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Privatização do Bemge: o prejuízo foi de todos

Ao acabar com a função social do Bemge, o Itaú deixou órfãs centenas de cidades que tinham no banco do Estado a única instituição financeira do lugar

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Privatização do Bemge: o prejuízo foi de todos
Ao acabar com a função social do Bemge, o Itaú deixou órfãs centenas de cidades que tinham no banco do Estado a única instituição financeira do lugar
PUBLICADO EM 08/09/07 - 17h58

Aprivatização de um dos mais tradicionais bancos mineiros, o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), concretizada em 1998 pelo então governador Eduardo Azeredo (PSDB), trouxe prejuízos irreparáveis para a população mineira, bancários, usuários e clientes. O processo aconteceu no embalo da política neoliberal entreguista do governo Fernando Henrique Cardoso, que só não privatizou a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil porque os sindicatos de bancários de todo o país se mobilizaram e saíram às ruas para defender o patrimônio da sociedade brasileira.

Quando foi vendido ao Itaú pela bagatela de R$ 538 milhões - sendo que o governo já havia investido cerca de R$ 1,2 bilhão para "saneá-lo" - o Bemge figurava entre os 20 maiores bancos do país e atuava, sobretudo no segmento do varejo bancário, concentrando sua rede de atendimento e a maior parte de sua clientela em Minas Gerais. O processo de privatização alterou profundamente a estrutura do banco com conseqüências sociais irremediáveis. Só para se ter uma idéia, a rede de atendimento, que era de 489 agências e 235 postos em 1994, foi drasticamente reduzida a 472 agências em 1997. Isso sem contar a demissão em massa de bancários ocorrida nesse período que reduziu o quadro de pessoal de 11.012 em 1994, para 7.104 funcionários na época da privatização. Durante todo esse processo não foram poucas as ações do sindicato na tentativa de impedir a venda do Bemge, pois avaliava que o governo do Estado entregaria ao banco Itaú um patrimônio que pertencia a toda sociedade mineira a preço de banana.

E foi o que aconteceu. Tanto é que o balanço divulgado pelo Itaú após a privatização mostrou que somente no primeiro semestre de 1999, o lucro do banco havia atingido R$ 473 milhões, o que praticamente saldava o valor gasto na compra. Mas o sindicato não criticava somente o valor pago pelo Itaú, mas questionava também a lisura da operação e o destino do dinheiro recebido pelo governo estadual. Denunciava que a licitação não havia sido feita de forma transparente, pedia acesso aos documentos do leilão, o que foi negado e chegou até a impetrar uma liminar visando conhecer o conteúdo da privatização, mas tudo foi em vão. Ao acabar com a função social do Bemge, o Itaú deixou órfãs centenas de cidades que tinham no banco do Estado a única instituição financeira do lugar. O sindicato intermediou audiências públicas na Assembléia Legislativa na tentativa de reverter a situação destas agências que cumpriam função social, mas o Itaú não cedeu. Em apenas um ano, de outubro de 1998 a setembro de 1999, a privatização Bemge deixou desempregados mais de 2.000 funcionários, demitidos pelo Itaú.

E o que é pior, o fundo de pensão dos bemgeários, avaliado em R$ 600 milhões, foi incorporado ao Itaúbanco que até hoje não admite abrir o valor atual deste patrimônio, que é de todos os funcionários. Portanto, a experiência deixada pela privatização do Bemge mostra que, além dos prejuízos sociais, os funcionários foram os grandes prejudicados, ao terem o Plano de Saúde desmontado. Além disso, com as alterações das regras de aposentadorias, milhares de aposentados foram excluídos do Fundo de Previdência e com o encerramento de todas as atividades do banco fora do Estado, 20% dos funcionários foram demitidos.

Economista e presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região

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