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COPOM

BC surpreende e mantém Selic em 6,50% ao ano

Taxa de juros básica da economia brasileira se manteve baixa desde sua criação, em 1996

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Banco Central
Decisão foi unânime e a economia brasileira pode aumentar a trajetória da inflação
PUBLICADO EM 16/05/18 - 18h45

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira, 16, a taxa de juros básica da economia brasileira em 6,50% ao ano.

A decisão foi unânime e, segundo os técnicos do Banco Central (BC), o cenário externo adverso e volatilidade do mercado financeiro determinaram a decisão. A taxa se mantém no valor mais baixo desde sua criação, em 1996.

Segundo o comunicado do Copom, "O cenário externo tornou-se mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes".

Ainda de acordo com o comunicado, a não continuidade das reformas estruturais na economia brasileira pode aumentar a trajetória da inflação no horizonte.

"A (i) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iii) continuidade da reversão do cenário externo para economias emergentes. Esse último risco se intensificou desde o último Copom".

O comitê ainda ressaltou que vê como adequada a manutenção de juros no patamar corrente para as próximas reuniões. Os próximos passos da política monetária, segundo o comunicado, continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Um corte de 0,25 ponto porcentual era esperado por analistas do mercado. A inflação baixa e a fraca atividade econômica justificavam a aposta do mercado. O movimento de alta dos preços acumulado nos quatro primeiros meses do ano (0,92%) foi o menor desde a implantação do Plano Real. Em 12 meses, a inflação acumula 2,76% (de 2,68%), ou seja, abaixo do piso de 3% do centro da meta, que é de 4,50%.

Nesta quarta, o Indicador de Atividade de Banco Central (IBC-Br) de março, tido como a prévia do PIB, veio pior do que esperava o mercado e apontou queda de 0,70% entre fevereiro e março.

Para o coordenador de Cursos da Faculdade Fipecafi, Valdir Domeneghetti, dado o cenário macroeconômico, o BC poderia não somente cortar em 0,25 ponto a Selic, como ser ainda mais agressivo. “Tendo em vista uma menor expectativa em torno da retomada da economia, poderia haver um corte maior, porém, há que se considerar um ambiente mais ‘hostil’ pela proximidade das eleições e, mais que isso, pela indefinição de candidatos em relação ao pleito, considerando que estamos há menos de cinco meses do primeiro turno”, analisa.

Nas últimas semanas, em meio a um cenário global tenso, com expectativa de alta nas taxas de juros dos Estados Unidos e pressão no câmbio, houve dúvida entre especialistas se a autoridade monetária brasileira seguiria a estratégia de redução na taxa Selic, já que a alta do dólar poderia causar impactos na inflação. Em meio a incerteza, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, afirmou em entrevista ao canal GloboNews que a inflação é o principal ponto de atenção do BC para conduzir a política monetária.

Repercussão. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a  decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter em 6,5% ao ano a taxa de juros Selic "reflete provavelmente, as preocupações do Banco Central com os impactos da recente desvalorização do real frente ao dólar". Para a indústria, no entanto, a inflação baixa e ritmo muito lento de recuperação da economia permitiriam um novo corte na taxa Selic.

A entidade destaca, em nota divulgada há pouco, que "embora os juros atuais sejam os mais baixos desde 1986, os custos dos financiamentos continuam elevados por causa do spread bancário".

"Os custos elevados dos empréstimos desestimulam os investimentos das empresas e o consumo das famílias, comprometendo a recuperação da economia", afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Já o Itaú, mesmo com a manutenção da Selic em 6,25% a.a.,  anunciou uma redução na taxa média  redução dos juros cobrados nas linhas de cheque especial e de empréstimo pessoal, embora o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) ter optado por manter a taxa Selic em 6,50% ao ano. O banco não vai mexer nas taxas mínimas cobradas nessas modalidades, mas informou, em nota à imprensa, que o juro médio cobrado no cheque especial sai de 11,90% para 11,50% ao mês.

No ano, a taxa média cobrada na modalidade, de acordo com a instituição, já foi reduzida em 1,23 ponto porcentual. Já no cheque especial, conforme o banco, as taxas variam conforme o perfil de cada cliente. Os novos juros passam a valer a partir da próxima segunda-feira, dia 21.

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