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Mercado de trabalho

Altos salários fazem qualificação virar obstáculo na luta por emprego

Em tempos de crise, empresas economizam abrindo mão de profissionais com salários maiores

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Rejeição. Publicitário Jorge Rocha chegou a ouvir que deveria omitir competências no currículo para facilitar a busca por colocações
PUBLICADO EM 21/01/19 - 03h00

Enquanto antigamente habilidades extras registradas no currículo poderiam garantir uma melhor colocação no mercado de trabalho, hoje o movimento vem no sentido contrário. Em um ambiente competitivo em que empresas oferecem vagas com menor remuneração, profissionais qualificados têm encontrado dificuldades para se recolocarem profissionalmente, justamente pelo excesso de experiência.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a taxa de desemprego no Brasil no último ano apresentou queda de 12,4% para 11,9%, o desemprego entre pessoas com nível superior completo registrou um aumento de 8,4% para 9,1%.
 
Para o pesquisador da Fundação João Pinheiro e professor do Ibmec Glauber Silveira, isso se explica pelo fato de, em tempos de crise, as empresas optarem por economizar contratando profissionais com menor remuneração.

“Em momentos de altas taxas de desemprego, as empresas precisam fazer opções. E, aí, elas acabam optando por um funcionário que tenha um menor custo. Pessoas que possuem uma alta qualificação podem, de fato, ficar sem oportunidade”, explica Silveira.

Currículo

O publicitário e professor universitário Jorge Rocha, 43, conta que passou 2016 procurando emprego e que inúmeras vezes recebia e-mails e respostas dizendo que ele tinha excesso de qualificação. “Muitas vezes, durante essa busca, escutei a seguinte frase: ‘Você é muito qualificado para essa vaga, eu não posso te contratar’”, relata Rocha, completando que já foi sugerido a ele omitir qualificações no currículo. “Eu me recuso a isso, acho um desrespeito a minha trajetória profissional, que foi construída com muita sobriedade”, lamenta.

O mesmo acontece com a arquiteta Marianna Freire, 37, que já chegou a omitir experiências na área. “Às vezes, o contratante vê a qualificação e acredita que a gente não vai se empenhar em uma vaga inferior. Eu já precisei omitir experiências”, comenta ela.

Especialista em recursos humanos e supervisora de carreiras do Ibmec, Cynara Bastos explica que, quando o cargo é inferior ao grau de qualificação do candidato, os recrutadores tendem a acreditar que aquela pessoa se entediará e se frustrará facilmente com a vaga. “Não sugiro que o candidato minta. Mas, quando uma vaga não exige determinadas qualificações, não há necessidade de destacá-las no currículo”, indica a supervisora de carreiras do Ibmec. 

Doutorado encarece profissional

O doutorado do jornalista e professor Reynaldo Maximiano, 41, muitas vezes surge como um empecilho para que ele consiga vagas em alguns centros universitários. Há um ano desempregado, Maximiano conta que, em instituições particulares, há um cota mínima de doutores. “Estou há um ano procurando emprego em algum centro universitário, mas o fato de eu ser doutor, embora me qualifique mais, me torna um profissional mais caro e, como vivemos em um período de retração, as empresas tendem a economizar com a mão de obra”, explica Maximiano.

O pesquisador Glauber Silveira corrobora o relato do jornalista. “No mercado acadêmico, você pode dar aula com pós-graduação, mestrado ou com doutorado. Muitas vezes, uma faculdade, principalmente menor, tende a contratar pessoas com especialização, porque vai custar menos do que alguém com mestrado ou doutorado”, explica Silveira.

Dicas

Habilidades - A especialista Cynara Bastos indica que os candidatos devem se ater ao que é demandado pela vaga pretendida, sem necessidade de apontar qualificações extras no currículo.

Entrevista - Ela diz que é importante haver uma conversa e uma entrevista com o recrutador. Apenas uma análise curricular pode dar margem a interpretações diversas pelo contratante.

Experiência é crucial para mais jovens

De acordo com o pesquisador da Fundação João Pinheiro Glauber Silveira, jovens com curso superior também encontram dificuldade muitas vezes pela falta de experiência técnica. 

“O segmento de pessoas que possuem curso superior completo também está sujeito ao desemprego. Essas pessoas tendem a ser de uma população mais jovem. Experiência é uma questão-chave”, explica.

É o caso do jornalista Rafael Rocha, 29, que não consegue emprego na sua área de formação por falta de experiência nem em outras áreas, pois empresas alegam que ele não possui perfil adequado. “As empresas cobram experiência, mas não permitem que eu a tenha”, lamenta Rocha.

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