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Esportivamente por Daniel Ottoni
14 de Setembro - Sexta-feira - 12:44

'Picuinhas'

Dias que antecedem maior confronto do futebol mineirão são marcados por briga de bastidores e atitudes que deixam ânimos ainda mais exaltados

 

Reuniões seguem dando a impressão de um futuro desanimador pela frente (crédito: Bruno Trindade - webrrepórter)


Queria, de verdade, entender o que se passa na cabeça de dirigentes e representantes de Atlético e Cruzeiro, quando o dia de um clássico se aproxima. Fico impressionado com o nível das 'picuinhas' criadas pelos dois times na véspera do jogo mais importante do futebol mineiro. Os 'motivos' passam por ingressos, local da torcida, bandeiras e faixas, instrumentos musicais e por aí vai...

Parecem fazer questão de encontrar empecilhos para incomodar, de alguma forma, o outro lado. O mais importante é 'fazer barulho' e criar algum tipo de tumulto, passando longe do propósito de um consenso. 

Não bastando isso, algumas declarações e publicações aumentam a tensão. Qual a necessidade do Atlético, em nota oficial, afirmar que 'o clube aplaude sua torcida por tremores que sua presença causa'? Completamente sem propósito tal divulgação. O responsável pela ideia e quem corroborou com a publicação deve estar muito orgulhoso. Atitude no mínimo inconsequente. E caso haja brigas no domingo, os clubes certamente irão de eximir de qualquer responsabilidade.

Isso só serve para inflamar, ainda mais, os ânimos de torcedores. Como se boa parte destes, já mal intencionadas e com sede de briga, não tivessem motivos suficientes para acirrar a rivalidade. Instituições do tamanho de Atlético e Cruzeiro sabem bem o tamanho da sua responsabilidade e influência para com seus torcedores. Mas, em alguns momentos, deixam isso de lado e preferem alimentar seu ego com iniciativas pouco construtivas. Costumam fazer sua parte somente quando lhes é extremamente conveniente. 

Ao invés de procurar o caminho do diálogo e bom senso, os clubes vão justamente na contra mão. E longe de estarem certos ao afirmarem que a culpa é do adversário. Ambos têm culpa no cartório e  sabem bem disso. Naturalmente que não irão admitir e buscarão encontrar argumentos que joguem a culpa no outro lado. Muito me assusta que diretores que atuam no alto escalão de alguns setores da sociedade tenham atitudes intempestivas e que pouco contribuem.

A tendência é que elas sigam acontecendo e provocando mais discórdia e ódio entre as partes. A mim parece que não seria tão complicado tentar fazer buscar um outro caminho, mas os dois lados insistem na teimosia. O melhor para o futebol mineiro, o espetáculo e suas torcidas passa muito longe diante de atitudes pouco inteligentes e egoístas. Seguiremos assim por mais algum tempo. E acordos e palavras como a de um clássico dividido ao meio, que chegou a ser divulgado há poucos meses, vão gerar dúvidas até conseguirmos ver algum avanço mínimo com os próprios olhos.

 

08 de Setembro - Sábado - 12:40

Rivais na frente

Equipes possuem retornos recentes e ausências para serem administrados antes do maior evento da temporada

 

Maior problema de Renan está na entrada de rede da seleção (crédito: Sebastian Wells - DVV)

Percebo as duas seleções de vôlei do Brasil chegando em situação parecida ao Mundial, o maior objetivo da temporada. O foco pode até ser o título, mas já estaria de bom tamanho se os times saíssem do torneio com a crista alta após o histórico recente. Uma campanha abaixo da média deixaria o período de reconstrução um pouco mais tortuoso. Os dois times terminaram em quarto lugar na Liga das Nações. Contra um mesclado EUA, em quatro amistosos dentro de casa, as meninas caíram em todos. Os homens venceram a Holanda em três jogos e a Alemanha no penúltimo compromisso antes da estreia. Quando precisaram bater de frente contra as potências nos momentos decisivos, as seleções ficaram devendo e momentos como este certamente aparecerão em breve. 

Ausências e retornos

Para se vencer um Mundial, é preciso ter um time redondo. Isso pode aparecer para o Brasil na sequência, mas a algum trabalho por vir. O atual momento é de buscar um melhor nível após desfalques. Maurício lesionou o joelho na reta final da Liga das Nações. Creio que o Brasil vai sentir muito sua falta. Lucarelli dificilmente teria condições. A missão de dar conta do recado na entrada de rede será de Lipe, com o cotovelo ainda incomodando, além de Douglas Souza, Lucas Lóh e Kadu, um trio de jovens que vai tentar fazer bem o papel, mas que ainda não está no hall de melhores do planeta. 

No feminino, Thaísa volta agora de cirurgia no joelho. Dani Lins da gravidez. Natália voltou a saltar há pouco tempo e Garay foi recém incorporada. Situações um pouco além da conta para um treinador dar conta antes que tudo saia perfeito.

Mesmo dentro deste contexto. acredito que os dois times podem ir longe. Não duvido da capacidade de superação, mas é inegável a lista de times que, hoje, estão na frente para levar o torneio que aparece de quatro em quatro anos.  

22 de Agosto - Quarta-feira - 13:30

Pedindo passagem, de última hora

Ponteiro pode ser surpresa na convocação do Mundial, aproveitando lesões de dupla considerada titular

 

 

Kadu sabe que precisará de tempo para chegar um novo patamar após mais de um ano parado (crédito: CBV - Divulgação)


As lesões dos pontas Lucarelli e Maurício Borges abriram uma lacuna na entrada de rede da seleção brasileira masculina de vôlei. O técnico Renan Dal Zotto, certamente, ficou preocupado para conseguir encontrar alternativas, em tempo recorde, para suprir as ausências de dois dos maiores jogadores do país na posição. Isso faltando pouco tempo para o Mundial, principal objetivo da temporada, que acontecerá entre 9 e 30 de setembro na Bulgária e na Itália.

Depois de ter à disposição, na final da Liga das Nações, Lucas Lóh, Douglas Souza, Lipe e Birigui, este último um novato na seleção, o treinador agora conta com mais duas opções para se sentir um pouco mais seguro. Além de Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, quem chamou atenção nos amistosos feitos contra a Holanda, nos últimos dias, foi Kadu. O jogador do Vibo Valentia, da Itália, está liberado para jogar depois de ficar suspenso por um ano e três meses por doping.

O período de treinos em Saquarema mostrou ao treinador as condições do atleta, que não demorou a mostrar serviço logo no primeiro jogo diante dos europeus, no último sábado, em Brasília. Conheço Kadu desde os tempos de Sada Cruzeiro, quando mostrou seu potencial mesmo sem tantas oportunidades. Depois de ser emprestado ao Montes Claros, rumou para o Velho Continenente. Sua evolução teria sido ainda mais evidente se não tivesse ficado parado por tanto tempo.

Após já passado o pior, Kadu mostra-se preparado para uma desejada convocação. Nos amistosos, ficou claro que Renan está de olhos abertos para o jogador, dando a ele muitos minutos em quadra, inclusive escalando-o como titular. Com boa presença no saque e ataque, Kadu pode ser sim uma grata surpresa na convocação. É bem possível que ele consiga convencer Dal Zotto e ganhe ainda mais espaço dentro do selecionado, tendo pela frente o maior desafio da sua carreira dentro do time nacional. "Tenho que ter paciência, não vou conseguir voltar para um alto nivel de voleibol de uma hora pra outra, isso exige muito treino e muito jogo", comenta o jogador.

Com 24 anos, Kadu pode minimizar os problemas do treinador, que vê uma luz no fim do túnel na missão de ter ponteiros de alto nível para fazer valer a tradição do Brasil no principal objetivo da temporada. No grupo do Brasil no Mundial, estão Holanda, Egito, França, Canadá e China. A estreia será no dia 12 de setembro, contra o Egito.
 

19 de Julho - Quinta-feira - 08:22

Por ruas, escadas, túneis e passarelas

Calmaclima apresenta a capital para os interessados com um olhar novo e fresco, mesmo para quem é nascido e criado por aqui



Por  Daniel Ottoni e Mariela Guimarães. Fotos de Lucas Cancela






Calma que não é arrastão! Clima que é só um grupo de corrida dos mais diferentes que já vi nos últimos tempos. Quase uma centena de pessoas, às vezes até mais, correndo juntas, chamando atenção de quem e por onde passa. A expressão de muita gente que vê a turma do CalmaClima passando pelas ruas de Belo Horizonte é impagável. Desde senhoras como 'namoradeiras' nas janelas de suas casas até sem-tetos que se animam com aquela movimentação, trazendo algo diferente em uma rotina que nem passa pela nossa cabeça. A coisa tem crescido de uma forma impressionante e chegou ao recorde de participantes na última terça-feira, com 150 malucos invadindo as ruas de BH. 

Uma das coisas mais legais é passar por lugares de Belo Horizonte que nunca havíamos estado antes. E, pra isso, nem precisamos sair de regiões onde estamos acostumados a frequentar. No meu segundo 'rolê' com eles, margeamos boa parte do muro da zona leste, a poucos metros de onde passa o metrô na região. Passamos por ruas apertadas e vielas até, no susto, sair em uma conhecida rua em Santa Tereza. Foi muito massa descobrir um lugar completamente novo. Gostei tanto que resolvi fazer algumas postagens no meu Instagram (d.ottoni) e logo alguns interessados apareceram. Entre eles, a fotógrafa do jornal O Tempo, Mariela Guimarães, que se tornou uma bem-vinda companheira desta mais nova aventura. Eu já havia gostado desde a primeira vez e aqui havia desembolado algumas linhas


"A proposta é descortinar essa cidade invisível e cheia de possibilidades. Muitos lugares, na nossa rotina, passam despercebidos. Transitamos por lugares que não estamos acostumados a frequentar como túneis, escadas e passarelas que não são tão seguros quando estamos sozinhos. A gente se protege quando está junto e descobre uma cidade bem legal", comenta Bernardo Biagioni, um dos organizadores do projeto, que começou em janeiro desde ano de forma mais efetiva. "O mais legal é a gente se colocar como turista, com este olhar novo e fresco para lugares por onde passamos no cotidiano e mal percebemos", completa.




A cada terça-feira, e em algumas quintas, a turma se reúne em diferentes pontos de Belo Horizonte para corridas entre 5km e 7km. Em um deles, saímos da praça Floriano Peixoto e fomos até um restaurante na rua Sapucaí, em outro do Museu Abílio Barreto até o emblemático edifício Maleta. Engana-se quem pensa que o trajeto é em linha reta. Em muitos momentos, parece que estamos indo na direção contrária. Tudo para que possamos descobrir novos caminhos e lugares até o destino final, todos esses escolhidos a dedo, e regados a cerveja após missão cumprida. Uma boa recompensa para nós, sedentos descobridores de uma nova cidade, além de uma ótima oportunidade para conhecer outros companheiros da aventura.





Pra entender melhor, só colando. Garanto que vale muito a pena. Se 'morrer' no caminho, estica o braço, pega um táxi e vaza. Sem problema. Mas antes de fugir, respira, calma, fazemos pausas e pequenas caminhadas ao longo do trajeto, que servem para a galera recuperar o fôlego e dar mais um gás até o final. E assim, nesse clima que te leva junto, você chega.

Prometemos. Depois que terminar o ‘rolê’ com uma água ou uma cerveja na mão, dá uma sensação de dever cumprido, e uma vontade enorme de voltar na próxima semana. 







 

08 de Julho - Domingo - 14:49

Novas ideias

Clube já havia se posicionado a favor dos direitos LGBT, ação que poucos 'concorrentes' terão coragem de fazer

Alguns dos principais pilotos do país terão acesso a estrutura da área médica do Coelho (crédito: Tiago Lopes - Show Radical Orange BH)

 

Em um meio como o futebol, sabemos bem como pode ser complicado se envolver em direções diferentes do que o cenário do esporte mais popular do país se acostumou a ver. O risco existe, mas ele pode ser válido e muito bem calculado. O América tem mostrado, em algumas ações, que tem olhado de uma forma distinta para situações que trarão benefícios e reconhecimento. Sair na frente é um dos méritos que merece ser exaltados. Ir no mesmo caminho depois de que a coisa já estiver consolidada será bem mais fácil.

Depois de apoiar a luta pelos direitos LGBT, chegou a hora do Coelho firmar parceria com o Grupo Orange, responsável por equipes de motociclismo, que reúne modalidades bem diferentes do futebol. A começar pelo público. A disparidade entre os dois mundos é tão grande que algumas pessoas se manifestaram contra, dizendo que o investimento do clube deveria ir para outras ideias. Alguns ligados ao mundo das motos também ficaram desconfiados, achando que uma coisa não deve-se misturar à outra. Ainda estou tentando entender os motivos destes pensamentos, sem muito sucesso. Tem certeza que é melhor se fechar no seu mundo e não aproveitar o potencial que aparece a cada oportunidade? Como diz um amigo meu, 'sejamos patriotas. Mas não sejamos idiotas'.

Poucos foram os clubes que apoiaram a causa homossexual no Brasil. Imagino que um dos entraves seja o preconceito enraizado e como uma onda de protesto inevitável da torcida os faça não sair do lugar. Um pensamento que talvez ainda demore muitos anos para mudar. É preciso colocar um fim neste pragmatismo e no pensamento retrógrado de muita gente. Vermos ações com este perfil saindo do futebol é algo raro. Para entender alguns benefícios da parceria, que acontece desde maio, os pilotos do grupo poderão usar toda a estrutura da área médica do Coelho, como fisioterapia, preparação física e nutrição. Alguns dos principais nomes das duas rodas no país como Bruno Crivilin, Rômulo Bottrel e Jomar Grecco agradecem o novo apoio .

"Esta ação também traz visibilidade ao esporte por meio de um clube centenário, muito querido em Minas Gerais e no Brasil, e mostra ao público que o América se posiciona na vanguarda dos clubes no Brasil, expandindo sua atuação no esporte para além das fronteiras do futebol, como já havia feito com o futebol americano”, afirma Felipe Nacif, diretor do Grupo Orange, proprietário das Concessionárias O2BH. A marca já aparece no uniforme do time.

"É uma estratégia que visa aproximar públicos diversos, do futebol e do motociclismo. Acreditamos muito nessa convergência e estamos muitos animados com as possibilidades futuras", explica Erley Lemos, diretor de marketing e negócios do América. O exemplo do América de buscar algo diferente é louvável. Isso acontece e não é de hoje, com cada jogo do time em casa servindo de motivação para seu departamento de comunicação inovar e buscar ações criativas. Campanhas de carona, doações, sorteios e muito mais são criados pelos americanos a cada duelo, mais uma iniciativa que não aparece com a mesma frequência em clubes maiores e de mais investimento. Com boa vontade, pode-se sair do lugar e fortalecer causas. Um mínimo movimento em diversas direções, por parte de instituições de peso no país, representam muito para quem ainda busca um outro tipo de tratamento.

 

 

03 de Julho - Terça-feira - 11:37

Situações durante Mundial evidenciam como faltam degraus para que jogador atinja melhor nível de maturidade

Neymar já ganhou fama internacional por quedas e simulações desnecessárias. Precisa mesmo? (crédito: Kirill Kudryavtsev - AFP)


Neymar é daqueles craques diferenciados, mas sempre o vejo como um jogador que poderia ser ainda mais do que é. Não pela bola, mas pelas atitudes, pela postura. Com 26 anos, não existe mais aquela desculpa de que é um menino novo, em início de carreira, com muito para aprender e amadurecer. Já era para dar provas de que sabe encarar melhor as situações. Uma delas, talvez a mais evidente de todas, é em relação às faltas que recebe frequentemente dos adversários. Neymar tenta não só valorizar as situações como ludibriar os árbitros. Talvez ele ainda não saiba como isso pega mal para sua imagem perante torcida, companheiros de profissão, patrocinadores e por aí vai. Não demorou para a turma se revoltar, de todos os lados, durante a Copa do Mundo da Rússia. O status de 'mimado' faz sentido com alguma frequência e ele parece não se esforçar muito para que isso se altere. Quando colocar na cabeça que isso tudo não lhe ajuda em nada, ele pode ver, quase que de imediato, uma transformação na forma como é visto e, quem sabe, até mesmo, no seu rendimento dentro de campo. Sim, ele ainda pode ser mais do que já é. 

O lance do pênalti contra a Costa Rica pode ter sido o mais escancarado de todos. O marcador encosta em sua barriga e ele dá um pulo de tirar os dois pés no chão. No jogo seguinte, sofreu uma falta para rolar por sete ou oito vezes como se tivesse sido algo muito mais sério. Ficou claro que nada demais havia acontecido quando, segundos depois, sem atendimento médico, ele se levanta e anda normalmente. Contra o México, ele sofre um pisão claro, mas me pareceu fazer um teatro além da conta. Os árbitros já aprenderam que essa é uma das maiores características do jogador e, dificilmente, vão cair na sua pilha. O histórico não tão recente assim joga contra Neymar nestes incidentes. São situações completamente desnecessárias de alguém que mostra que ainda não está preparado para encarar tais situações. Tentar levar a melhor de um jeito não muito legal.

Em 2015, ele já dava mostras da falta de temperamento quando foi expulso, após o apito final, em jogo contra a Colômbia pela Copa América. Como já tinha recebido o segundo amarelo no jogo, desfalcou a seleção por duas partidas. Imagino como deve ser difícil apanhar (literalmente) dos adversários a cada jogo.  Mas a valorização exacerbada de transformar um lance em outro me incomoda muito. O que dizer de quem está em campo, como oponente, certo de que o jogador quer criar uma situação bem diferente da que aconteceu? Muitos saem do sério e dou razão para eles. Não é à toa que a imprensa, de dentro e fora do Brasil, critica o jogador por sua postura. Acho que já passou da hora de Neymar apresentar uma outra conduta, que o faça se igualar, no comportamento, a jogadores de alto nível. Neste quesito, ele ainda está atrás. Ainda há tempo para virar este jogo e mostrar uma importante transformação, que pode colaborar no seu futebol. Em muitos momentos, ele parece estar mais preocupado com as faltas do que com a bola em si.

O que vejo é a presença de situações que poderiam ser evitadas. Neymar tem todo o direito de levar quantos cabelereiros quiser para a Copa. Mas, ao levar dois profissionais somente por conta de um novo visual a cada jogo, ele dá motivos para que todos pensem que seu foco não está 100% na seleção. Ele aumenta a pressão sobre si para desempenhar seu melhor futebol. Se não jogar bem, os motivos já estarão evidentes para as críticas, mesmo sem fazer tanto sentido. Pra mim, poderia evitar tudo isso.

Cada um é cada um. Neymar sabe bem o que faz e os riscos que corre. Assume a responsabilidade do papel que tem, dentro e fora de campo, e precisará estar preparado para tudo que aparecer no seu caminho, independentemente do Brasil ser ou não campeão. Só acho que a maior referência do Brasil poderia ser mais objetivo e menos simulador de situações que vão na contra-mão do que o futebol prega. Vai de bola no chão, pra dentro dos caras e deixa a arbitragem tomar conta. Neymar tem uma facilidade enorme para fazer muito além do simples com a bola e se destacar 'somente' por isso. Mas, por algum motivo, faz questão de ir além e querer chamar atenção para outros assuntos. Um papel que um jogador de alto nível não precisa fazer e ganha pouco a cada novo capítulo que aparece na mídia.


 

29 de Junho - Sexta-feira - 11:51

Que ajuda!

Antes mesmo do time mostrar a consistência da fase final, jogadora já fazia estragos; peso sobre ela será menor com boas atuações da equipe



Não teve bloqueio triplo da China que desse conta de uma Tandara no seu melhor nível (crédito: FIVB - Divulgação)

Quando a seleção brasileira feminina de vôlei apresentava altos e baixos, durante a fase de classificação da Liga das Nações, Tandara compensava com grandes atuações para garantir boa parte dos triunfos. Na fase final, o equilíbrio demonstrado pelo time deu ainda mais segurança para a oposta seguir sendo a referência. As vitórias contra Holanda e China, ambas por 3 a 0, mostraram um Brasil mais bem postado do que na fase de classificação. Tandara seguiu apresentando seu melhor para garantir a liderança do time do técnico Zé Roberto Guimarães, que encara a Turquia, neste sábado, pelas semifinais. EUA e China duelam do outro lado.

O grande desafio será manter o que foi apresentado nos dois últimos jogos. O time foi bem nos momentos de pressão, jogando bem taticamente e com Roberta tomando decisões acertadas. A presença de Gabi, chegando a sua melhor forma, contribuiu muito. Mas há que se 'tirar o chapéu' para Tandara. O que ela tem jogado não é brincadeira. Tem feito a diferença, chamado a responsabilidade para si, sem sentir pressão. E correspondido! Foi a maior pontuadora do Brasil em boa parte dos jogos. O volume de jogo da líbero Suelen, no fundo de quadra, é outro desafogo. Quando o time todo cresce, fica bem menos complicado, tirando um bom peso das costas de Tandara. Se antes ela já resolvia, agora a chance de contarmos com ela mais tranquila e decisiva, é ainda maior. Uma fala da comentarista Fabi durante o jogo ilustra bem o momento de Tandara: confiança e atitude.

A Turquia tem pouco a perder e o favoritismo está todo do lado brasileiro, que chega com a motivação em alta depois de vencer uma das equipes mais respeitadas do planeta. "Colocamos pressão, tivemos paciência e não nos abalamos quando elas cresciam. Precisamos manter do jeito que está", sugeriu a central Adenínia, em entrevista ao Sportv, após o duelo. Se seguir com o mostrado recentemente, o Brasil tem tudo para fazer uma grande final, seja contra quem for. Prevejo um duelo mais complicado diante dos Estados Unidos. 


 

 

25 de Junho - Segunda-feira - 08:00

Pra cima, sempre!

Eles são responsáveis por academia que fomenta modalidade em Belo Horizonte; blog abriu espaço para carta aberta de integrante da seleção

 

 Academia Rokaz é referência na modalidade em BH e também no cenário nacional (crédito: taycanuto_outdoor)



Meu contato mais próximo com a escalada havia sido ouvindo um amigo que pratica falar dos níveis que tem superado a cada aventura. Me chamava atenção como a coisa tinha tomado conta da sua rotina em pouco tempo. 'Viciou', pensei. E segue até hoje.

Diante de uma modalidade que estará, pela primeira vez, nos Jogos Olímpicos na edição de Tóquio, em 2020, não poderia fechar os olhos. Principalmente, quando Belo Horizonte recebeu a segunda e última etapa do Campeonato Brasileiro. Fiz contato com a turma da academia Rokaz, considerada uma das melhores do país. Fui muito bem atendido, todos foram prestativos e solícitos, de organizadores a atletas.

Em volta de bicicleta, durante folga, passei em frente à Rokaz. Decidi dar meia-volta e me apresentar para a turma, que havia feito contato comigo somente por telefone. Quem me recebeu foi Éverton, pai do proprietário da academia. Na conversa, soube que a família toda é de escaladores. Tive a chance de conhecer pessoalmente o maior nome da escalada no país na atualidade, Jean Ouriques, seu filho e grande talento da modalidade.

Éverton e sua esposa começaram com esta 'febre' dentro de casa. O aniversário de 40 anos de casamento, inclusive, foi comemorado a sós, com eles viajando por muitos quilêmotros pelas Patagônias argentina e chilena, fazendo o que mais gostam: escalando por entre vias naturais e aproveitando cada um a presença do outro. Ali vi que a coisa corre mesmo na veia da turma. A pedido de Patrícia Antunes, escaladora da seleção brasileira e esposa de Jean, abro espaço no blog para um texto enviado por ela. A ideia é apresentar a modalidade e explicar um pouco da paixão que os move sempre pra cima.

Antes disso, deixo aqui o link para quem quiser ajudar o financiamento coletivo dos quatro escaladores de Minas Gerais que visam arrecadar recursos para disputar etapas da Copa do Mundo na Europa.

 

"Você pratica esportes? Já tentou a escalada?

A escalada esportiva é um dos esportes mais completos que existem. Em termos de físico ele abrange o corpo inteiro. Desde as pontas dos dedos dos pés, fazendo força para se equilibrar nas agarras usando uma sapatilha apertada, até o olhar atento ao melhor caminho escolhido para subir a via. Além disso, é um esporte que vai além dos muros artificiais das academias dos grandes centros urbanos. Aos finais de semana pode-se desfrutar uma escalada com os amigos, namorada ou namorado e família em parques naturais localizados por todas as regiões do Brasil e do mundo.

É um esporte que traz um beneficio muito maior do que um corpo sarado e saudável, ele gera socialização e proporciona um Life Style Outdoor que atrai e dá adrenalina suficiente para um dia de aventura e emoções!

Mas o que muitos não sabem é que a Escalada Esportiva se tornou esporte olímpico e estará nos jogos de Tóquio em 2020. É um marco evolutivo na história do esporte pois ser reconhecido por um comitê olímpico é algo grandioso pois demonstra que aquela modalidade se tornou tão organizada e profissional ao ponto de estar no mesmo patamar de esportes tradicionalmente conhecidos como olímpicos como a Natação, o Vôlei e muitos outros que já de consolidaram. Essa notícia tem gerado muita movimentação e ansiedade na comunidade escaladora nos quatro cantos do mundo. 

Falando em quatro...quatro escaladores Mineiros que estão na primeira Seleção Brasileira de Escalada da História, organizada pela ABEE (Associação Brasileira de Escalada Esportiva), se uniram por um sonho: se preparar para disputar uma vaga nas Olímpiadas. Dentre esses atletas: Jean Ouriques, o octacampeão Mineiro, entre outros mais de 40 titulos que possui no currículo; Patrícia Antunes, Campeã Overall de 2017, Tri Mineira de Guiada e Vi Mineira de Boulder; Pedro Avelar, campeão Juvenil de 2017 e terceiro no ranking de 2018; Clara Viegas, Campeã Brasileira Juvenil de 2017 e terceiro lugar no Mineiro de Boulder de 2018. 

"Nós queremos a chance de estar lá!", dizem os atletas mineiros. "Mas para isso precisamos de pessoas que acreditem em nossa causa, em nosso potencial e na força de nosso esporte. Para que esse sonho possa se tornar realidade precisamos participar das próximas etapas do circuito mundial de Escalada, para nos preparar para as seletivas que acontecerão a partir de 2019.

Ainda em 2018 são mais pelo menos 5 eventos para se prepararem, todos no continente europeu. E é aí que mora o problema! Hoje, nem a Seleção, que ainda é muito pequena, e nem todos os atletas contam com patrocínios e por isso estão sempre correndo atrás de alguma maneira de alavancar verba para disputar esses torneios. 

O grupo Mineiro então resolveu unir forças e provar que apesar do esporte ser uma prática individual, ele ganha muito mais força enquanto coletivo! Eles criaram uma campanha de Financiamento Coletivo no site Catarse chamada Escaladores rumo a um sonho, para arrecadar fundos para os quatro atletas. "Se um sozinho pode ter força e mobilizar pessoas, quatro podem mover o Brasil, quiçá o mundo!" 

A campanha funciona assim: qualquer pessoa ou empresa pode doar. São valores a partir de R$10. Para algumas doações eles conseguiram diversas recompensas que o doador pode escolher no ato da doação. Essas recompensas são flutuantes, portanto não existe uma recompensa específica fixa, você pode doar hoje R$30 reais e ter um serviço ou produto em troca ou pode doar essa mesma quantia pelo simples fato de estar ajudando. E para participar é muito simples, basta entrar no site Catarse (link da campanha: 
https://www.catarse.me/escaladoresrumoaosonho) aosonho) conhecer os atletas, o projeto e fazer sua doação pelo próprio site!

A equipe fez também um site (
https://patriciaantunes8.wixsite.com/timerokaz/patricia-antunes) e um canal no YouTube (https://youtu.be/rHTWntQg-CU) aonde divulgarão os apoiadores da campanha. E como querem que as pessoas que desejam investir no projeto tenham a certeza do bom uso dos recursos a eles destinados, estão assumindo aqui o compromisso de organizar uma prestação de contas de todos os gastos das viagens, que será disponibilizado para todos os apoiadores, para que ninguém tenha dúvidas sobre a idoneidade da aplicação das quantias aplicadas nesse projeto. 

"Apoiar essa causa vai muito além de patrocinar um atleta, é apoiar um país!"
24 de Junho - Domingo - 12:39

Final six

Após 15 rodadas e presença na fase decisiva, na França, blog listou virtudes e 'pesos'

 


Brasil somou 10 vitórias em 15 jogos para se garantir em Lille (crédito: FIVB - Divulgação)


Passados os 15 jogos do Brasil na fase de classificação da Liga das Nações, o objetivo principal de se classificar foi cumprido. O desgaste foi grande e é claro que pesa. Dentro de quadra, o time apresentou altos e baixos e algumas indefinições. Ao mesmo tempo, são as várias qualidades que podem fazer o time brigar pelas cabeças do final 6 em Lille, na França, entre 4 e 8 de julho. 

Resolvi listar os pró e contras que podem influenciar no resultado brasileiro:

Contras

Ponteiro-passador: Mesmo quando o time tinha Lipe, parecia que algo faltava na entrada de rede do Brasil. A contusão do jogador abriu espaço para o recém-chegado Lucas Lóh, que substitui um Douglas Souza que não convence. Borges costuma ir bem e pode compensar um companheiro com presença mais efetiva.

Regularidade: diante de times como França, EUA, Sérvia, Rússia e Polônia, o Brasil precisará evitar altos e baixos que apareceram com alguma frequência. O espaço para recuperação será mínimo.

Físico. A condição dos jogadores não é a melhor nesta reta final de temporada. O rodízio feito até aqui será muito útil. Este é um peso que vai aparecer para todos na fase final. O ponta e Maurício Souza são dúvidas para Lille. 

Prós

Retrospecto recente: quando encarou os cinco adversários que aparecerão em breve, o Brasil venceu quatro deles. Perdeu apenas para a França, por 3 a 0. Na hora que precisou crescer, o time correspondeu.

Wallace: sozinho ninguém ganha jogo, mas o papel do oposto insiste em ser bem cumprido e pode ter ainda mais valor com a regularidade do time. Wallace se afirma como um dos melhores do mundo na posição sempre pronto para fazer a diferença.

Hora da decisão: boa parte do time é 'cascudo', já viveram momentos como este várias vezes e sabem o caminho das pedras. 

Dupla de levantadores:
Uma vantagem que nem todos os times do mundo possuem. William jogou tanto quanto Bruninho nesta fase de classificação e provou que tem totais condições de dar conta do recado. O titular vai melhor na defesa e está entre os melhores do mundo.
 

22 de Junho - Sexta-feira - 11:25

Teatro desnecessário

Lance contra a Costa Rica envergonhou jogador e torcida brasileira; olhos do planeta seguirão no jogador nos próximos jogos




Aliviado, Neymar foi ás lágrimas após o apito final; ele sabia bem do peso que teria que carregar em caso de empate... (crédito: Christophe Simon - AFP) 


Fico pensando no peso que Neymar sentiria se o Brasil não vencesse a Costa Rica. O resultado adverso teria influência total da simulação ridícula e desnecessária do pênalti. Talvez só ele ache ainda que aconteceu a falta. Em lance normal, ele preferiu parar a jogada e tentar enganar o árbitro quando poderia dar prosseguimento. Tinha a bola dominada, havia driblado o zagueiro. Repetiu algo que cansou de fazer com a camisa do Barcelona e da seleção. 

A opção foi a pior possível, até em virtude do VAR. Depois do juiz cair na dele, foi preciso rever o lance para ter a certeza de que nada havia acontecido. A comemoração da não-penalidade foi grande, até por parte dos brasileiros. Eu me senti envergonhado ao ver um jogador da seleção simular um lance como este. Ainda mais em uma Copa do Mundo. 

Menos mal que Coutinho livrou a barra de Neymar, ainda apagado nesta Copa. O choro do jogador do PSG, após o apito final, me pareceu uma sensação de que o pior foi evitado. Se o Brasil não vence, as críticas viriam pesadas, de todos os lados. Tudo bem que ele ainda volta de lesão que o deixou dois meses afastado, mas nada justifica suas simulações seguidas. È preciso separar os lances de contato e de falta clara. Os adversários só vão intensificar a marcação e ele vai precisar sair delas sem inventar moda, como insiste em fazer nos últimos anos, criando antipatia de milhões de torcedores, dirigentes, jogadores e técnicos.

É preciso saber o momento de valorizar uma situação. Neymar prefere aumentar (e muito) a intensidade das faltas recebidas. Ao invés de ser malandro, está dando uma de bobo. O pior é que não precisa disso. Tem bola para ir pra cima, rabiscar, driblar e confundir defesas. Mas parece que sua prioridade é outra: fazer teatro e tentar enganar os árbitros. Não é possível que ele percebe que está jogando um peso contra si mesmo...

A situação, daqui pra frente, será pior. Os juízes vão cair menos nas suas invenções e os adversários podem, muito bem, fazer uma marcação mais acirrada. O lance contra a Costa Rica mostrou para o mundo inteiro uma parte do perfil de Neymar, que poderia ser evitada. Ele não precisa disso e o mais lamentável é saber que toda essa imagem foi criada de forma desnecessária. Quem ele quer enganar? O primeiro de todos é ele mesmo.

Quem sabe o incidente o faça amadurecer, pelo menos um pouco, para evitar que situações similares aconteçam em curto e longo prazo? Ninguém ganha nada com isso, especialmente ele, que desperta a ira de quem acompanha os jogos e espera mais bola e menos teatro da maior referência da seleção. Posto este que, aos poucos, vai sendo perdido. As simulações ofuscam o brilho de Neymar, que precisará saber lidar com as críticas. Não acho que ele reconhecerá o erro publicamente, mas no seu interior ele sabe bem o que aconteceu.

Ainda há tempo para se recompor, aprender, olhar para dentro de si e melhorar. Cada lance de falta (ou não) será uma oportunidade para ele mostrar que é não somente um jogador, mas um exemplo melhor para todo mundo que admira seu futebol.