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Ok, entendi.
Esportivamente por Daniel Ottoni
11 de Março - Segunda-feira - 15:15

Igualdade

Nem de longe conseguimos imaginar a realidade que mulheres passam, não só no meio do esporte, como em outras áreas; já imaginou mal chegar em um estádio e receber olhares e comentários discriminatórios?

 
Time de futebol americano é apenas um exemplo de barreiras que mulheres precisam quebrar diariamente (crédito: reprodução canal do Youtube Maíra Lemos)

 

Na última semana, justo no Dia Internacional da Mulher, li relato de alguns colegas admitindo o machismo enraizado que existe entre nós. Me incluo neste grupo e garanto não me orgulhar de tal sentimento. Longe dele ser aflorado, mas é inegável sua presença, assim como uma grande vontade para que isso apareça cada vez menos. Diariamente faço um esforço para que isso não interfira nas minhas decisões e pensamentos. Não são todos que irão admitir esse sentimento e posso garantir que ele é frequente e corriqueiro. Fomos formados dentro de uma realidade que nos fez pensar e agir de uma determinada forma, algo que se torna cada vez mais inconcebível.

Em pequenas coisas, percebemos como esse machismo se apresenta e como há um longo caminho para ele desaparecer. Lembro muito da minha infância...

Sempre que aparecia uma menina querendo fazer parte de brincadeiras e jogos, já recebia olhares e comentários, como se ela não pudesse fazer parte daquilo. Por que não? Por que era de outro gênero? Esse argumento podia até parecer justo naquela época, mas tem se tornado injustificável. Eu me lembro bem quando era sócio do Minas e jogávamos bola todos os sábado e domingos. Uma turma grande de meninos. Até o dia em que uma menina, da nossa idade, apareceu perguntando se podia jogar. Era Maíra, hoje conhecida como Maíra Lemos, querendo bater uma bola e se enturmar. Muitos não foram a favor da sua presença, mas acabaram convencidos. Duro era aceitar que ela estivesse no nosso time. Parecia que um lado era mais fraco, precisávamos refazer os times para equilibrar o jogo. E Maíra jogava de igual com muitos, era melhor que alguns por ali. Seu direito era igual o nosso. Era sócia, pagava a mensalidade e podia frequentar qualquer área do clube.

Há algum tempo atrás, o preconceito era tão forte como hoje, mas pouco combativo. As ações, campanhas e atitudes que se tornaram tão constantes foram fundamentais para começarmos a ver as coisas com outros olhos. É preciso uma voz ativa para que uma nova visão apareça. Se não for por bem, vai por mal.

Estar do lado de cá é fácil e cômodo. Nunca precisamos enfrentar pré-conceitos, olhares e opiniões sem o mínimo de bom senso, tendo o gênero como único motivo para achar que não existe condição. Nunca tivemos que escutar que não somos capazes, que nosso lugar não é ali. Nunca escutamos ameaças ou outros impropérios que certamente ferem a alma.

Não nos dói olhar de um jeito criminoso e julgar quem está ao lado, com o mesmo direito e capacidade. E não tenha dúvida de que o talento, o conhecimento e a formação, muitas vezes, são superiores, obrigando-nos a aceitar tal situação. Aos poucos, vamos reconhecendo quão pesado é julgar e apontar dedos e olhares pelo simples fato de serem mulheres. Cansamos de fazer isso, mesmo que em silêncio.

Ao ver vídeo do globoesporte.com, com mulheres jornalistas relatando insultos que já sofreram, a gente tenta se colocar no lugar delas. Mas é impossível sentir 1% do que ela passaram, até porque nunca passamos por isso, nunca passaremos. Alguns comentários nem forma lidos de tão pesados que eram. Não consigo imaginar em alguém me insultando por qualquer motivo que seja antes mesmo da pessoa conhecer meu trabalho. Dizer, do nada, que meu lugar não é ali, que não tenho condição para exercer o cargo que ocupo e sofrer ameaças, xingamentos, etc. Tento, a cada dia, ter um pensamento menos preconceituoso e machista, com a certeza de que o talento, a capacidade, a qualidade e formação delas são iguais aos nossos.

O número de homens e mulheres pode até não ser igual no nosso meio, isso ainda vai demorar para acontecer, se acontecer. Mas elas têm todo o direito de ocupar o cargo que quiserem, frequentarem o lugar que quiserem e falarem o que bem entender, pelo simples fato de serem livres pra isso. Seguiremos lutando contra a sociedade e contra nosso próprio pensamento hostil e retrógrado, até que um dia a diferença seja mínima. Ou ela um dia vai deixar de existir? Cabe a nós fazermos nossa parte nesta caminhada dura pra elas e confortável pra quem nunca precisou lidar com situações que nunca precisaremos passar.

 

 

06 de Março - Quarta-feira - 12:44

Dá pra confiar?

Critérios diferentes entre os responsáveis por coletar dados e falta de interpretação dos números fazem com que jogadores com poucos minutos de quadra apareçam entre os principais destaques


Tiago Silva acredita que número mínimo de jogos poderia ajudar na hora de selecionar jogadores com melhor aproveitamento (crédito: Renato Araújo)

Há poucas semanas atrás, o central Renan, do EMS Taubaté Funvic-SP, aparecia como destaque entre os bloqueadores no site da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A informação era de que ele liderava as estatísticas, com melhor média de bloqueios. Isso porque em apenas três sets jogados, Renan bloqueou quatro bolas. O desempenho o fez, automaticamente, ocupar a primeira posição entre os melhores bloqueadores por set, durante algumas semanas, deixando para trás jogadores que atuaram por muito mais tempo e bloquearam muito mais bolas. "A CBV não considera a participação efetiva dos atletas nos jogos. O critério deveria ter um mínimo de participação nos sets disputados pela equipe", indica Tiago Silva, estatístico do Sada Cruzeiro.

Não foi a primeira vez que vi situações nas estatísticas da CBV me chamaram atenção. A mais nova delas é ter na 'seleção dos sonhos' o jovem Winck, terceiro levantador do Fiat-Minas. Até poucas temporadas, a CBV contratava uma empresa de estatísticas, que ficava por conta de juntar os dados e interpretá-los. A falta de uma equipe especializada nos últimos anos fez os dados serem enviados diretamente pelos estatísticos dos clubes, com ajuda de um sistema utilizado nas prinicipais ligas do mundo. No entanto, cada profissional tem seu próprio critério, o que pode fazer com que números e informações não batam a todo momento.

"Os números são frios, a interpretação dos dados podem ser feita de maneiras distintas e isso pode mostrar tipos diferentes daquilo que consideramos como melhor ou pior. Os dados estão sendo apresentados com uma análise muito simples e isso causa o desconforto em determinar o melhor bloqueador, o melhor sacador, etc", reforça Silva. "Seria interessante se os estatísticos tivessem determinado critério para cada tipo de bola. Desta forma, teríamos dados fieis para todos os fundamentos", destaca Rodrigo Fuentealba, estatístico do Itambé-Minas.

Fiz contato com a CBV para entender melhor estas questões e a resposta foi de que "a CBV entende que os analistas de desempenho são os profissionais capacitados para tal função. Recebemos e publicamos o material sem censuras, rasuras ou análises, pois não temos pessoal capacitado para isto internamente", afirma a entidade. Disponilizando os dados frios, sem critérios e interpretações, a tendência é que novas informações que geram estranhamento sigam acontecendo com frequência.

 

01 de Março - Sexta-feira - 11:45

Pegou fogo

Garrafa de plástico atirada na cabeça do jogador desencadeou tumulto que terminou com árbitro passando mal e locutor expulso do ginásio



Lorena precisou ser contido depois de ficar descontrolado (crédito: Felipe Reis - Rise Up)



O oposto Lorena foi o pivô de uma grande confusão no jogo entre JF Vôlei e Botafogo pela Superliga B no último dia 16. A proximidade da torcida que comparece ao ginásio da UFJF com a quadra de jogo foi a deixa para um tumulto que ficará marcado. Lorena foi desqualificado de quadra no segundo set. Enquanto saía, jogou água na direção da torcida, um gesto que pode parecer pouco agressivo mas que serviu para inflamar a torcida que o pressionava a poucos metros aos gritos de 'pipoqueiro'. Um irresponsável da torcida resolveu jogar uma garrafa plástica no jogador, que foi atingido na cabeça para a confusão ficar ainda maior. No vídeo que publiquei no meu Instagram, é possível ter uma noção do que se formou. Como se não bastasse as discussões, o árbitro precisou de atendimento médico depois de passar mal. O locutor do ginásio, acusado de inflamar a torcida, foi expulso do ginásio. 

A atitude do torcedor do JF foi desnecessária e fez o time correr risco de ser punido. Por sorte, recebeu apenas advertência. Lorena, que foi suspenso por um jogo, afirma que o ginásio não reúne condição de jogo. Ouvi e li de pessoas que já trabalharam ali por muitas vezes que a estrutura não é a ideal. E eu concordo, até por já ter feito cobertura inloco. 

Quem vai em jogos de vôlei, sabe que a distância entre quadra e arquibancada costuma ser pequena. Mas admito que, assim que entrei pela primeira vez no ginásio da UFJF, esta proximidade me chamou atenção. Senti falta, por exemplo, de cabine de imprensa. Não foi a primeira vez que me deparei com esta ausência, há de se levar em conta. A presença de um gradil poderia, no mínimo, gerar uma maior sensação de delimitação e segurança. O espaço por ali é limitado e reconhecido pelo diretor do time Maurício Bara.

Proximidade entre arquibancada e quadra chamou minha atenção na primeira vez que estive no ginásio da UFJF (crédito: Felipe Reis - Rise Up)

"Claro que há esta proximidade e queremos melhores condições sempre, mas é algo que também acontece na NBA. Não quero comparar. Vale lembrar que nunca tivemos uma invasão em 11 anos de jogos por ali, foram mais de 150 partidas sem incidente. O gesto do Lorena inflamou a torcida. Nosso público é um dos mais educados e passivos que conheço. Ficamos chateados com o que aconteceu, mas o histórico sem invasões é uma estatística favorável", afirma.

Há de se lembrar que esta não foi a primeira confusão envolvendo Lorena, um cara conhecido pelo temperamento forte. Ser pilhado é uma das marcas do jogador, que teve também um gesto indevido. Qual a necessidade de atirar água na direção da torcida? Independentemente disso machucar ou não alguém. A questão é outra e Lorena sabe bem, no alto dos seus 40 anos, qual deve ser a postura de um jogador. 

Um outro ginásio, dentro da UFJF, já está pronto e prestes a ser entregue, não só para o time de vôlei como para todos os estudantes e equipes da instituição. Até lá, os jogos seguem ali, com o risco de novos incidentes acontecerem, principalmente devido à atitude irresponsável de torcida e jogadores.  

28 de Fevereiro - Quinta-feira - 18:05


Reunião contou com deputado representantes dos atletas, membros do esporte e gestora da Cidade Administrativa (crédito: arquivo pessoal)


No último sábado, o triatleta amador Alexandre Lazarotto, de 57 anos, morreu enquanto treinava dentro da Cidade Administrativa. Ainda se apura o que aconteceu exatamente antes do choque com um ônibus. Infelizmente, não foi a primeira vez e nem será a última. A falta de um lugar seguro para treinar é um problema recorrente para os praticantes da modalidade, que se arriscam em vias de alta velocidade.

Mas era justamente por se tratar de um local com baixo tráfego que a Cidade Administrativa é muito usada pelos triatletas. A proibição da passagem de ônibus, aos sábados, foi a primeira medida tomada após reunião que teve o deputado Doorgal Andrada (PV) como representante político da comunidade do triatlo. Praticantes da modalidade reforçaram a voz do esporte junto à gestora da Cidade Administrativa, Marilene Bretas. 

Outras ideias foram sugeridas e a lista segue abaixo, passada a mim pelo triatleta e professor de filosofia Magnus Bouchardet, que participou da reunião. Um novo encontro (ainda sem previsão) deve acontecer e é preciso pensar com mais cuidado na maior segurança de quem é obrigado a usar ruas e avenidas como local de treinamento. Se tivéssemos por aqui centenas de quilômetros de ciclovias, a realidade seria outra. A impressão que se deixa, em muitos momentos, é de esquecimento e esse sentimento só aumenta o medo de quem sai de casa todos os dias para pedalar ou correr.

Não sou atleta de rendimento, mas costumo dar minhas corridas e pedaladas por aí. No meu mini-rolê, já é possível perceber como alguns motoristas são despreparados, por vontade própria, e fazem questão de ter uma postura agressiva. Parece que estamos tomando o espaço deles, que aparenta ser exclusivo. Pensar no ao lado é muito complicado, às vezes. 

Leis e uma movimentação mais atuante serão primordiais para a redução de acidentes. Erradicar é algo que vejo como possível, mas muito distante.

Ideias sugeridas para maior segurança dos triatletas:

- Ghost Bike: ao redor do mundo, este ato se tornou comum. Pendura-se a bike acidentada ou um objeto simbólico, pintado de branco, em uma árvore, poste ou praça pública, junto a uma placa para que a população tenha conhecimento de mais um ocorrido. Algo como crucifixos nas estradas. 

- Proibir trânsito de todos os veículos na Cidade Administrativa aos sábados. No domingo isso já acontece.

- Estabelecer locais de BH que sejam isolados para o trânsito de bicicletas, como já acontece no Rio de Janeiro.

- Campanhas de prevenção e conscientização, algo que já vimos outras vezes. Se 10% de quem recebe a mensagem, refletisse...

 

28 de Fevereiro - Quinta-feira - 17:10

Até quando?

Quem sai de casa para correr ou pedalar, segue se deparando com um medo constante e despreparo de motoristas


Reunião contou com deputado representantes dos atletas, membros do esporte e gestora da Cidade Administrativa (crédito: arquivo pessoal)


No último sábado, o triatleta amador Alexandre Lazarotto, de 57 anos, morreu enquanto treinava dentro da Cidade Administrativa. Ainda se apura o que aconteceu exatamente antes do choque com um ônibus. Infelizmente, não foi a primeira vez e nem será a última. A falta de um lugar seguro para treinar é um problema recorrente para os praticantes da modalidade, que se arriscam em vias de alta velocidade.

Mas era justamente por se tratar de um local com baixo tráfego que a Cidade Administrativa é muito usada pelos triatletas. A proibição da passagem de ônibus, aos sábados, foi a primeira medida tomada após reunião que teve o deputado Doorgal Andrada (PV) como representante político da comunidade do triathlo. Praticantes da modalidade reforçaram a voz do esporte junto à gestora da Cidade Administrativa, Marilene Bretas. 

Outras ideias foram sugeridas e a lista segue abaixo, passada a mim pelo triatleta e professor de filosofia Magnus Bouchardet, que participou da reunião. Um novo encontro (ainda sem previsão) deve acontecer e é preciso pensar com mais cuidado na maior segurança de quem é obrigado a usar ruas e avenidas como local de treinamento. Se tivéssemos por aqui centenas de quilômetros de ciclovias, a realidade seria outra. A impressão que se deixa, em muitos momentos, é de esquecimento e esse sentimento só aumenta o medo de quem sai de casa todos os dias para pedalar ou correr.

Não sou atleta de rendimento, mas costumo dar minhas corridas e pedaladas por aí. No meu mini-rolê, já é possível perceber como alguns motoristas são despreparados, por vontade própria, e fazem questão de ter uma postura agressiva. Parece que estamos tomando o espaço deles, que aparenta ser exclusivo. Pensar no ao lado é muito complicado, às vezes. 

Leis e uma movimentação mais atuante serão primordiais para a redução de acidentes. Erradicar é algo que vejo como possível, mas muito distante.

Ideias sugeridas para maior segurança dos triatletas:

- Ghost Bike: ao redor do mundo, este ato se tornou comum. Pendura-se a bike acidentada ou um objeto simbólico, pintado de branco, em uma árvore, poste ou praça pública, junto a uma placa para que a população tenha conhecimento de mais um ocorrido. Algo como crucifixos nas estradas. 

- Proibir trânsito de todos os veículos na Cidade Administrativa aos sábados. No domingo isso já acontece.

- Estabelecer locais de BH que sejam isolados para o trânsito de bicicletas, como já acontece no Rio de Janeiro.

- Campanhas de prevenção e conscientização, algo que já vimos outras vezes. Se 10% de quem recebe a mensagem, refletisse...

 

20 de Fevereiro - Quarta-feira - 17:25

Sonho

Bolivianas saíram sorrindo após derrota, considerando uma vitória terem feito mais de 10 pontos, por set, no atual vice-campeão mundial


Foto com os dois elencos certamente vai ficar para a posteridade na mente e no coração das andinas (crédito: Orlando Bento)

Jogadoras sorrindo de orelha a orelha após uma derrota arrasadora de 3 a 0, sem conseguir passar dos 15 pontos por set, não é algo muito comum de se ver no vôlei. Após perderem para o Itambé-Minas na estreia do Sul-Americano de clubes, a sensação de terem enfrentado as atuais vice-campeãs do mundo falava muito mais alto para as jogadoras do Olympic.

Uma delas, em particular, me chamou atenção. A levantadora e capitã Claudia Pavisic não perdeu tempo para se aproximar da ponta Natália após o jogo. "Eu havia feito contato com ela pelo Facebook. Somos um clube grande, o maior da Bolívia, temos 1.200 atletas de vôlei, seis quadras oficiais e quase todo mundo conhece a Natália. Perguntei a ele sobre ir a Cochabamba para fazer uma clínica, ensinar os jovens em fundamentos como recepção e ataque. Seria algo mágico", conta. "Ela aproveitaria para conhecer nossa cidade, que é muito bonita", completa.

O amor pelo esporte faz Claudia e muitas das companheiras de time se juntarem para ver jogos da seleção brasileira. "É um sonho estar aqui, estamos desfrutando deste momento. É a terceira vez que participamos do Sul-Americano. É por isso que pedimos pra tirar fotos. Não somos profissionais e a diferença econômica é grande, assim como a parte técnica, de altura, salto, etc", explica.

Há dois anos, o time boliviano perdeu um set por 25 a 4 para o Praia Clube no Sul-Americano. A meta era fazer 10 pontos por set contra o Minas, objetivo que foi cumprido. "Foi uma vitória pra nós. Temos mais dificuldades com o saque, até pela diferença de altura das cidades. Cochabamba está a 2.500m de altitude, aqui parece que a bola cai mais rapidamente e nossa recepção sofre bastante. Não nos incomodados com as derrotas, o mais importante é aproveitar este momento", declara.
A limitação do Olympic fez a equipe 'contratar' três brasileiras para completar o grupo e fechar o número de 14 inscritas.


 

20 de Fevereiro - Quarta-feira - 17:19

Sonho

Bolivianas saíram sorrindo após derrota, considerando uma vitória terem feito mais de 10 pontos, por set, no atual vice-campeão mundial


Foto com os dois elencos certamente vai ficar para a posteridade na mente e no coração das andinas (crédito: Orlando Bento)

Jogadoras sorrindo de orelha a orelha após uma derrota arrasadora de 3 a 0, sem conseguir passar dos 15 pontos por set, não é algo muito comum de se ver no vôlei. Após perderem para o Itambé-Minas na estreia do Sul-Americano de clubes, a sensação de terem enfrentado as atuais vice-campeãs do mundo falava muito mais alto para as jogadoras do Olympic.

Uma delas, em particular, me chamou atenção. A levantadora e capitã Claudia Pavisic não perdeu tempo para se aproximar da ponta Natália após o jogo. "Eu havia feito contato com ela pelo Facebook. Somos um clube grande, o maior da Bolívia, temos 1.200 atletas de vôlei, seis quadras oficiais e quase todo mundo conhece a Natália. Perguntei a ele sobre ir a Cochabamba para fazer uma clínica, ensinar os jovens em fundamentos como recepção e ataque. Seria algo mágico", conta. "Ela aproveitaria para conhecer nossa cidade, que é muito bonita", completa.

O amor pelo esporte faz Claudia e muitas das companheiras de time se juntarem para ver jogos da seleção brasileira. "É um sonho estar aqui, estamos desfrutando deste momento. É a terceira vez que participamos do Sul-Americano. É por isso que pedimos pra tirar fotos. Não somos profissionais e a diferença econômica é grande, assim como a parte técnica, de altura, salto, etc", explica.

Há dois anos, o time boliviano perdeu um set por 25 a 4 para o Praia Clube no Sul-Americano. A meta era fazer 10 pontos por set contra o Minas, objetivo que foi cumprido. "Foi uma vitória pra nós. Temos mais dificuldades com o saque, até pela diferença de altura das cidades. Cochabamba está a 2.500m de altitude, aqui parece que a bola cai mais rapidamente e nossa recepção sofre bastante. Não nos incomodados com as derrotas, o mais importante é aproveitar este momento", declara.
A limitação do Olympic fez a equipe 'contratar' três brasileiras para completar o grupo e fechar o número de 14 inscritas.


 

11 de Fevereiro - Segunda-feira - 20:34

Assim, do nada...

De uma hora pra outra, como num sopro, tudo muda, se vai, muito se perde mas muito mais ainda fica



Boechat será lembrado por muitos anos por tudo que representou e por fazer jornalismo sério de uma forma íntegra e pessoal (crédito: Band - Divulgação)


A notícia da morte de Boechat foi um daqueles socos no estômago, que nos pega de surpresa, absolutamente do nada. A ficha demorou a cair...

Li no Twitter alguém falando que não é comum que um jornalista marque tanta gente como ele teve a capacidade de fazer. Boechat tinha um estilo próprio, que acontecia sem que ele fizesse muito esforço. Afinal, era apenas ele mesmo, do seu jeito natural.

A impressão que muitos tinham eram de ser próximos dele, tamanha empatia que criava com ouvintes e telespectadores. Não tinha receio nenhum de 'bater' quando necessário, o que fazia com alguma assiduidade. E nos momentos mais tranquilos, sempre tirava um sorriso e uma gargalhada de quem o acompanhava. Era uma figura ímpar, diferenciado pela capacidade de transitar em tantos veículos de uma só vez e sempre com contundência para falar de diversos temas, coisa pra poucos.

Lembro de ter me perguntado como ele dava conta de uma rotina daquela. Eu o escutava cedo na rádio, de tarde estava na TV, de noite já estava no ar também. E sempre passando credibilidade, profissionalismo, transparência. Boechat conseguia passar uma imagem que nem todos jornalistas conseguem.

Quem o conhecia certamente está incrédulo, não querendo acreditar que amanhã ele não estará nos corredores da TV e rádio Band. De uma hora pra outra, como num sopro, tudo muda, se vai, muito se perde mas muito mais ainda fica. De lição e aprendizado de um cara que fazia parecer difícil o que era tão simples.
Poucos serão como Boechat, não são todos que conseguem deixar uma marca como ele fez em tanto tempo de profissão.

Tinha a impressão que era um cara do bem, bom de prosa e que não se curvava quando via algo errado, não só em frente às câmeras como no meio da rua, sozinho ou com amigos e família. Daqueles caras que serão lembrados por muito tempo por tudo que fizeram e ainda fariam. Uma tristeza daquelas que vai durar por algum tempo, com boa chance de nunca ser apagada. Descanse em paz, Boechat. Sua missão foi bem feita demais por aqui.

  

10 de Fevereiro - Domingo - 17:07

Até quando?

Não só Flamengo, como órgãos fiscalizadores, têm grande culpa na tragédia que volta a despertar lições que insistem em não serem assimiladas

 

Ninho do Urubu serviu de cenário para uma das maiores tragédias do futebol brasileiro (crédito: Tomaz Silva - Agência Brasil)

Achar que o que aconteceu no Ninho do Urubu foi uma fatalidade é ser inocente, ingênuo. Logo no primeiro dia, vi centenas de flamenguistas criticando qualquer um que levantasse a possibilidade de que o clube tinha culpa no ocorrido. Diziam que não era hora disso e que o crítico estava apenas se aproveitando da situação para ganhar cliques, leitura, seguidores. Talvez fosse hora de esperar a poeira abaixar. 

Pra mim, é claro que o Flamengo tem alguma responsabilidade. O tamanho dela ainda precisa ser apurado e definido, assim como existe boa dose de influência do descaso de outras entidades como a prefeitura e órgãos que, na teoria, são obrigados a fiscalizar e tentar impedir situações como esta. Talvez, com a fala do Zico, craque eterno do Flamengo, os torcedores possam começar a cair na real e ver que o clube pagou um preço caro demais por falhas que poderiam ter sido evitadas. "Se você é multado 30 vezes, você não pode empurrar aquilo com a barriga para ser multado mais 20", afirmou.

Algo deveria ter sido feito e a direção do Flamengo sabia bem disso. Deixou a coisa rolar, nunca imaginara que uma tragédia desta tamanho poderia acontecer. Foram negligentes ao deixar uma parte do clube funcionar sem a devida estrutura e autorização. Se o local estava autorizado para ser um estacionamento, me parece lógico o risco que se corre quando monta-se ali um alojamento. Se algo, como seguidas multas, acontece, é porque alguma coisa está errada. Preferiram ignorar, não consertar o erro como deveria, postergar. Velha mania do Brasil, o famoso 'vai tocando...'

Muitas questões aparecem neste momento e quase ninguém fala o que deveria. Emitir pronunciamento, sem abrir perguntas para a imprensa é muito fácil e deixa diversas perguntas no ar. Perguntas que têm a obrigação de serem respondidas ao público, à população, aos familiares das vítimas, que já começam a reclamar da postura do clube. 

Isso só passa a impressão de que muita coisa parece obscura, ainda longe de ser esclarecida. O que pode parecer uma forma de se proteger pode jogar contra, em breve. Para que documentos e afirmações apareçam em breve, complicando ainda mais a situação, custa pouco. É obrigação do clube tentar fazer com que todos os seus setores tenham a devida autorização para funcionar, independentemente disso colocar ou não vidas em risco. É questão de agir dentro da lei, de dar exemplo, de fazer por onde. Como no Brasil tudo costuma ser feito pelo caminho mais fácil, menos trabalhoso, consequências crueis como esta seguirão acontecendo. Até quando nunca se sabe. Até muito tempo, provavelmente.

 

05 de Fevereiro - Terça-feira - 15:10


Thiago Neves perdeu boa chance de ficar quieto e voltou a arranhar sua imagem, mesmo com pedido de desculpas (crédito: Cristiane Mattos)



Uma pergunta que sempre tive vontade de fazer para técnicos e jogadores, mas que nunca fiz, é se eles acompanham o noticiário. Admito que minha indagação seria referente à parte esportiva, para que eles pudessem se informar do que está sendo falando sobre eles mesmos, clubes e adversários, companheiros de profissão de dentro e fora do país.

Mas nada impede que a pergunta vá um pouco além, até pra saber se eles estão minimamente antenados com o que acontece no Brasil e no mundo. Muitos atletas passam a impressão de serem alienados, de viverem em uma 'bolha', de estarem preocupados somente com a sua realidade, bastante distinta de grande parte da população.

São raros os casos de jogadores que mostram uma consciência um pouco maior sobre a situação política, social e econômica do país. Quando casos, como o do meia Thiago Neves, acontecem, a impressão de que boa parte dos atletas não está nem aí para o que está fora da sua realidade fica ainda mais perceptível. Logo eles que deveriam mostrar uma consciência mínima, aproveitando o poder de influência que possuem.

Não bastando a tristeza de tudo que aconteceu em Brumadinho, o jogador posta uma piada descabida com intenção de provocar o rival. Como se 'cutucar' o maior adversário já não fosse suficiente, Neves usou da maior tragédia ambiental do país para tentar fazer graça. Não é possível que o mínimo de dicernimento não tenha passado na cabeça do jogador antes da postagem. Achou mesmo que seria engraçado e que não pegaria mal? Não adianta, em momento como este, assessor, agente, empresário.

Infelizmente, é algo que ficará marcado por muitos anos na carreira de Thiago Neves. Não que ele mostre-se muito preocupado com isso, mesmo após pedido de desculpas. Não é a primeira vez que o jogador dá uma bola fora e tenta consertar o erro instantes depois. Para que algo parecido aconteça em um futuro próximo, custa pouco. Espero que sirva de aprendizado para ele e tantos outros que se mostram despreparados e alienados para entender o momento de luto, descaso e revolta.

É preciso que jogadores de grandes clubes, com tantos fãs e tamanha representatividade, saibam melhor o lugar que ocupam, não só dentro de campo, mas fora dele. É imprescindível que dêem exemplos positivos, que inspirem torcedores, jovens e crianças a pensar além do futebol, que mostrem estar envolvidos com situações que envolvem algo que vai muito além do futebol. Eles têm um poder que nem devem imaginar e que precisa ser usado com ações efetivas, além das palavras em coletivas, com discursos prontos e ensaiados.

Viver na 'bolha', receber centenas de milhares de reais por mês e achar que aquilo ali vai durar para sempre, é uma fantasia. É preciso assumir uma postura mais responsável e tentar fazer algo para confortar quem sofre, ajudar quem precisa e mostrar que sua imagem pode fazer uma diferença em diversas situações. Não só neste caso, como em tantos outros, como de torcedores que passam por doenças, de jovens que sonham em encontrar seus ídolos, de pessoas que têm os atletas como ídolos e influenciadores. Uma pena que cenários como este sejam incomuns.