabor de ouro para um time que chegou um tanto quando desacreditado e terminou surpreendendo muita gente, a mim inclusive (com muito gosto!). Foi a reta final de jogadores como William e Lipe. Eles agora saem de cena para dar chances para outros atletas que pedem passagem. Uma pena William, como toda sua qualidade, ter tido poucas chances na seleção. Sua trajetória no time nacional foi curta e vencedora. Para a sequência, é hora de olhar novos potenciais e seguir o caminho de fazer valer o peso de uma tradição, que mostra-se diferenciada mesmo quando muita coisa aponta em outra direção.  

24 de Setembro - Segunda-feira - 13:43

Caindo na água

Evento no Alphaville abre espaço para mineiros estarem mais próximos de modalidades que acontecem ali há mais de 70 anos

Quedas caíram bem em dia de calor (crédito: BS Fotografia)

Ter a oportunidade de ser um repórter de esportes especializados não significa contato com muitas das modalidades que gostaria. Oportunidades que aparecem precisam ser aproveitadas. Por isso, não pensei duas vezes antes de aceitar convite da Corona e também da organização do evento para comparecer ao Na Praia BH, evento que transforma a Lagoa dos Ingleses em um lugar para descanso, diversão e prática de esportes que o público não conhece muito bem. Até o dia 14 de outubro, o Na Praia acontece. Vendas e informações por aqui.

Neste domingo, tive a chance de ter uma breve aula de stand up paddle, antes de subir na prancha com o remo em mãos. Testando o equilíbrio, consegui dar algumas remadas e pegar o jeito da coisa. As três quedas na água caíram bem em um dia de calor e me fizeram perceber que é preciso uma boa dose de concentração para se manter em pé e em movimento por muitos metros.

Logo depois, foi a vez de andar em um pequeno veleiro. O que poderia ser um simples passeio se transformou em uma conversa de mais de uma hora com Rafael Machado, que está no ramo há muitos anos e tem a Lagoa dos Ingleses como sua segunda casa. Foi mais do que natural falar das classes de vela, da presença do esporte em Minas Gerais e no Brasil e de como muitos nem sabem que ali acontecem aulas de outros esportes, como remo, canoagem, wind surf e wakeboard.


               Local é polo de esportes náuticos, como vela, remo e canoagem (crédito: BS Fotografia)


Para quem não sabe, Minas Gerais conta com outros lugares interessantes para se velejar como Juiz de Fora e Lapinha da Serra, na região da Serra do Cipó. Lagoa Santa é outra referência, até por ser o local de treinamento da seleção brasileira de remo. A união das modalidades na Lagoa dos Ingleses motivou a criação da Amen (Associação Mineira de esportes náuticos), que tem Rafael como vice-presidente. O tempo passou rápido com a certeza de um novo conhecimento de um esporte que eu conhecia, praticamente, só de nome. Pude saber um pouco mais das diferenças entre os barcos, além de outros assuntos fundamentais como vento e conhecimento de navegação.

Enquanto a conversa fluía, uma etapa do Campeonato Mineiro da classe Laser acontecia a poucos metros dali. Jovens entre 7 e 15 anos também podem entrar neste meio com as aulas de iniciação. Um curso de 10 horas é suficiente para dar os primeiros 'passos'.

Para quem não sabe, a Lagoa dos Ingleses é um polo de esportes náuticos há mais de 70 anos e reúne boas condições para a prática de muitos esportes em virtude da água lisa e plana e de poucas marolas. O vento pode fazer falta em alguns momentos, mas não é impeditivo nenhum para que ali se possa adquirir gosto por um novo esporte, bem diferente dos outros que os mineiros estão mais acostumados a praticar e acompanhar.

 

 

 

 

14 de Setembro - Sexta-feira - 12:44

'Picuinhas'

Dias que antecedem maior confronto do futebol mineirão são marcados por briga de bastidores e atitudes que deixam ânimos ainda mais exaltados

 

Reuniões seguem dando a impressão de um futuro desanimador pela frente (crédito: Bruno Trindade - webrrepórter)


Queria, de verdade, entender o que se passa na cabeça de dirigentes e representantes de Atlético e Cruzeiro, quando o dia de um clássico se aproxima. Fico impressionado com o nível das 'picuinhas' criadas pelos dois times na véspera do jogo mais importante do futebol mineiro. Os 'motivos' passam por ingressos, local da torcida, bandeiras e faixas, instrumentos musicais e por aí vai...

Parecem fazer questão de encontrar empecilhos para incomodar, de alguma forma, o outro lado. O mais importante é 'fazer barulho' e criar algum tipo de tumulto, passando longe do propósito de um consenso. 

Não bastando isso, algumas declarações e publicações aumentam a tensão. Qual a necessidade do Atlético, em nota oficial, afirmar que 'o clube aplaude sua torcida por tremores que sua presença causa'? Completamente sem propósito tal divulgação. O responsável pela ideia e quem corroborou com a publicação deve estar muito orgulhoso. Atitude no mínimo inconsequente. E caso haja brigas no domingo, os clubes certamente irão de eximir de qualquer responsabilidade.

Isso só serve para inflamar, ainda mais, os ânimos de torcedores. Como se boa parte destes, já mal intencionadas e com sede de briga, não tivessem motivos suficientes para acirrar a rivalidade. Instituições do tamanho de Atlético e Cruzeiro sabem bem o tamanho da sua responsabilidade e influência para com seus torcedores. Mas, em alguns momentos, deixam isso de lado e preferem alimentar seu ego com iniciativas pouco construtivas. Costumam fazer sua parte somente quando lhes é extremamente conveniente. 

Ao invés de procurar o caminho do diálogo e bom senso, os clubes vão justamente na contra mão. E longe de estarem certos ao afirmarem que a culpa é do adversário. Ambos têm culpa no cartório e  sabem bem disso. Naturalmente que não irão admitir e buscarão encontrar argumentos que joguem a culpa no outro lado. Muito me assusta que diretores que atuam no alto escalão de alguns setores da sociedade tenham atitudes intempestivas e que pouco contribuem.

A tendência é que elas sigam acontecendo e provocando mais discórdia e ódio entre as partes. A mim parece que não seria tão complicado tentar fazer buscar um outro caminho, mas os dois lados insistem na teimosia. O melhor para o futebol mineiro, o espetáculo e suas torcidas passa muito longe diante de atitudes pouco inteligentes e egoístas. Seguiremos assim por mais algum tempo. E acordos e palavras como a de um clássico dividido ao meio, que chegou a ser divulgado há poucos meses, vão gerar dúvidas até conseguirmos ver algum avanço mínimo com os próprios olhos.

 

08 de Setembro - Sábado - 12:40

Rivais na frente

Equipes possuem retornos recentes e ausências para serem administrados antes do maior evento da temporada

 

Maior problema de Renan está na entrada de rede da seleção (crédito: Sebastian Wells - DVV)

Percebo as duas seleções de vôlei do Brasil chegando em situação parecida ao Mundial, o maior objetivo da temporada. O foco pode até ser o título, mas já estaria de bom tamanho se os times saíssem do torneio com a crista alta após o histórico recente. Uma campanha abaixo da média deixaria o período de reconstrução um pouco mais tortuoso. Os dois times terminaram em quarto lugar na Liga das Nações. Contra um mesclado EUA, em quatro amistosos dentro de casa, as meninas caíram em todos. Os homens venceram a Holanda em três jogos e a Alemanha no penúltimo compromisso antes da estreia. Quando precisaram bater de frente contra as potências nos momentos decisivos, as seleções ficaram devendo e momentos como este certamente aparecerão em breve. 

Ausências e retornos

Para se vencer um Mundial, é preciso ter um time redondo. Isso pode aparecer para o Brasil na sequência, mas a algum trabalho por vir. O atual momento é de buscar um melhor nível após desfalques. Maurício lesionou o joelho na reta final da Liga das Nações. Creio que o Brasil vai sentir muito sua falta. Lucarelli dificilmente teria condições. A missão de dar conta do recado na entrada de rede será de Lipe, com o cotovelo ainda incomodando, além de Douglas Souza, Lucas Lóh e Kadu, um trio de jovens que vai tentar fazer bem o papel, mas que ainda não está no hall de melhores do planeta. 

No feminino, Thaísa volta agora de cirurgia no joelho. Dani Lins da gravidez. Natália voltou a saltar há pouco tempo e Garay foi recém incorporada. Situações um pouco além da conta para um treinador dar conta antes que tudo saia perfeito.

Mesmo dentro deste contexto. acredito que os dois times podem ir longe. Não duvido da capacidade de superação, mas é inegável a lista de times que, hoje, estão na frente para levar o torneio que aparece de quatro em quatro anos.  

22 de Agosto - Quarta-feira - 13:30

Pedindo passagem, de última hora

Ponteiro pode ser surpresa na convocação do Mundial, aproveitando lesões de dupla considerada titular

 

 

Kadu sabe que precisará de tempo para chegar um novo patamar após mais de um ano parado (crédito: CBV - Divulgação)


As lesões dos pontas Lucarelli e Maurício Borges abriram uma lacuna na entrada de rede da seleção brasileira masculina de vôlei. O técnico Renan Dal Zotto, certamente, ficou preocupado para conseguir encontrar alternativas, em tempo recorde, para suprir as ausências de dois dos maiores jogadores do país na posição. Isso faltando pouco tempo para o Mundial, principal objetivo da temporada, que acontecerá entre 9 e 30 de setembro na Bulgária e na Itália.

Depois de ter à disposição, na final da Liga das Nações, Lucas Lóh, Douglas Souza, Lipe e Birigui, este último um novato na seleção, o treinador agora conta com mais duas opções para se sentir um pouco mais seguro. Além de Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, quem chamou atenção nos amistosos feitos contra a Holanda, nos últimos dias, foi Kadu. O jogador do Vibo Valentia, da Itália, está liberado para jogar depois de ficar suspenso por um ano e três meses por doping.

O período de treinos em Saquarema mostrou ao treinador as condições do atleta, que não demorou a mostrar serviço logo no primeiro jogo diante dos europeus, no último sábado, em Brasília. Conheço Kadu desde os tempos de Sada Cruzeiro, quando mostrou seu potencial mesmo sem tantas oportunidades. Depois de ser emprestado ao Montes Claros, rumou para o Velho Continenente. Sua evolução teria sido ainda mais evidente se não tivesse ficado parado por tanto tempo.

Após já passado o pior, Kadu mostra-se preparado para uma desejada convocação. Nos amistosos, ficou claro que Renan está de olhos abertos para o jogador, dando a ele muitos minutos em quadra, inclusive escalando-o como titular. Com boa presença no saque e ataque, Kadu pode ser sim uma grata surpresa na convocação. É bem possível que ele consiga convencer Dal Zotto e ganhe ainda mais espaço dentro do selecionado, tendo pela frente o maior desafio da sua carreira dentro do time nacional. "Tenho que ter paciência, não vou conseguir voltar para um alto nivel de voleibol de uma hora pra outra, isso exige muito treino e muito jogo", comenta o jogador.

Com 24 anos, Kadu pode minimizar os problemas do treinador, que vê uma luz no fim do túnel na missão de ter ponteiros de alto nível para fazer valer a tradição do Brasil no principal objetivo da temporada. No grupo do Brasil no Mundial, estão Holanda, Egito, França, Canadá e China. A estreia será no dia 12 de setembro, contra o Egito.
 

19 de Julho - Quinta-feira - 08:22

Por ruas, escadas, túneis e passarelas

Calmaclima apresenta a capital para os interessados com um olhar novo e fresco, mesmo para quem é nascido e criado por aqui



Por  Daniel Ottoni e Mariela Guimarães. Fotos de Lucas Cancela






Calma que não é arrastão! Clima que é só um grupo de corrida dos mais diferentes que já vi nos últimos tempos. Quase uma centena de pessoas, às vezes até mais, correndo juntas, chamando atenção de quem e por onde passa. A expressão de muita gente que vê a turma do CalmaClima passando pelas ruas de Belo Horizonte é impagável. Desde senhoras como 'namoradeiras' nas janelas de suas casas até sem-tetos que se animam com aquela movimentação, trazendo algo diferente em uma rotina que nem passa pela nossa cabeça. A coisa tem crescido de uma forma impressionante e chegou ao recorde de participantes na última terça-feira, com 150 malucos invadindo as ruas de BH. 

Uma das coisas mais legais é passar por lugares de Belo Horizonte que nunca havíamos estado antes. E, pra isso, nem precisamos sair de regiões onde estamos acostumados a frequentar. No meu segundo 'rolê' com eles, margeamos boa parte do muro da zona leste, a poucos metros de onde passa o metrô na região. Passamos por ruas apertadas e vielas até, no susto, sair em uma conhecida rua em Santa Tereza. Foi muito massa descobrir um lugar completamente novo. Gostei tanto que resolvi fazer algumas postagens no meu Instagram (d.ottoni) e logo alguns interessados apareceram. Entre eles, a fotógrafa do jornal O Tempo, Mariela Guimarães, que se tornou uma bem-vinda companheira desta mais nova aventura. Eu já havia gostado desde a primeira vez e aqui havia desembolado algumas linhas


"A proposta é descortinar essa cidade invisível e cheia de possibilidades. Muitos lugares, na nossa rotina, passam despercebidos. Transitamos por lugares que não estamos acostumados a frequentar como túneis, escadas e passarelas que não são tão seguros quando estamos sozinhos. A gente se protege quando está junto e descobre uma cidade bem legal", comenta Bernardo Biagioni, um dos organizadores do projeto, que começou em janeiro desde ano de forma mais efetiva. "O mais legal é a gente se colocar como turista, com este olhar novo e fresco para lugares por onde passamos no cotidiano e mal percebemos", completa.




A cada terça-feira, e em algumas quintas, a turma se reúne em diferentes pontos de Belo Horizonte para corridas entre 5km e 7km. Em um deles, saímos da praça Floriano Peixoto e fomos até um restaurante na rua Sapucaí, em outro do Museu Abílio Barreto até o emblemático edifício Maleta. Engana-se quem pensa que o trajeto é em linha reta. Em muitos momentos, parece que estamos indo na direção contrária. Tudo para que possamos descobrir novos caminhos e lugares até o destino final, todos esses escolhidos a dedo, e regados a cerveja após missão cumprida. Uma boa recompensa para nós, sedentos descobridores de uma nova cidade, além de uma ótima oportunidade para conhecer outros companheiros da aventura.





Pra entender melhor, só colando. Garanto que vale muito a pena. Se 'morrer' no caminho, estica o braço, pega um táxi e vaza. Sem problema. Mas antes de fugir, respira, calma, fazemos pausas e pequenas caminhadas ao longo do trajeto, que servem para a galera recuperar o fôlego e dar mais um gás até o final. E assim, nesse clima que te leva junto, você chega.

Prometemos. Depois que terminar o ‘rolê’ com uma água ou uma cerveja na mão, dá uma sensação de dever cumprido, e uma vontade enorme de voltar na próxima semana. 







 

08 de Julho - Domingo - 14:49

Novas ideias

Clube já havia se posicionado a favor dos direitos LGBT, ação que poucos 'concorrentes' terão coragem de fazer

Alguns dos principais pilotos do país terão acesso a estrutura da área médica do Coelho (crédito: Tiago Lopes - Show Radical Orange BH)

 

Em um meio como o futebol, sabemos bem como pode ser complicado se envolver em direções diferentes do que o cenário do esporte mais popular do país se acostumou a ver. O risco existe, mas ele pode ser válido e muito bem calculado. O América tem mostrado, em algumas ações, que tem olhado de uma forma distinta para situações que trarão benefícios e reconhecimento. Sair na frente é um dos méritos que merece ser exaltados. Ir no mesmo caminho depois de que a coisa já estiver consolidada será bem mais fácil.

Depois de apoiar a luta pelos direitos LGBT, chegou a hora do Coelho firmar parceria com o Grupo Orange, responsável por equipes de motociclismo, que reúne modalidades bem diferentes do futebol. A começar pelo público. A disparidade entre os dois mundos é tão grande que algumas pessoas se manifestaram contra, dizendo que o investimento do clube deveria ir para outras ideias. Alguns ligados ao mundo das motos também ficaram desconfiados, achando que uma coisa não deve-se misturar à outra. Ainda estou tentando entender os motivos destes pensamentos, sem muito sucesso. Tem certeza que é melhor se fechar no seu mundo e não aproveitar o potencial que aparece a cada oportunidade? Como diz um amigo meu, 'sejamos patriotas. Mas não sejamos idiotas'.

Poucos foram os clubes que apoiaram a causa homossexual no Brasil. Imagino que um dos entraves seja o preconceito enraizado e como uma onda de protesto inevitável da torcida os faça não sair do lugar. Um pensamento que talvez ainda demore muitos anos para mudar. É preciso colocar um fim neste pragmatismo e no pensamento retrógrado de muita gente. Vermos ações com este perfil saindo do futebol é algo raro. Para entender alguns benefícios da parceria, que acontece desde maio, os pilotos do grupo poderão usar toda a estrutura da área médica do Coelho, como fisioterapia, preparação física e nutrição. Alguns dos principais nomes das duas rodas no país como Bruno Crivilin, Rômulo Bottrel e Jomar Grecco agradecem o novo apoio .

"Esta ação também traz visibilidade ao esporte por meio de um clube centenário, muito querido em Minas Gerais e no Brasil, e mostra ao público que o América se posiciona na vanguarda dos clubes no Brasil, expandindo sua atuação no esporte para além das fronteiras do futebol, como já havia feito com o futebol americano”, afirma Felipe Nacif, diretor do Grupo Orange, proprietário das Concessionárias O2BH. A marca já aparece no uniforme do time.

"É uma estratégia que visa aproximar públicos diversos, do futebol e do motociclismo. Acreditamos muito nessa convergência e estamos muitos animados com as possibilidades futuras", explica Erley Lemos, diretor de marketing e negócios do América. O exemplo do América de buscar algo diferente é louvável. Isso acontece e não é de hoje, com cada jogo do time em casa servindo de motivação para seu departamento de comunicação inovar e buscar ações criativas. Campanhas de carona, doações, sorteios e muito mais são criados pelos americanos a cada duelo, mais uma iniciativa que não aparece com a mesma frequência em clubes maiores e de mais investimento. Com boa vontade, pode-se sair do lugar e fortalecer causas. Um mínimo movimento em diversas direções, por parte de instituições de peso no país, representam muito para quem ainda busca um outro tipo de tratamento.

 

 

03 de Julho - Terça-feira - 11:37

Situações durante Mundial evidenciam como faltam degraus para que jogador atinja melhor nível de maturidade

Neymar já ganhou fama internacional por quedas e simulações desnecessárias. Precisa mesmo? (crédito: Kirill Kudryavtsev - AFP)


Neymar é daqueles craques diferenciados, mas sempre o vejo como um jogador que poderia ser ainda mais do que é. Não pela bola, mas pelas atitudes, pela postura. Com 26 anos, não existe mais aquela desculpa de que é um menino novo, em início de carreira, com muito para aprender e amadurecer. Já era para dar provas de que sabe encarar melhor as situações. Uma delas, talvez a mais evidente de todas, é em relação às faltas que recebe frequentemente dos adversários. Neymar tenta não só valorizar as situações como ludibriar os árbitros. Talvez ele ainda não saiba como isso pega mal para sua imagem perante torcida, companheiros de profissão, patrocinadores e por aí vai. Não demorou para a turma se revoltar, de todos os lados, durante a Copa do Mundo da Rússia. O status de 'mimado' faz sentido com alguma frequência e ele parece não se esforçar muito para que isso se altere. Quando colocar na cabeça que isso tudo não lhe ajuda em nada, ele pode ver, quase que de imediato, uma transformação na forma como é visto e, quem sabe, até mesmo, no seu rendimento dentro de campo. Sim, ele ainda pode ser mais do que já é. 

O lance do pênalti contra a Costa Rica pode ter sido o mais escancarado de todos. O marcador encosta em sua barriga e ele dá um pulo de tirar os dois pés no chão. No jogo seguinte, sofreu uma falta para rolar por sete ou oito vezes como se tivesse sido algo muito mais sério. Ficou claro que nada demais havia acontecido quando, segundos depois, sem atendimento médico, ele se levanta e anda normalmente. Contra o México, ele sofre um pisão claro, mas me pareceu fazer um teatro além da conta. Os árbitros já aprenderam que essa é uma das maiores características do jogador e, dificilmente, vão cair na sua pilha. O histórico não tão recente assim joga contra Neymar nestes incidentes. São situações completamente desnecessárias de alguém que mostra que ainda não está preparado para encarar tais situações. Tentar levar a melhor de um jeito não muito legal.

Em 2015, ele já dava mostras da falta de temperamento quando foi expulso, após o apito final, em jogo contra a Colômbia pela Copa América. Como já tinha recebido o segundo amarelo no jogo, desfalcou a seleção por duas partidas. Imagino como deve ser difícil apanhar (literalmente) dos adversários a cada jogo.  Mas a valorização exacerbada de transformar um lance em outro me incomoda muito. O que dizer de quem está em campo, como oponente, certo de que o jogador quer criar uma situação bem diferente da que aconteceu? Muitos saem do sério e dou razão para eles. Não é à toa que a imprensa, de dentro e fora do Brasil, critica o jogador por sua postura. Acho que já passou da hora de Neymar apresentar uma outra conduta, que o faça se igualar, no comportamento, a jogadores de alto nível. Neste quesito, ele ainda está atrás. Ainda há tempo para virar este jogo e mostrar uma importante transformação, que pode colaborar no seu futebol. Em muitos momentos, ele parece estar mais preocupado com as faltas do que com a bola em si.

O que vejo é a presença de situações que poderiam ser evitadas. Neymar tem todo o direito de levar quantos cabelereiros quiser para a Copa. Mas, ao levar dois profissionais somente por conta de um novo visual a cada jogo, ele dá motivos para que todos pensem que seu foco não está 100% na seleção. Ele aumenta a pressão sobre si para desempenhar seu melhor futebol. Se não jogar bem, os motivos já estarão evidentes para as críticas, mesmo sem fazer tanto sentido. Pra mim, poderia evitar tudo isso.

Cada um é cada um. Neymar sabe bem o que faz e os riscos que corre. Assume a responsabilidade do papel que tem, dentro e fora de campo, e precisará estar preparado para tudo que aparecer no seu caminho, independentemente do Brasil ser ou não campeão. Só acho que a maior referência do Brasil poderia ser mais objetivo e menos simulador de situações que vão na contra-mão do que o futebol prega. Vai de bola no chão, pra dentro dos caras e deixa a arbitragem tomar conta. Neymar tem uma facilidade enorme para fazer muito além do simples com a bola e se destacar 'somente' por isso. Mas, por algum motivo, faz questão de ir além e querer chamar atenção para outros assuntos. Um papel que um jogador de alto nível não precisa fazer e ganha pouco a cada novo capítulo que aparece na mídia.