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Bancos no Brasil não adotam políticas socioambientais

Lucro cresce, serviços são caros, mas responsabilidades em relação à sociedade ficam de lado

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Políticas. Banco estatal de fomento obteve a melhor pontuação sobre políticas sociais e ambientais
PUBLICADO EM 30/12/18 - 03h00

Os bancos no Brasil são lucrativos, cobram caro pelos seus serviços e, segundo um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), não primam pela responsabilidade socioambiental. Segundo o “Guia dos Bancos Responsáveis 2018”, publicado pela entidade, a nota média no que se refere às responsabilidades sociais e ambientais de nove instituições financeiras que atuam no país é 3, numa escala que vai até 10. Entre os quesitos avaliados estão igualdade de gênero, corrupção, direitos humanos e trabalhistas, mudanças climáticas, mineração e prestação de contas.

O estudo foi feito em mais oito países, e o Brasil ficou em sétimo lugar. “A média é baixa na comparação com os outros países. O setor bancário mostra, com isso, que dialoga pouco com a sociedade”, afirma a economista do Idec e responsável pelo estudo, Ione Amorim. A maior nota foi 4,3, alcançada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O pior desempenho foi o do BTG Pactual, com nota 2.

Por outro lado, os lucros dos bancos continuam crescendo. No terceiro trimestre deste ano, eles lucraram R$ 18,9 bilhões, frente a R$ 14,6 bilhões no mesmo período de 2017, um crescimento de 29,5%, segundo a empresa de informações financeiras Economática. Já a taxa média dos juros do cheque especial em 2018 foi de 13,26% ao mês, conforme o Procon-SP. Houve uma queda em relação a 2017, quando foi de 13,47% ao mês, mas ainda está bem acima da taxa básica de juros do país, a Selic, determinada pelo Banco Central em 6,5% ao ano, ou cerca de 0,53% ao mês.

Segundo Ione, o estudo mostra que, no caso dos bancos brasileiros, a tendência é apenas seguir a legislação no que se refere às obrigações sociais e ambientais. “Os pontos em que eles apresentam resultados melhores são aqueles nos quais o país tem uma legislação que os obriga a atuar, como corrupção e direitos trabalhistas. Esse deveria ser, na verdade, o patamar zero, de onde os bancos, como empresas, deveriam começar a criar suas próprias políticas de responsabilidade, já que cumprir a legislação é uma obrigação”, avalia.

Efeito Lava Jato

Essa também é a visão do professor de compliance e governança corporativa do Ibmec-BH Hélio Barbosa. “Os dados comprovam que os bancos são meros cumpridores da lei. Eles nem sequer se esforçam para avaliar onde aplicam suas linhas de crédito”, diz o professor.

Ele afirma que essa realidade se repete nas empresas. Uma pesquisa realizada pela Delloitte com 211 empresas que atuam no país mostra que houve uma evolução na adoção de práticas de compliance. Entre 2012 e 2014, apenas 24% aderiam a 15 práticas determinadas pela empresa de auditoria. Entre 2015 e 2017, esse percentual chegou a 46%, com a perspectiva de alcançar 65% até 2020. “Essas mudanças, porém, foram motivadas pelo juiz Sergio Moro, a partir da operação Lava Jato e pela promulgação da Lei 12.843, a Lei Anticorrupção, que é de 2013”, afirma Barbosa. “Isso mostra que ainda falta cultura nacional de ética e transparência nas empresas”, conclui o professor.

 

Clientes podem cobrar inicativas dos bancos

No site do Guia dos Bancos Responsáveis, os clientes podem cobrar dos bancos a adoção de ações sociais e ambientais. “Um dos objetivos do estudo é empoderar os consumidores para que cobrem políticas dos bancos e até troquem de serviço”, diz a economista do Idec Ione Amorim. O servidor público Maurício Santos de Miranda, 42, afirma que trocaria de banco se soubesse que ele “patrocina causas bélicas, sexistas ou homofóbicas”, por exemplo.

Já para a artesã Monica Maflé, 42, taxas altas e atendimento ainda são os principais problemas. “As taxas são salgadas para não atender a gente direito. Em tudo eles perguntam se não pode usar o aplicativo. E no dia em que o celular não funcionar ou não tiver internet?”, indaga.

Internacional

Regras. O guia está na sétima edição e faz parte da Fair Finance Guide International, rede de entidades que incentiva os bancos a adotarem normas sociais, ambientais e de direitos humanos.

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