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Análise

Atentado expõe a vulnerabilidade dos países europeus

Deficiências do processo democrático no continente fomentam o terrorismo, diz especialista

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Objetivo dos terroristas é amedrontar a população, diz especialista
PUBLICADO EM 18/08/17 - 03h00

A cada 46 m, uma vítima. E, ao final de 600 m, pelo menos 13 mortos e mais de cem feridos. O rastro de destruição provocado pela van que atropelou várias pessoas em uma das vias mais movimentadas de Barcelona expôs mais uma vez a Espanha – depois de mais de 13 anos, quando o alvo foi o metrô de Madri – à face do terror.

Esse atentado evidencia ainda a vulnerabilidade da Europa como um todo, na avaliação da coordenadora do curso de Relações Internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) em São Paulo, Marília Pimenta. “É um problema que demonstra os reflexos de uma política externa favorável ao combate ao terrorismo. Ou seja, o apoio que a Espanha dá aos Estados Unidos gera e pode gerar consequências em termos de segurança nacional”, diz.

Para Marília, mais do que questões políticas, esse tipo de terrorismo aponta as deficiências do processo democrático europeu. “Geralmente, os atos são provocados por jovens imigrantes de baixa renda, excluídos e marginalizados na sociedade. Tudo isso acaba gerando um caldeirão de fomento ao terrorismo”, analisa ela.

De acordo com o mestre em estudos regionais do Oriente Médio Jorge Mortean, historicamente os problemas vividos pela Espanha em seu território eram, na maioria das vezes, provocados pelos movimentos separatistas que envolviam a Catalunha e o País Basco – ambos ainda clamam por independência. “É muito cedo para dizermos para quê e por quê foi feito esse atentado em Barcelona. Mas a Espanha vem tomando medidas bem severas de segurança e inteligência desde o atentado no metrô em Madri, em 2004. Pode-se dizer que o ocorrido foi uma falha do sistema de inteligência espanhol”, aponta.

Mudança. As semelhanças entre os últimos ataques em países europeus, em que foram utilizados veículos como carros, caminhões e vans, provam que o terrorismo tem se adaptado à vigilância reforçada e buscado meios destrutivos que sejam mais difíceis de ser detectados. “É um tipo ação que não usa arma de fogo, não exige treinamentos, não tem alto custo, mas tem uma efetividade alta”, avalia Marília Pimenta.

Segundo ela, o ato terrorista não tem como alvo aquele que morre. “O terrorista mira aquele que sobrevive, que vê o noticiário. São as pessoas que vão ficando amedrontadas, as lideranças políticas e econômicas e a sociedade em geral. Esse temor é que é o alvo”, conclui.

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