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No epicentro do “apagão”

Presidente da Petrobras, Parente também esteve na crise de energia na era FHC

Ele tem sido pressionado por políticos, sindicalistas e membros da sociedade civil para deixar o cargo, que assumiu em maio de 2016

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Pedro Parente
Entre 1999 e 2002, Parente chefiou três ministérios (Casa Civil, Minas e Energia e Planejamento) e foi considerado como um dos nomes preferidos dos tucanos
PUBLICADO EM 29/05/18 - 03h00

Quem conduz hoje a Petrobras neste momento de turbulência, por conta da greve dos caminhoneiros, é um velho conhecido nos meios político e financeiro por ser expert em crises. A mais emblemática ocorreu há 17 anos, quando Pedro Parente esteve à frente de outro importante processo de racionamento pelo qual passou o país: o apagão da energia elétrica. Na ocasião, chefe da Casa Civil durante o governo FHC, ficou conhecido como o “ministro do apagão”. Hoje, é o inimigo número 1 dos manifestantes.

Ele tem sido pressionado por políticos, sindicalistas e membros da sociedade civil para deixar o cargo, que assumiu em maio de 2016. A insatisfação levou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, vir a público nessa segunda-feira (28) para dizer que a possibilidade de Parente deixar a presidência da Petrobras não está em discussão. A origem do conflito se dá pela política de preços de combustível implantada pelo empresário, que passou a ser definida pelo preço do petróleo no mercado internacional.

A reportagem conversou com pessoas que conviveram com ele, inclusive na época do apagão. E, por conta de seu histórico profissional, o empresário é classificado como: “amado pelo mercado e odiado pelos sindicalistas”. Ele é visto no meio profissional como alguém que não cede a pressões externas, como de trabalhadores. “A prioridade dele é o lucro. Em empresas públicas, ele pratica políticas de empresas privadas. É difícil tirá-lo do eixo. A vida dele é mexer com grandes cifras. Chega a ser arrogante”, contou uma pessoa que conviveu com ele no governo tucano.

Entre 1999 e 2002, Parente chefiou três ministérios (Casa Civil, Minas e Energia e Planejamento) e foi considerado como um dos nomes preferidos dos tucanos. Não por menos, em 2001, foi nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para coordenar o comitê responsável por administrar a crise de energia elétrica e organizar o racionamento.

Após deixar o governo, passou pelo comando de diversas empresas e fez jus à fama de cuidar de riquezas. Em 2014, atuou na Prada Assessoria – consultoria criada pela mulher dele, Lucia Hauptman –, especializada em fortunas de cerca de 20 famílias.

O deputado federal Marcus Pestana (PSDB) conhece Parente desde 1997 e o classifica como um excelente executivo e gestor. “É uma pessoa extremamente inteligente, tem uma liderança muito forte, sereno, maduro e convicto. Ele estava fazendo a coisa certa; o equívoco do governo foi fazer a recomposição em poucos dias do preço, precisava dar uma previsibilidade”, avalia.

Nilmário Miranda (PT), que era deputado federal na época do apagão, disse que Parente é do “mercadismo”: “Ele foi o pivô do apagão com seu mercado radical. E agora é isso de novo”. 

“Gestor eficiente fica”, diz Padilha

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse nessa segunda-feira (28) que a possibilidade de Pedro Parente deixar a presidência da Petrobras não está sequer em discussão no governo. Ele afirmou que o empresário “mostrou que está literalmente afinado” com a intenção do presidente Michel Temer de colocar a estatal entre as maiores empresas do mundo. “Para nós, ele é um gestor eficaz e eficiente”, elogiou.

Parlamentares da oposição e até da própria base já fazem coro para derrubar Parente. Para o deputado feral Júlio Delgado (PSB), “o trabalho agora é ‘fora, Parente’”. “Ninguém tem que pagar essa conta”, disse. O deputado federal Lincoln Portela (PR) evitou colocar a culpa somente no presidente: “Se for demitir o Parente, tem que demitir o governo inteiro. Seria um bom momento”, declarou.

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