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Violência

Quinze crianças foram vítimas de bala perdida neste ano no Rio de Janeiro

Bebê de seis meses foi atingido por um tiro no ombro dentro de um colégio particular

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Fachada do colégio São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro
Bebê de seis meses foi baleado no colégio São Vicente de Paulo, no bairro Cosme Velho, no Rio de Janeiro
PUBLICADO EM 16/05/18 - 10h22

Atingido por uma bala perdida no ombro, o bebê Caíque de Carvalho, de 6 meses, foi a décima quinta criança alvejada em 2018 na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde houve em média 24 disparos por dia este ano, segundo o aplicativo Fogo Cruzado. Caíque foi atingido quando estava no colo da mãe, dentro de um colégio particular. O bebê foi submetido a uma cirurgia nesta terça-feira, 15, e está fora de perigo. 

O pai do garoto, Carlos Figueiredo, desabou em uma rede social contra a violência no Estado.

"Nem na escola e no aconchegante colo da mãe nossos filhos estão livres do perigo", escreveu Figueiredo. Caíque foi baleado quando estava em um ambiente supostamente seguro, o Colégio São Vicente de Paulo, escola particular no Cosme Velho, bairro da zona sul.

Na noite de segunda-feira, dia 14, sua mãe o tinha nos braços enquanto esperava pelo irmão do bebê, de 6 anos. O garoto mais velho estava em uma aula de futebol. Ninguém relatou ter ouvido tiroteio próximo da escola.

A polícia ainda não sabe de onde partiu o disparo. O colégio fica a um quilômetro da Favela do Cerro Corá, mas não havia troca de tiros na comunidade no momento da ocorrência, segundo policiais. A escola também afirmou que não houve registro de ações envolvendo tiros no entorno. Ainda não se sabe de qual tipo de armamento veio o projétil.

Caíque está internado no Centro Pediátrico da Lagoa, onde foi submetido a cirurgia de mais de duas horas. O quadro é estável e ele movimenta os quatro membros. "A bala entrou pelo ombro e se alojou perto da medula, daí os cuidado para retirá-la", afirmou Gina Sgorlon, diretora do Prontobaby, rede que controla o Centro Pediátrico. 

A família, abalada, não quis dar entrevista. 

Entre os pais de outras crianças do Colégio São Vicente, o ambiente nesta terça era de consternação e medo. "Uma bala perdida em casa ou numa escola assusta porque esses são territórios que consideramos sagrados, onde deveríamos estar todos protegidos", disse Claudia Lamego, mãe de um aluno de 9 anos, que não foi à aula nesta terça.

Em nota, o São Vicente disse estar em atividade há 59 anos e ter sido "abruptamente inserido no mapa da violência que assola o Estado do Rio".

Números

De acordo com o app Fogo Cruzado, entre 1.º de janeiro e as 11 horas desta terça, foram registrados 3.269 tiroteios ou disparos de armas de fogo na região metropolitana do Rio, média de um por hora. Foram relatados 596 mortos e 505 feridos no período. 

Em 484 casos, havia presença policial (em operações, ações e assaltos a agentes, por exemplo). O aplicativo analisa dados da violência armada e os divulga por meio de um mapa colaborativo. O bairro campeão de disparos entre janeiro e abril foi a Praça Seca, na zona oeste, com 120 registros. 

Em seguida, vem Cidade de Deus (108), na zona oeste; Complexo do Alemão (78), na zona norte e Rocinha (76),na zona sul carioca. O Cosme Velho é um bairro de classe média onde não são registradas ocorrências policiais com frequência. Em 16 de fevereiro, o governo federal decretou intervenção na segurança do Rio. Depois disso, as polícias estão sob comando das Forças Armadas. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
 

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