Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Preço alto

Gasto com segurança penaliza empreendedor

Indústria da transformação gasta mais com segurança do que com pesquisa e desenvolvimento

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
segurança câmera
O custo da segurança no país foi equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, diz estudo da CNI
PUBLICADO EM 08/07/18 - 03h00

Muros altos, cercas elétricas, câmeras, vigias, vidros blindados. A falta de segurança muda a arquitetura de casas e prédios altera os hábitos das pessoas e prejudica os negócios, conforme especialistas em economia. A indústria da transformação brasileira, por exemplo, gasta mais em segurança do que com pesquisa e desenvolvimento. É o que mostra estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foram gastos R$ 30 bilhões com segurança em 2017, enquanto que com pesquisa e desenvolvimento, todos os ramos da indústria, incluídas também a indústria extrativa e da construção civil, gastaram R$ 12,5 bilhões, em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2016, uma em cada três empresas foi vítima de roubo, furto ou vandalismo.

Ainda conforme dados da CNI, no ano passado, o custo da segurança no país foi equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 365 bilhões. Se o valor fosse dividido entre os brasileiros, daria R$ 1.800 para cada um. A maior fatia do gasto é de custos privados, com R$ 264 bilhões.

O estudo da entidade mostra que o aumento nos casos de roubos de cargas, por exemplo, tem impacto direto no bolso do consumidor, uma vez que as perdas das empresas com mercadorias são repassadas para o preço final de bens e serviços.

Os prêmios de seguros de mercadorias chegam a alcançar 30% do valor da carga, além de consumir recursos das empresas que poderiam ser aplicados em outras áreas.

Em Belo Horizonte, no distrito industrial do Jatobá, na região do Barreiro, empresários conhecem os impactos negativos da violência nos negócios, com constantes assaltos, dificuldades para conseguir mão de obra mais qualificada e até mesmo para receber clientes. Os empresários, que pediram para não ser identificados pela reportagem, afirmam que se sentem “acuados” por causa da violência no local. De acordo com eles, a situação piorou a partir de 2009 com as invasões, que inclusive foram parar na Justiça.

A reportagem procurou a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), que administra o distrito, que, por meio de nota, informou que é “sensível à antiga questão das invasões no distrito” e que o governo mineiro assegurou a permanência na região de uma base móvel da Polícia Militar, dentro do programa +Segurança, com funcionamento todos os dias.

A Codemge acrescenta que o distrito integra o Programa de Revitalização e Modernização de Distritos Industriais, lançado em 2015 em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Minas Gerais (Sebrae-MG), para fomentar o desenvolvimento industrial. “Os planos de ação já foram concluídos e entregues pela Fiemg. A Codemge iniciou o planejamento para execução das ações prioritárias em diversos distritos”, diz a companhia em trecho da nota. 

Reflexo na produtividade dos trabalhadores é grande

A falta de segurança tem reflexos negativos na produtividade do trabalhador, alerta o gerente executivo de pesquisa e competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. “Ele pode ser obrigado a se ausentar do trabalho. Fora ainda as preocupações com ele mesmo ou seus familiares, o que dificulta a concentração no trabalho”, diz. A entidade ressalta que, embora não haja uma estatística do número de dias de trabalho perdidos por conta de restrições no ir e vir, dados oficiais mostram mais 56 mil internações relacionadas a agressões em 2015.

E, para se sentir mais seguro, o diretor da SOS dos Elevadores, Felipe Rabelo Pires Martins, conta há pouco mais de um ano com os serviços de monitoramento de uma empresa. “É necessário como um seguro de carro”, diz.

Seguro alto pesa no valor do imóvel 

A violência têm diversos impactos para a sociedade, como os custos hospitalares e dos processos jurídicos, observa o professor de economia internacional da Fundação Dom Cabral (FDC) e ex-diretor do Banco Mundial, Carlos Braga. “A cotação do seguro de um carro vai ser influenciada pelo nível de violência de uma localidade. O valor de um apartamento pode cair se nas proximidades do imóvel começar a ter mais violência”, observa. 

Ele acrescenta que a falta de segurança afeta a competitividade do país, já que aumenta os custos privados. “As notícias ruins que chegam a outros países podem desestimular os turistas. Logo, impacta o turismo”, analisa. Para o gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI, Renato da Fonseca, uma solução para a segurança pública começa pela governança. “É preciso ter coordenação das ações entre os diversos entes federativos”, diz.

O que achou deste artigo?
Fechar

Preço alto

Gasto com segurança penaliza empreendedor
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter