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Greve dos caminhoneiros

Comércio pede mais tempo para pagar imposto após perdas com greve

Segundo estimativa, varejo e serviços tiveram prejuízos de cerca de R$ 27 bilhões

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Inatividade. Sem receber coque da Petrobras, unidade da Ical segue com atividades paralisadas
PUBLICADO EM 03/06/18 - 03h00

Descapitalizados por não conseguirem vender seus produtos nos últimos dias por causa da paralisação dos caminhoneiros, comerciantes da capital querem o adiamento do pagamento dos impostos municipais, estaduais e federais. A prorrogação do prazo foi pleiteada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), que enviou, na última quarta-feira, ofícios ao presidente Michel Temer, ao governador Fernando Pimentel e ao prefeito Alexandre Kalil.

A entidade também pediu a suspensão, pelo tempo mínimo de 60 dias, do cadastramento de débitos dos contribuintes do varejo na dívida ativa e do protesto em cartório.

A medida se tornou necessária, conforme o vice-presidente da entidade, Marco Antônio Gaspar, já que as vendas no varejo tiveram recuo com a paralisação dos caminhoneiros. “O movimento caiu, já que o consumidor estava com dificuldade de se locomover pela cidade”, diz.

No país, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) estima que, de 21 a 28 de maio, os setores de comércio e serviços tiveram perdas de cerca de R$ 27 bilhões.

O presidente da CDL-BH, Bruno Falci, frisa que o setor precisa de tempo para ganhar fôlego e colocar os compromissos em dia. Dessa forma, a medida ajudaria a manter os empregos e a saúde financeira das empresas.

E a entidade do varejo da capital não é a única que deseja adiar o pagamento de tributos, a Federação das Indústrias dos Rio de Janeiro (Firjan) divulgou nota pedindo o adiamento por um mês do pagamento dos tributos.

Empecilhos. E se o comércio teve dificuldades para vender, as indústrias seguem com empecilhos para produzir, já que ainda faltam matéria-prima e insumos. A dificuldade para abastecer os caminhões e fazer as entregas persiste. Muitas plantas seguem paradas e contabilizam os prejuízos no faturamento.

Na Forno de Minas, que tem fábrica em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, o recuo na receita em maio é de 19%, conforme o diretor nacional de vendas a empresa, Luis Bastos. “Não tem como produzir, pois não temos diversos insumos, entre eles ovos e embalagens”, diz. Ele ressalta que os cerca de 350 funcionários da fábrica estão em casa. E a equipe de vendas não consegue desempenhar o trabalho de forma adequada em razão da falta de combustíveis.

No setor de fundidos, conforme o presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Afonso Gonzaga, a previsão é de recuo no faturamento em maio de 15% a 18%. “Anteontem começaram a chegar os insumos”, diz.

Normalização

Volta. A perspectiva da Suggar, única fabricante de eletrodomésticos do Estado, é que a produção possa ser normalizada no começo da próxima semana, segundo o fundador da empresa, Lúcio Costa.

 

Indústria mineira avalia prejuízos com a paralisação

E não foram só os consumidores de gasolina, etanol e diesel que amargaram a falta desses combustíveis. O coque verde de petróleo, principal insumo para a fabricação de cal – que é usada no tratamento da água, na produção do aço, na mineração de ouro e de alumínio, além do segmento de produtos químicos, entre outras utilidades –, também não está disponível no mercado e impede o funcionamento de diversas empresas.

A situação é avaliada como caótica pela presidente do grupo mineiro Ical, Ignez da Gama Guimarães Ramalho. Quase todas a plantas da empresa estão paradas por falta de coque, que é vendido pela Petrobras. “Estamos desabastecidos. Pagamos adiantado e ainda assim não recebemos o coque”, diz.

De acordo com a empresária, nos últimos três meses, a estatal vem racionando o fornecimento do coque, que já contabiliza alta de 159% no período de maio de 2016 a junho deste ano. No ano, a elevação do preço do insumo é de 51,4%. “Diante do cenário conturbado que temos, a Petrobras, mesmo assim, aumentou de novo o preço do coque. No primeiro dia deste mês, a alta foi de 8,6%”, frisa. Procurada pela reportagem, a Petrobras, por meio de nota, disse que não comentaria o assunto.

E a greve dos caminhoneiros vai atrapalhar o desempenho dos negócios relativos ao Dia dos Namorados, conforme Júnior César Silva, diretor executivo da indústria de calçados Crômic, de Nova Serrana, na região Centro-Oeste do Estado. Ele explica que, mesmo que os pedidos aumentassem, não há tempo hábil para produzir e entregar no varejo antes da data. “Perdemos oportunidade de vendas”, reclama.

A produção da fábrica foi reduzida em 50% desde a última segunda-feira e deve permanecer dessa forma até o próximo dia 11. “Faltam insumos, matérias-primas, que vêm de outros Estados”, diz. E o faturamento teve redução na casa dos 25%. “Tivemos pedidos cancelados, além de clientes pedindo para postergar o faturamento da compra”, diz.

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