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Ok, entendi.
Sala de Recepção - A casa do Samba
Zu Moreira
31 de Janeiro - Sábado - 02:05

No momento em que escrevo faltam 42 dias para o carnaval e estamos na estaca zero. Isto porque como sempre digo, não temos representatividade. Partindo da maior mentira, o papo furado de que as nossas escolas de samba são unidas, as entidades que se dizem representativas vão enganando os sambistas e o poder público, que também não cobra nada. Não se organiza nada, os presidentes das nossas escolas de samba - na sua maioria - são omissos na hora da verdade, as entidades que se dizem representativas das escolas de samba não têm presidentes, têm donos.
 
Donos que não largam o osso, nada entendem de carnaval, e que até hoje, em cinco anos, nada, absolutamente nada fizeram de significativo pelo carnaval. Aliás, fizeram sim: criaram processos jurídicos que só nos levaram à antipatia por parte dos governantes, acumularam dívidas que ninguém entende, tiraram – por vaidade – a força das suas comunidades, protegeram agremiações que receberam dinheiro público em total ilegalidade, por falta de documentos. Na maior cara-de-pau falam de união e de projetos que nunca aparecem ou se concretizam.
 
Sou inteiramente favorável à mudança do carnaval para o centro da cidade, mas sou mais favorável ainda à legalização das agremiações e a organização do carnaval, seja lá onde for que ele aconteça. De nada adianta mudar de local se existem agremiações que recebem verbas ilegalmente através de vários artifícios usados inclusive pelas entidades representativas, que cobram porcentagem em cima das verbas recebidas. De nada adianta mudar de local se algumas agremiações falham na prestação de contas e algumas delas sequer colocam as verbas que recebem na avenida.
 
A Belotur recebe suas “prestações de contas” como se tudo estivesse dentro da legalidade. Escolas de samba notadamente pequenas recebem as mesmas verbas que as grandes, numa disparidade total porque não existem produção e organização no nosso carnaval. A Belotur monta o palco de qualquer maneira e as agremiações, exceto umas quatro ou cinco, colocam qualquer coisa nos seus desfiles. Ninguém quer saber para onde vão as verbas que não são colocadas na avenida, não existe controle, não existe nenhum tipo de avaliação pré ou pós o carnaval.
 
A história do nosso carnaval, salvando-se aqui as comunidades e aqueles que são verdadeiramente sambistas, é cheia de cambalachos e arrumações. No passado foi o paternalismo desenfreado que criou oportunidades para um monte de gente se arrumar, e as agremiações se acomodarem sem preocupação com o futuro. Hoje, com a ineficácia das entidades representativas, somos uma nau sem rumo, mas as arrumações e os cambalachos continuam firmes e fortes: agremiações que não existem votam em reuniões, presidentes se eternizam no cargo, verbas são manipuladas para atender interesses diversos...
 
E assim a terceira capital do país, que teve grandes carnavais no passado, vai levando a pecha de ter hoje um dos piores carnavais do país. Carnaval este que é desprezado pelos empresários, por grande parte da imprensa e até pelo poder público. E assim vamos ano após ano representando a pantomima da maior festa popular do nosso povo. Carnaval aqui em BH é brincadeira, brincadeira de péssimo gosto.
 
Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.
 
mestreaffonso@bol.com.br
 
Blog: http://mestreaffonsozip.net     
 
*Afonso Marra Filho, o Mestre Affonso, é natural de Belo Horizonte. Músico, produtor, radialista, colunista, está imerso no mundo do samba há 50 anos. Como diretor de Bateria, é detentor de dezoito notas dez e vários Tamborins de Ouro, maior premiação individual no Carnaval de Belo Horizonte. Atualmente, é colaborador do Programa Acir Antão, como repórter do samba, na Rádio Itatiaia, todos os domingos. A partir de agora passa também a colaborar com esse blog. Toda sexta-feira, a COLUNA DO MESTRE AFFONSO oferece dicas de rodas de samba, conta histórias e causos e passa um pouco de sua experiência.

31 de Janeiro - Sábado - 01:59

No momento em que escrevo faltam 42 dias para o carnaval e estamos na estaca zero. Isto porque como sempre digo, não temos representatividade. Partindo da maior mentira, o papo furado de que as nossas escolas de samba são unidas, as entidades que se dizem representativas vão enganando os sambistas e o poder público, que também não cobra nada. Não se organiza nada, os presidentes das nossas escolas de samba - na sua maioria - são omissos na hora da verdade, as entidades que se dizem representativas das escolas de samba não têm presidentes, têm donos.
 
Donos que não largam o osso, nada entendem de carnaval, e que até hoje, em cinco anos, nada, absolutamente nada fizeram de significativo pelo carnaval. Aliás, fizeram sim: criaram processos jurídicos que só nos levaram à antipatia por parte dos governantes, acumularam dívidas que ninguém entende, tiraram – por vaidade – a força das suas comunidades, protegeram agremiações que receberam dinheiro público em total ilegalidade, por falta de documentos. Na maior cara-de-pau falam de união e de projetos que nunca aparecem ou se concretizam.
 
Sou inteiramente favorável à mudança do carnaval para o centro da cidade, mas sou mais favorável ainda à legalização das agremiações e a organização do carnaval, seja lá onde for que ele aconteça. De nada adianta mudar de local se existem agremiações que recebem verbas ilegalmente através de vários artifícios usados inclusive pelas entidades representativas, que cobram porcentagem em cima das verbas recebidas. De nada adianta mudar de local se algumas agremiações falham na prestação de contas e algumas delas sequer colocam as verbas que recebem na avenida.
 
A Belotur recebe suas “prestações de contas” como se tudo estivesse dentro da legalidade. Escolas de samba notadamente pequenas recebem as mesmas verbas que as grandes, numa disparidade total porque não existem produção e organização no nosso carnaval. A Belotur monta o palco de qualquer maneira e as agremiações, exceto umas quatro ou cinco, colocam qualquer coisa nos seus desfiles. Ninguém quer saber para onde vão as verbas que não são colocadas na avenida, não existe controle, não existe nenhum tipo de avaliação pré ou pós o carnaval.
 
A história do nosso carnaval, salvando-se aqui as comunidades e aqueles que são verdadeiramente sambistas, é cheia de cambalachos e arrumações. No passado foi o paternalismo desenfreado que criou oportunidades para um monte de gente se arrumar, e as agremiações se acomodarem sem preocupação com o futuro. Hoje, com a ineficácia das entidades representativas, somos uma nau sem rumo, mas as arrumações e os cambalachos continuam firmes e fortes: agremiações que não existem votam em reuniões, presidentes se eternizam no cargo, verbas são manipuladas para atender interesses diversos...
 
E assim a terceira capital do país, que teve grandes carnavais no passado, vai levando a pecha de ter hoje um dos piores carnavais do país. Carnaval este que é desprezado pelos empresários, por grande parte da imprensa e até pelo poder público. E assim vamos ano após ano representando a pantomima da maior festa popular do nosso povo. Carnaval aqui em BH é brincadeira, brincadeira de péssimo gosto.
 
Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.
 
mestreaffonso@bol.com.br
 
Blog: http://mestreaffonsozip.net     
 
*Afonso Marra Filho, o Mestre Affonso, é natural de Belo Horizonte. Músico, produtor, radialista, colunista, está imerso no mundo do samba há 50 anos. Como diretor de Bateria, é detentor de dezoito notas dez e vários Tamborins de Ouro, maior premiação individual no Carnaval de Belo Horizonte. Atualmente, é colaborador do Programa Acir Antão, como repórter do samba, na Rádio Itatiaia, todos os domingos. A partir de agora passa também a colaborar com esse blog. Toda sexta-feira, a COLUNA DO MESTRE AFFONSO oferece dicas de rodas de samba, conta histórias e causos e passa um pouco de sua experiência.

26 de Janeiro - Segunda-feira - 23:04

Todo ano escritórios de advocacia trabalhista mandam e-mails para as redações alertando sobre um assunto polêmico: carnaval não é feriado nacional. Teoricamente, o empregado que não trabalha de segunda-feira de carnaval a quarta-feira de cinzas teria que compensar as horas não-trabalhadas, tudo em comum acordo com a empresa. 

A raiz da questão está na Lei nº 9.093/95. Ela estabelece que são feriados somente aqueles declarados em Lei Federal ou Estadual. Aí surgiu uma outra (nº 10607/2002) que lista os oito feriados nacionais: Ano novo (1 de janeiro), 21 de abril (Tiradentes), 1 de maio (Trabalhador), 7 de setembro (Independência), 2 de novembro (Finados), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida) 15 de novembro (Proclamação da República) e 25 de dezembro (Natal).

Na outra ponta, a Lei Federal outorga aos municípios decretarem até quatro feriados no ano. Ou seja, é necessário que haja uma lei municipal determinando o feriado de carnaval. Caso contrário, o dia será normal e o folião desavisado pode ter o ponto cortado.

É incrível. Como a maior festa popular do país, o evento que mobiliza gente de todas as idades, atrai turista e emprega milhares, não está incluído no roll dos feriados nacionais? É como se as pirâmides do Egito fossem cortadas da lista das sete maravilhas do mundo. Ou se Alexandre Pato não estivesse na lista dos selecionados da atual seleção canarinho.

O mais interessante é que a data já foi incorporada ao calendário político e econômico do país: tudo é dividido entre antes e depois do carnaval. Mas para o trabalhador comum fica o alerta: informe-se antes de cair na folia. 



 


 

20 de Janeiro - Terça-feira - 23:54

Com a entrada do ex-secretário municipal de Planejamento, Júlio Pires, na presidência da Belotur, o carnaval de Belo Horizonte pode dar um salto de qualidade nos próximos anos. Sem querer fazer trocadilho, o que a nossa folia precisa é justamente de planejamento, para que as escolas de samba e blocos tenham tempo e dinheiro disponíveis para organizar a festa momesca.

O presidente da Belotur gosta da brincadeira e isso, na visão dos sambistas, já é meio caminho andado, uma vez que seu antecessor nunca dava muita bola para o evento, sendo sempre representado pelo ex-prefeito Ronaldo Vasconcelos e pelo diretor de eventos da Belotur Tadeu Martins.

De cara, Júlio Pires aumentou a verba a ser distribuída para as agremiações que irão desfilar neste ano na Via 240 e já agendou um encontro com a Associação Cultural Samba 10, entidade que integra as escolas, para discutir o Carnaval 2010, tão logo a fantasia deste ano seja aposentada no armário.

É um gesto importante, o reinício de uma história que já foi mais feliz. Até a década de 1980, Belo Horizonte apresentava um dos melhores desfiles do país, atrás apenas do Rio de Janeiro. Com organização e profissionalismo, podemos voltar a ser uma referência.

Um dos pontos centrais para o início de planejamento do carnaval de Belo Horizonte é a definição do local dos desfiles. A Via 240 oferece todas as condições para a realização do evento, embora a localização não seja a mais adequada. Os próprios sambistas são unânimes em afirmar que se fosse na região Central da cidade seria bem melhor. É curioso observar que festival de rock é realizado no Mineirão, festa junina na Praça da Estação, e a maior manifestação cultural do país seja empurrada para os limites da cidade. E você, o que acha? Responde a enquete aí do lado.


Galoucura homenageia Tancredo Neves

O tema da Escola de Samba Galoucura para o Carnaval 2009 é “Tancredo Neves. Uma vida pelo Brasil”, em homenagem ao ex-presidente, avô do atual governador de Minas Gerais. O curioso é que ambos tem em comum o fato de não figurarem como torcedor ilustre do Galo Doido. Tancredo era americano e Aécio Neves cruzeirense assumido. Resta saber se a opção futebolística da família Neves será explorada pela Galoucura, que pela primeira vez irá disputar o título na Via 240, palco do desfile das escolas de samba da cidade. Em 2008, a Galoucura homenageou o centenário do Atlético Mineiro fazendo apenas um desfile de apresentação.