Política

Bolsonaro vai ao RJ para participar de lançamento da pré-candidatura de Ramagem

O evento está programado para acontecer na quadra da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel

Por Gabriela Oliva
Publicado em 13 de março de 2024 | 14:48
 
 
 
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No sábado (16), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retorna ao Rio de Janeiro para participar do lançamento da pré-candidatura do deputado federal Alexandre Ramagem (PL) à Prefeitura do Rio. O evento está programado para ocorrer na quadra da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. A agremiação tem o bicheiro Rogério Andrade como seu patrono.

Em seu primeiro mandato como deputado federal, Ramagem foi eleito com amplo apoio de Bolsonaro, que o tem como homem de confiança. É com esse mesmo vínculo que ele será lançado para enfrentar o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) e fortalecer o partido no Estado.

No entanto, Ramagem enfrenta investigações da Polícia Federal (PF) relacionadas à operação Vigilância Aproximada. A PF investiga uma possível "organização criminosa" que teria se estabelecido na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Bolsonaro, período em que Ramagem foi presidente da agência. Foi na gestão dele, entre julho de 2019 e abril de 2022, que a PF identificou o uso de um sistema de geolocalização de dispositivos móveis (GPS) sem a devida autorização judicial por servidores.

Uma primeira operação sobre o caso foi deflagrada em outubro de 2023, mas não teve Ramagem como alvo direto. Investigações dão conta de que jornalistas, advogados, políticos e adversários do governo do ex-presidente estão entre as pessoas que foram monitoradas ilegalmente por um grupo de agentes da Abin. Na época, a PF apontou ainda que servidores teriam utilizado o conhecimento sobre o uso indevido do sistema para coagir colegas e evitar a expulsão da Abin.

Ramagem fez parte da equipe da Lava Jato

Ramagem tem 51 anos e é delegado. Ele está no quadro da Polícia Federal desde 2005 e fez parte da equipe da Lava Jato no Rio de Janeiro. Atuou em operações da Copa do Mundo de 2014, das Olimpíadas de 2016 e da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente.

Ele também chefiou a equipe de segurança de Bolsonaro após a vitória dele para presidente da República, em 2018. Na época, o então presidente reforçou sua segurança por conta da facada que sofreu em um evento da campanha eleitoral em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. Foi por meio desse contato que Ramagem e Bolsonaro viraram amigos.

Deputado é próximo da família Bolsonaro

O atual deputado é próximo de toda a família do ex-presidente e tem, inclusive, a confiança de seus filhos. Registros em redes sociais mostram a proximidade de Ramagem com o clã Bolsonaro. Há, por exemplo, uma foto que mostra o deputado federal passando o Réveillon de 2019 junto ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

O ex-presidente da República também tentou nomear Ramagem como diretor-geral da PF em 2020. O ato, no entanto, foi anulado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ocasião marcou a saída de Sergio Moro do comando do Ministério da Justiça, que chefia a PF. Na decisão, Moraes citou declarações de Moro em que acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na corporação.

Em abril de 2020, Bolsonaro comentou sobre a proximidade de Ramagem com sua família e a tentativa de colocá-lo como chefe da PF. "Ele ficou novembro e dezembro, praticamente, na minha casa. Dormia na casa da vizinha, tomava café comigo, aí tirou fotografia com todo mundo. Foi no casamento de um filho meu", contou.

"Não tem nada a ver a amizade dele com o meu filho, meu filho conheceu ele depois. E eu confio, passei a acreditar no Ramagem, conversava muito com ele, trocava informações. Demonstrou ser uma pessoa da minha confiança, então a partir do momento que eu tenho uma chance de indicar alguém pra PF, por que não o indicaria?", acrescentou o ex-presidente.

Como deputado federal, Ramagem faz parte do grupo que articula uma oposição ferrenha, tanto política quanto ideológica, ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar integra as ofensivas feitas pelo grupo, especialmente em redes sociais.

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