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Bloqueio faz inflação disparar

Comércio e serviços da capital põem a culpa nos fornecedores, e economista vê oportunismo

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Em falta. Josimar Alves, 32, e Rogério Francisco, 45, vendedores do Mercado Central, na capital, mostram pentes de ovos vazios
PUBLICADO EM 25/05/18 - 03h59

A cabeleireira Natália de Souza, 33, foi comprar carne nesta quinta-feira (24) e encontrou o dono do açougue baixando as portas por falta de mercadoria. “Consegui comprar no supermercado, mas normalmente pago R$ 18 pelo quilo, e agora paguei R$ 26”, contou. No Mercado Central de Belo Horizonte, os lojistas já começam a se preocupar em não ter o que vender. “Tenho produto para, no máximo, dois dias. Já tive aumento de quase 90% do preço do morango”, disse o dono de um hortifrúti Kris Julião. Na rede de supermercados Pão de Açúcar, dona do Extra hipermercados, já começou a faltar itens de hortifrúti, carnes e aves. O Carrefour afirma que ainda tem estoques, mas, por segurança, a rede decidiu limitar a compra a, no máximo, cinco unidades por pessoa.

A conta desse desabastecimento vai fazer a inflação disparar em maio e junho. “Não dá para estimar de quanto será o impacto, mas, com certeza, vai ser forte, pois, mesmo depois que a greve dos caminhoneiros acabar, esses preços demorarão um pouco para cair”, avaliou a coordenadora do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG), Thaise Martins.

De janeiro a abril, a inflação acumula alta de 1,18% na capital. Só produtos da Ceasa, como a batata, subiram mais de 100%. A gasolina já subiu mais de 20% só nos últimos cinco dias. Começou a semana custando, em média, R$ 4,43, e já tem posto cobrando quase R$ 6 em Belo Horizonte. Se falta produto, os preços sobem por causa da queda na oferta. Mas, segundo a economista, também existe uma inflação de oportunismo. “Em alguns casos, mesmo tendo estoque, os fornecedores enxergam ali uma oportunidade para cobrar mais”, explicou a economista. Ela lembra que alimentos e gasolina possuem os maiores pesos na composição da inflação.

A confeiteira Fernanda Vieira, 26, sofreu para encontrar botijão de gás nesta quinta-feira. “Tenho o costume de pagar R$ 65, mas, onde compro, ninguém sequer atendeu o telefone. Procurei em vários depósitos e, mesmo onde eu encontrava por R$ 95, já estava faltando. Com muito custo, consegui comprar por R$ 70, mas foram os dois últimos botijões do local”, contou a consumidora.

O proprietário de um hortifrúti próximo ao Mercado Central, Juliano Lima, afirmou que terá que abusar no preço ao consumidor. “Pagar R$ 18 em uma caixa de morangos não faz sentido. Não tem como vender uma bandeja a R$ 5 comprando matéria-prima assim. Infelizmente, tudo já está faltando. Dos 35 itens que vendo, já não tenho dez. O que tem vai ter que ser vendido mais caro até que essa greve acabe. Não tem como fugir disso”, disse o comerciante.

Salão. Natália é cabeleireira. Nesta sexta (25), ela terá que desmarcar clientes no salão. “O fornecedor me ligou e avisou que não tem como entregar os produtos que uso para fazer progressiva”, justificou.

A falta de produtos e o aumento de preços são reflexos da greve dos caminhoneiros, que começou na última segunda-feira, com o objetivo de baixar o preço dos combustíveis.

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