Recuperar Senha
Fechar
Entrar

São Paulo

Delatores citam repasses ao PSDB

Ex-executivos da OAS e da Andrade Gutierrez apontam propinas a autoridades paulistas

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
José Serra
José Serra foi candidato ao governo de São Paulo em 2006, em campanha sob suspeita
PUBLICADO EM 18/02/18 - 03h00

SÃO PAULO. Ex-executivos da OAS e da Andrade Gutierrez afirmaram em depoimentos à Polícia Federal que pagaram propinas a autoridades de São Paulo, que, segundo eles, tinham como destino final a campanha do PSDB ao governo do Estado em 2006. Os depoimentos de Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-diretor da OAS, e de Flávio David Barra, ex-presidente da Andrade Gutierrez Engenharia, foram prestados no âmbito do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o atual senador José Serra (PSDB-SP), aberto com base na delação premiada da Odebrecht.

Lemos e David Barra confirmaram à PF acusações feitas por delatores da Odebrecht. Com a Andrade e a OAS, já são três empresas das cinco que lideraram as obras do Rodoanel paulista cujos ex-dirigentes admitiram pagamentos à campanha tucana como contrapartida pelos contratos.

O ex-diretor da OAS afirmou que empreiteiras fizeram um acordo em 2006 para o repasse de R$ 30 milhões ao ex-secretário de Transportes de São Paulo Dario Rais Lopes. Segundo ele, os recursos eram referentes a obras do Rodoanel e abasteceram o caixa 2 do PSDB.

Lemos disse ainda que parte dos valores foi repassada em espécie para Mário Rodrigues Júnior, então Diretor de Engenharia da Dersa. Outra parte, segundo ele, foi “transferida na forma de doações eleitorais ao PSDB devidamente registradas na Justiça Eleitoral”. Rodrigues Júnior foi citado por delatores da Odebrecht como destinatário de um repasse de R$ 1,2 milhão.

Lemos disse ainda que empreiteiras criaram um “grupo de trabalho” que chegou a sugerir aspectos do edital de licitação do Rodoanel. Segundo ele, os R$ 30 milhões seriam rateados proporcionalmente entre as empresas, conforme o valor de cada lote. O ex-diretor afirmou que coube ao consórcio OAS/Mendes Júnior, detentor do lote 5, realizar o pagamento de R$ 5,4 milhões.

Após a eleição de Serra ao governo estadual, os contratos com as empreiteiras pelo Rodoanel foram renegociados em 2007 pelo governo, o que levou a uma redução de 5% do valor global. Os delatores das empreiteiras afirmaram que, na época, o então diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, solicitou propina de 0,75% do total recebido por cada empresa vencedora dos lotes das obras do trecho sul.

O ex-diretor da OAS disse também à PF que a empreiteira usou, a partir de 2009, empresas do doleiro Adir Assad para realizar os pagamentos ao ex-diretor da Dersa. Assad tenta fechar acordo de delação premiada e citou pagamentos que chegam a R$ 100 milhões a Souza, como revelou o Estado em março de 2017.

Os interrogatórios foram anexados na investigação que tramita no Supremo, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Lemos compareceu de forma espontânea à Polícia Federal em Brasília em agosto de 2017 e seu depoimento foi entregue à Corte em janeiro deste ano. David Barra foi interrogado no dia 25 de janeiro. Ele teve sua delação homologada pelo Supremo em abril de 2016. Já o ex-diretor da OAS tentou, mas não conseguiu firmar acordo com o Ministério Público Federal (MPF).

Senador nega ilicitudes em campanha

O senador José Serra disse que “todas as suas campanhas eleitorais foram conduzidas dentro da lei, com as finanças sob responsabilidade do partido”. “E sem nunca oferecer nenhuma contrapartida por doações eleitorais”, ressaltou o tucano.

O ex-secretário de Transportes de São Paulo e atual secretário nacional de Aviação Civil, Dario Rais Lopes, negou ter pedido recursos ilícitos conforme depoimento de Carlos Henrique Barbosa Lemos, ex-diretor da OAS. “Ele cita um suposto pedido de R$ 30 milhões, feito por terceiros em meu nome. O pedido nunca existiu e os terceiros (‘representantes da Andrade Gutierrez’) não foram por ele identificados.” Os demais citados também negaram irregularidades.

O que achou deste artigo?
Fechar

São Paulo

Delatores citam repasses ao PSDB
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório

comentários (5)

Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter