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Mulheres de BH são as que mais abusam de bebida alcoólica no país

Em 12 capitais avaliadas no Brasil, as mulheres ingerem mais bebida do que os homens

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Pesquisa foi feita em 48 cidades de todo mundo
Pesquisa foi feita em 48 cidades de todo mundo
PUBLICADO EM 12/07/18 - 03h00

Belo Horizonte – considerada a capital nacional dos bares – aparece como líder no ranking de maior frequência de consumo abusivo de álcool entre mulheres no país (16,5%). A cidade está à frente do Distrito Federal (16,3%) e Salvador (15,5%). 

Em geral, o consumo dos homens ainda é maior – sendo 27,1% contra 12,2% –, mas o público feminino está no topo em 12 Estados, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo. Os dados fazem parte da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o levantamento, para ser considerada abusiva, a ingestão deve ser de quatro ou mais doses para as mulheres e cinco ou mais para homens em até duas horas, numa mesma ocasião, nos últimos 30 dias. “Podemos considerar uma dose uma lata de cerveja, um chope, uma taça de vinho ou 30 mililitros de qualquer destilado”, explica o psiquiatra Arthur Guerra, presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). 

Guerra afirma que esse padrão de consumo é o mais prejudicial para a saúde. “Ele cria um quadro maior de vulnerabilidade a cada dose consumida a mais. E está relacionado ao maior risco para amnésia alcoólica, quedas, violência, acidentes de trânsito, sexo desprotegido ou sem consentimento, gravidez indesejada, entre outros”, diz o especialista. 

Além do gênero, a pesquisa levou em consideração também a escolaridade e a faixa etária dos participantes. Foi constatado, por exemplo, que, quanto maior o tempo de estudo de uma pessoa, mais ela abusa dos destilados. No caso das mulheres, 16,5% das que têm 12 ou mais anos de escolaridade consomem álcool em excesso. Esse percentual cai para 7,1% quando a escolaridade é de até oito anos.

Em relação à idade, o levantamento mostra que, entre 18 e 24 anos, elas bebem mais do que eles, sendo 28,7% contra 28%. Já dos 25 aos 34 anos, os homens voltam à liderança, com 25,6% em comparação aos 19,2% delas.

Trânsito. A combinação entre bebida e direção não ficou fora. O mesmo estudo aponta que ambos os sexos continuam conduzindo veículos sob efeito do álcool. Entre as mulheres, as capitais que lideram o ranking são Florianópolis (7,1%), Palmas (6,8%) e Distrito Federal (6,5%). Belo Horizonte ocupa o 11º lugar, apresentando índices de 13,7% para os homens e de 3,7% para as mulheres. 

Quase lá

“(O consumo) ainda não é igual ao dos homens, mas as mulheres estão chegando bem perto e começando a competir com eles.”
Izabela Abras, 21 
Autônoma


Delimitação

“Acredito que as mulheres estejam bebendo mais, sim. Mas, para os dois,há limites (de consumo) maiores e limites menores.”
Thiago Rocha, 33 
Designer


Avanço

“É uma realidade que se nota pelo poder aquisitivo que aumentou e 
pelo maior espírito de liberdade que elas conquistaram.” 
Luiz Rodrigues, 58 
Aposentado


Independência feminina seria uma das causas, diz psicóloga

Os homens continuam bebendo mais do que as mulheres, mas esse cenário tem se alterado nos últimos anos. Entre os diversos motivos para essa mudança, está a independência feminina, afirma a psicóloga Clarice Madruga, coordenadora do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (ligado à Unifesp). “Trata-se de um efeito colateral da autonomia conquistada pelas mulheres. A maior independência financeira e a liberdade de tomar decisões permitem que ela busque cada vez mais o álcool como um prazer”, diz. 

Foi o que aconteceu com a musicista Tamires Lyn, 27. “De um ano para cá, tenho um padrão de vida que melhorou e me permite beber mais”, conta a jovem, que chega a ingerir quatro ou mais doses por ocasião. “As pessoas no bar são mais felizes”, afirma.

Depoimento

Álcool: o inimigo silencioso

No Brasil, discute-se com muita frequência o problema do uso de drogas. Esse debate, muitas vezes controverso e acalorado, é justificado e necessário. Entretanto, quero defender aqui que estamos, como país, negligenciando a principal discussão de saúde pública. A principal droga que compromete e provoca danos a nossa população é o álcool, droga legal, que pode ser comprada em nosso país em praticamente qualquer local, a qualquer hora do dia e na quantidade que se queira, inclusive por menores, em franco desrespeito à lei.

Mais urgente e importante para o Brasil do que a discussão sobre drogas ilícitas é a regulação da droga lícita mais nociva para a sociedade: o álcool. Para que avancemos, como um país que se preocupa com a saúde de seus cidadãos, é fundamental que estabeleçamos regras para o consumo do álcool. Essas regras visam à limitação da quantidade ingerida e, com isso, reduzem a chance de doenças físicas e mentais, da violência doméstica, do abuso infantil, da perda de produtividade acadêmica etc. Todos esses problemas têm forte associação com o uso de álcool.

Medidas como o controle das horas do dia em que se pode vender álcool e a limitação completa de sua publicidade são as primeiras a serem tomadas e têm que ser reforçadas na agenda de saúde pública, sem hesitação. 

É tempo de ajustarmos nossas decisões políticas às verdadeiras necessidades dos cidadãos.

Guilherme Messas
Psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

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