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Expectativa

Chance de liberação aquece mercado de armas de fogo

Lojas tradicionais de BH já investem em equipe e estoque de olho nas vendas

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Guilherme Casa Salles
Guilherme, da Casa Salles, está investindo em sistemas, contratação e uma nova unidade
PUBLICADO EM 06/01/19 - 03h00

A facilitação da posse de armas, promessa central da campanha de Jair Bolsonaro, ainda não saiu do papel. Mas, segundo o presidente, está bem perto e, mesmo sendo uma expectativa, já tem força para disparar o interesse e as vendas. Tanto que as lojas autorizadas a comercializarem armas de fogo já contabilizam crescimento nas vendas e estão aumentando o estoque e investindo em tecnologia e contratações. A Casa Salles, no centro de Belo Horizonte, modernizou o sistema, pretende contratar mais dez funcionários e está se preparando para lançar outra unidade ainda em 2019.

“Até meados de 2018, a gente praticamente não vendia arma. A partir de julho, com o crescimento do assunto, chegamos a vender quase uma por dia. Saltamos de cerca de uma para 30 armas vendidas por mês. Em dezembro, deu uma parada porque há expectativa de a carga tributária cair e ficar mais barato. Mas acredito que, após o Carnaval, as vendas vão disparar”, diz o proprietário Guilherme Salles.

O empresário destaca que o aumento da demanda está obrigando a loja a se mexer. “Não é somente pelas armas, mas, como estamos sendo mais procurados, temos que ampliar o mix de outros produtos também, para atender melhor o cliente”, explica.

Proprietário da loja Mário Caça e Pesca, no centro de Belo Horizonte, Renato Lúcio Domingues afirma que, desde novembro, houve aumento de pesquisas e prospecções na loja. “Nossa expectativa é que as vendas neste ano aumentem, sim. Não contratei mais pessoal ainda, mas investi no estoque. Na comparação com 2017, minha compra de armas no fim de 2018 foi 50% maior”, diz Domingues, que destaca que as armas representam entre 30% e 40% do seu faturamento total.

Também no centro, na Casa do Pescador, a expectativa é boa. “Existe uma procura represada porque, desde 2005, ficou muito difícil conseguir a autorização (de posse de arma), mesmo passando por todos os testes e trâmites burocráticos. Se, nesse período, vendi dez armas para civis foi muito. Nosso público são policiais civis, militares e agentes penitenciários”, afirma o proprietário Túlio Chiari.

Mudança. O comércio de armas é liberado no Brasil, mas existem restrições. A intenção de Bolsonaro é facilitar a aquisição. A posse depende da autorização da Polícia Federal (PF), expedida após testes psicológicos e treinamento de tiro. Após passar pelos testes, o cliente leva a autorização à loja, que emite a nota fiscal necessária para a PF emitir o registro. “Entre 30 e 45 dias, o cliente consegue levar a arma para a casa, mas a proposta do Bolsonaro é facilitar ainda mais”, diz Salles. As estatísticas sobre porte e posse de armas no Brasil foram solicitadas, mas a PF não respondeu.

Saiba mais

Preço

Nas lojas consultadas em Belo Horizonte, um revólver custa a partir de R$ 3.000; pistolas, de R$ 4.800 a R$ 5.200.

Contrários são maioria

De outubro para dezembro, o percentual de brasileiros contra a liberação das armas subiu de 55% para 61%, segundo pesquisa do instituto DataFolha.

Estados Unidos

O cidadão norte-americano sem histórico de crimes é livre para adquirir desde pistolas a fuzis de assalto. No país, as leis variam de acordo com cada Estado. O controle de antecedentes criminais pode levar de poucos minutos a alguns dias. Se a ficha for limpa, o negócio é liberado bem facilmente.



Por trás dos homicídios

A cada dez homicídios no Brasil, sete são por arma de fogo. Segundo o Atlas da Violência divulgado no ano passado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa é de 71,1%, o triplo em relação à média da Europa (19,3%). Segundo o documento, o enfoque no controle responsável e na retirada de armas de fogo de circulação deve ser prioridade das políticas de segurança pública, sobretudo onde as estatísticas são mais graves.

Posse

Quem concede: Polícia Federal
O que garante: Direito de ter uma arma em casa
Condições: Ter mais de 25 anos, ocupação lícita, residência fixa,
comprovar a capacidade técnica e psicológica para o uso do equipamento e declarar a efetiva necessidade da arma. Está em estudo a redução da idade mínima para 21

Porte

Quem concede: Polícia Federal
O que garante: Direito de levar a arma
Condições: Ter mais de 25 anos, ocupação lícita, residência fixa, comprovar a capacidade técnica e psicológica para o uso do equipamento e declarar a efetiva necessidade da arma. É proibido, exceto para Forças Armadas, polícias, guardas, agentes penitenciários e empresas de segurança privada

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