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Greve dos caminhoneiros

Setor do aço perde R$ 3,5 bi

Fiemg afirma que tabela do frete é inconstitucional e promete briga judicial

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Sem planos. Indústrias de aço reclamam de mudanças constantes de regras, que dificultam investir

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PUBLICADO EM 13/06/18 - 03h00

A indústria do aço já fez as contas do prejuízo com a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias, no mês passado. Somente com a paralisação, o setor teve perdas de R$ 1,1 bilhão. Somando o tabelamento do frete, fruto do acordo para acabar com a paralisação, e a mudança da alíquota do Reintegra de 2% para 0,1%, que veio como compensação pelo desconto no preço final do diesel, são R$ 3,5 bilhões, nos cálculos do Instituto Aço Brasil. Só alto-fornos abafados, no país, foram 15. O alto-forno é a parte da siderúrgica onde o minério é fundido. Reativar uma estrutura dessas é um processo que leva meses e consome muito dinheiro.

Diante de indefinição quanto ao frete – já são 40 ações na Justiça – e da alteração do programa Reintegra, a entidade vai revisar a previsão de produção de aço e das vendas externas, segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, que esteve nesta terça-feira (12) na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.

O Reintegra é um programa que “devolve” aos empresários uma parte do valor exportado em produtos manufaturados em créditos de PIS e Cofins. Até o fim de maio, essa devolução estava fixada em 2%. Mas, a partir de junho, caiu para 0,1%. 

O segmento do aço foi surpreendido com a decisão do governo, já que negociava exatamente o contrário: o aumento da alíquota de 2% para 5% como forma de amenizar o impacto da restrição imposta pelos Estados Unidos ao produto brasileiro. Só a ArcelorMittal teve redução de 50% nas vendas para o país. A Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB) estima perdas de R$ 13,3 bilhões com a alteração do programa. A entidade também prevê fechamento de 105,4 mil postos de trabalho. 

O tabelamento do frete e a mudança na alíquota do Reintegra prometem ir parar na Justiça. O presidente do Instituto Aço Brasil frisou que o setor apelou para a judicialização para reverter as medidas. “Nós trabalhamos com a ideia de judicialização porque entendemos que a única maneira efetiva para se acabar com o Reintegra seria uma reforma tributária bem executada, não apenas em uma canetada”, frisa. Ele explicou que várias empresas da base do instituto devem ingressar na Justiça. 

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirma que a entidade já tem uma ação judicial preparada. E ressalta que o caminho da Justiça será procurado sempre que o diálogo não for possível. Ele argumenta que, no caso do frete mínimo, há desrespeito à Constituição. “O tabelamento é inconstitucional, vivemos numa economia de livre concorrência, os preços são livres”, disse.

O CEO da ArcelorMittal Aços Longos América do Sul, Central e Caribe, Jefferson de Paula, disse que mudanças constantes de regras dificultam a tomada de decisões, como é o caso de investimentos de R$ 1,5 bilhão na unidade de João Monlevade, na região Central do Estado.

Na calculadora. Considerando todos os setores, a equipe econômica do governo estima que a greve dos caminhoneiros custou ao país R$ 15 bilhões, ou 0,2% do PIB. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, admitiu que o governo poderá rever para baixo a previsão oficial para o crescimento da economia neste ano, que está em 2,5%. As previsões são reavaliadas a cada dois meses na programação orçamentária.

 

Petrobras apoia ANP na consulta pública

Brasília. O presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, disse nesta terça-feira que a companhia dá apoio à decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de abrir uma consulta pública sobre a periodicidade do reajuste dos combustíveis e vai contribuir para as discussões com a agência reguladora e com membros da sociedade. Monteiro fez uma visita de cortesia ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), um dos críticos dos aumentos considerados excessivos no preço dos combustíveis e que nesta terça voltou a defender controle sobre os reajustes.

 

Monteiro informou a Eunício sobre a iniciativa da companhia de abrir o mercado de refino no Brasil, em busca de parceiros em refinarias no Sul e no Nordeste. Ele também comentou o apoio à ANP na consulta pública e disse que a Petrobras vai passar informações de mercado.

Gasolina

Redução de preço. A Petrobras anunciou queda de 1,05% no valor da gasolina nas refinarias a partir de quarta-feira (13), para R$ 1,9873. Já o preço do diesel segue congelado em R$ 2,0316.

 

Greve fez venda de etanol cair 6,45% em maio

São Paulo. Com a greve dos caminhoneiros, a venda de etanol caiu 6,45% em maio. O volume total de etanol comercializado pelas usinas do Centro-Sul nos mercados interno e externo em maio, segundo mês da safra 2018/2019, foi de 1,992 bilhão de litros, em comparação com 2,130 bilhões de litros em igual período de 2017, informou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). 

Na segunda metade do mês o volume total comercializado foi de apenas 858 milhões de litros, ante 1,134 bilhão de litros na primeira quinzena de maio. “Embora em plena safra e com produção crescente de etanol, as distribuidoras não conseguiam retirar o biocombustível nas usinas e destilarias”, informou Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica. Usinas deixaram de moer 13 milhões de toneladas de cana com a greve. Segundo a entidade, as unidades deixaram de entregar 300 milhões de litros de etanol hidratado e 150 milhões de litros de anidro.

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