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Tráfico

Em MG, apreensão de cocaína quadruplica em quatro anos

Levantamento da PF para O TEMPO mostra que, em 2018, foram recolhidas quase 2t da droga

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Cocaína
PUBLICADO EM 21/01/19 - 03h00

Levantamento feito pela Polícia Federal a pedido de O TEMPO mostra que as apreensões de cocaína no país mais do que dobraram nos últimos cinco anos. Em 2014, foram 33.858 kg de droga retidos, contra 74.701 kg no ano passado. Outro aumento expressivo foi o de LSD, que saiu de 882 selos apreendidos em 2016 para 7.031 em 2018.

Em Minas Gerais, o crescimento na apreensão de pó foi ainda maior que o nacional, com aumento de quase quatro vezes entre 2014 e 2018, passando de 547 kg para 1.958 kg. Em relação a 2017, as apreensões cresceram 27% no ano passado. Também chamam atenção as apreensões de LSD em Minas, que passaram de zero em 2014 para 155 selos apreendidos no ano passado – em 2017, não houve apreensão da droga no Estado.

O delegado João Geraldo de Almeida, titular da Delegacia de Repressão a Drogas em Minas Gerais, afirma que houve mudança na estratégia da PF, que passou a se concentrar nas investigação e na desestruturação das organizações criminosas, e não tanto no comércio de drogas no varejo.

“Nosso foco está em identificar, localizar e prender os líderes das organizações criminosas por trás do tráfico. Por exemplo, a pessoa responsável por receber a droga do fornecedor; a pessoa responsável pela distribuição dentro do país e aquela que está à frente das operações de exportação (no caso da cocaína e da maconha)”, afirma. Almeida esclarece que essas são posições estratégicas para a movimentação ilícita. “O traficante que vende para o usuário é apenas a ponta do iceberg. Precisamos, principalmente, quebrar a espinha dorsal dessas organizações para que elas não consigam se reerguer”, afirma.

Outro motivo para o número de apreensões é o aumento da produção da cocaína em países como Colômbia, Bolívia e Peru. “São os maiores produtores do mundo. Sabemos que eles têm produzido uma quantidade maior do que nos anos anteriores. Ou seja, quanto mais se produz, mais se exporta”, avalia.

O delegado explica como essa droga entra no país. “Passa pelos Estados fronteiriços e entra por meio de aviões de pequeno porte em zonas rurais e por meio de caminhões, carros e ônibus de passageiros”, afirma Almeida.
Os destinos principais são o Brasil, os EUA e a Europa. “A maior parte das apreensões está ligada aos carregamentos que seriam levados para fora da daqui”, afirma Almeida. Já o LSD vem sendo apreendido com a interceptação de correspondências. “Para despistar a polícia, o traficante coloca no mesmo envelope objetos diversos, como CDs e DVDs”, diz.

Mais usuários

Na última década, o consumo de cocaína saltou de 0,7% para 3,8% entre os adultos brasileiros de 15 a 64 anos que usaram droga no último ano. O uso de LSD cresceu 6,5% no mesmo período, segundo dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da ONG Mundo Sem Drogas.

Euforia e fácil acesso estão interligados

Os Estados Unidos vivem uma onda de crescente de mortes causadas por overdose de drogas sintéticas: foram 72 mil óbitos apenas em 2017. Os americanos também lideram o consumo de cocaína, seguido dos brasileiros.

De acordo com o psiquiatra Dartiu Xavier, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a procura pode estar ligada a uma necessidade de fuga da realidade, pois são entorpecentes estimulantes. “Os efeitos no organismo se assemelham à adrenalina, principalmente o potencial euforizante. Elas deixam os usuários ‘à flor da pele’, oferecendo uma fuga daquilo que se vive”, diz o médico.

Para o psiquiatra Valdir Campos, a maior incidência de doenças emocionais, como depressão, contribui para esse cenário. “São pessoas que tentam fugir da realidade ou que buscam ‘incentivos’ que as façam encará-la”, alerta.

Minientrevista

João Geraldo Almeida - Delegado titular da Polícia Federal

O combate ao tráfico de drogas se caracteriza, principalmente, pelo número de prisões e apreensões. Por quê? 

Estamos acostumados a associar bons resultados apenas à quantidade. É claro que ela é importante e reflete a realidade, mas há outros fatores determinantes para o sucesso do combate ao tráfico. 

Quais são esses fatores?

O principal é a necessidade de se tirar o dinheiro das organizações criminosas.

Como isso funciona?

Na prática, é o esforço para que haja a descapitalização dos bens comprados pelos criminosos com o dinheiro do tráfico. A compra de imóveis, automóveis e objetos de valor serve como lavagem do dinheiro proveniente do tráfico. A partir do momento em que eles são leiloados pela Justiça e os valores são destinados para o Estado, os traficantes não têm mais poder financeiro para manter as atividades e, dependendo da situação, nem mesmo de pagar um advogado. Por outro lado, o Estado passa a ter dinheiro para investir em recursos no combate.

Os investimentos têm sido suficientes?

O que posso dizer é que o nosso trabalho está sendo com o máximo de eficiência e de excelência. Os resultados mostrados em diversos meios refletem isso. 

O ano passado foi positivo para a Polícia Federal. Qual é a expectativa para 2019?

Acreditamos que os resultados podem ser ainda melhores, porque o empenho colocado por todos nós, membros da Polícia Federal em todo o país, é enorme. Tenho certeza de que 2019 será um ano muito melhor em todos os sentidos.

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