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Kátia Abreu não descarta participação do MDB em governo de Ciro Gomes

Em entrevista à rádio Super Notícia 91,7 FM,candidata a vice-presidente listou nomes que, segundo ela, não podem mais fazer parte de uma aliança, mas disse ainda manter canais abertos com o resto do partido

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Senadora Katia Abreu
Senadora Katia Abreu, candidata a vice na chapa de Ciro Gomes, durante entrevista à rádio Super Notícia 91,7 FM
PUBLICADO EM 14/09/18 - 11h56

Candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT), a senadora Kátia Abreu (PDT) não rechaçou a possibilidade de que o MDB faça parte de um possível governo pedetista. Em entrevista à rádio Super Notícia 91,7 FM, no quadro Café com Política, Kátia Abreu listou nomes de emedebistas que, segundo ela, não podem mais fazer parte de uma aliança, mas disse ainda manter canais abertos com o resto do MDB.

A senadora também defendeu maior investimento em tecnologia para os pequenos produtores rurais e disse que será uma vice leal, mas sem deixar de lado suas próprias bandeiras. 

Kátia Abreu também pregou a "pacificação" da política no país e disse que não é o momento de se falar em esquerda ou direita, e sim apresentar propostar para a população.

Confira, na íntegra, a entrevista:

Que tipo de vice-presidente Katia Abreu vai ser, caso Ciro Gomes seja eleito?

Em primeiro lugar, uma pessoa fiel, ética, conhecedora de seu lugar, jamais intrometerei ou passarei a frente do presidente. O vice precisa saber qual é o seu lugar, mas também saber se impor para defender as suas ideias. No sentido, por exemplo, defender o setor agropecuário, a defesa das mulheres, então nada impede que eu seja proeminente, que eu possa trabalhar e ajudar Ciro, mas respeitando e sendo leal. Eu costumo dizer que, se eu fosse a vice de Dilma, não haveria impeachment jamais.

Você citou a ex-presidente Dilma Rousseff, que é candidato ao Senado aqui em Minas. Você foi ministra do governo dela, uma aliada ao longo da administração Dilma. O que você acha dessa candidatura de Dilma ao Senado aqui em Minas? Você torce pela vitória de Dilma?

Fico muito feliz em ver a Dilma em primeiro lugar nas pesquisas, de certa forma, não só por ela merecer isso, é uma pessoa competente e que vai honrar Minas, mas muito também pela minha luta. Dilma ser candidata e liderar as pesquisas demonstra que eu estava correta. Eu não a defendia só pela economia ou por política econômica, eu defendia uma pessoa correta e honesta. Tanto que hoje ela está livre para candidatar. Fico duplamente contente, porque mostrou que a minha luta valeu a pena. Ela está livre como um pássaro. 

Temos visto um duelo em busca dos votos da esquerda entre o Ciro e o Haddad, do PT. Você, antes de ser ministra de Dilma, foi uma senadora combativa contra o governo Lula, sempre se colocou a favor de pautas de direita. Isso pode afastar esse eleitorado?

Acho fundamental que a gente mostre que não está em pauta direita e esquerda. A população quando vota, quer sentir o que é essa dupla, o que esse candidato e candidata tem para melhorar o país. Qual a política para acabar com o déficit público, para diminuir o desemprego, como fazer uma saúde eficaz, uma segurança pública que protege, uma educação satisfeita. Então direita e esquerda é uma questão de filosofia, que devemos sim debater nos fóruns, nas academias, mas o povo quer saber o que temos de propostas. E tem que acabar com essa guerra. O Ciro tem uma proposta de unificar o país, essa questão de coxinha, empadinha, negros e brancos, um lado e outro, o brasileiro tá farto disso, exausto. A gente trabalha para unificar, não dá para ficar entre e o Atlético e o outro time, o Cruzeiro. Nós temos que torcer pela Seleção Brasileira, formar uma seleção vencedora, que não vai levar goleada da Alemanha. Temos que harmonizar o país respeitando as diferenças. 

Você deixou claro que vai respeitar as posições do presidente mas que vai defender as suas próprias bandeiras. Você já declarou ser a favor do porte de armas, um assunto polêmico, enquanto o Ciro é contra. Como será isso no governo? Vai tentar mudar a opinião dele?

A minha bandeira não é pelo armamento, das pessoas poderem se armar. Inclusive o Ciro já respondeu isso antes, eu até já coloquei uma reflexão sobre isso com ele. Eu disse que apenas em relação ao campo, aos produtores rurais, até por uma situação que aconteceu comigo, quando fiquei viúva aos 25 anos com dois filhos e grávida, e numa fazenda no ermo, sozinha e sem o 190 pra me acudir. Então considero que seja justo perguntar, por que você quer essa arma? A Polícia Federal tem que ser rigorosa mesmo, mas acho que tem que considerar esse risco de morar sozinho onde não tem a presença da polícia, mas sou contra radicalmente o armamento urbano e no campo a criação de milícias, sou a favor da paz como 90% dos brasileiros. 

O agronegócio é um assunto polêmico e você é da área. De maneira geral, o que você propõe e como seria sua participação enquanto vice nesta área?

O Ciro Gomes me convidou para escrever o plano de governo na área agropecuária, tudo, do pequeno ao grande, ao mercado internacional. Fizemos um documento muito interessante, ouvindo muita gente, e depois veio o convite para ser candidata a vice. No meu debate com ele a gente tem dois desafios enormes no setor, que é maravilhoso e dá resultado. Temos uma agropecuária bem sucedida porque tem muito acesso a tecnologia, tem renda para usar a tecnologia. E temos uma agricultura familiar que estão com uma renda muito baixa. Mas se a tecnologia serve pra A, tem que servir pra B. Temos que levar isso ao pequeno agricultor. As vezes ele não tem acesso pra comprar uma semente de milho que produz muito, eles ficam prejudicados pela falta de acesso a uma tecnologia. Uma vaca melhor que faz mais leite, uma matriz suína melhor, enfim, temos que garantir a eles o acesso. De onde tirei isso? Simples, é só olhar Paraná, Rio Grande do Sul, onde o sistema cooperativo proporcionou isso.

A senhora não vê como uma guerra a relação entre o pequeno agricultor e a grande indústria?

Não, temos países da Europa que são tão pequenos que eles têm que escolher, ou a grande indústria ou a pequena. Aqui nós somos um país gigante, tem espaço pra grande, pequena, média. Só reitero que não podemos defender as invasões de terra, isso é caso para políticas públicas. A invasão nos leva a um país subdesenvolvido e sem garantia de direitos. 

O convite do Ciro a você partiu justamente para atrair o voto do agronegócio? Sendo do mesmo partido, não agregou tempo de televisão ou dinheiro eleitoral.

Ele apenas me disse que eu reunia todas as condições para ser vice-presidente. Claro que Katia Abreu não é só CPF, não é só um mandato de senadora. Cada política tem suas especialidades, suas características. Está muito claro na cabeça da população que minha escolha se deu porque suo mulher, represento a mulher brasileira, e ele quis prestigiar também o setor mais importante da economia nacional, que eu conheço muito bem. A intenção dele é a melhor possível para o setor, até por isso tinha me convidado também para fazer o plano de governo da área. E podemos colaborar muito com isso, com o produtor rural, mas também contribuir depois no governo, dando as condições adequadas ao agronegócio e aos pequenos produtores. 

Você é senadora e sabe como funciona o Congresso. Você vê possibilidade de acabar com a política do toma lá dá cá? 

Temos experiências recentes no país que mostram o espírito estadista, político serve para servir. Se alguém faz algo diferente disso, precisa ser retirado nas urnas. Eu conversei com o prefeito Alexandre Kalil a respeito de como ele convive com os vereadores. A opção dele foi de não negociar cargos na prefeitura, mas prestigiar politicamente os vereadores em suas áreas eleitorais, com obras, isso é um exemplo de que o toma lá dá cá não é necessário, dá pra fazer de maneira republicana. O vereador quer obras. O Ciro tem condição moral para fazer isso que o Kalil está fazendo. Deputado, preciso do seu voto e vou valorizar o seu Estado, a sua região. Mas, claro, não dá para colocar na Educação alguém que não é especialista, não é da Saúde. 

Você mantém um canal aberto com o seu ex-partido, o MDB, para que ele venha participar de um governo Ciro Gomes?

Com certeza absoluta, tenho grandes amigos lá. Só não quero amizade com Temer, Geddel, Moreira Franco, Eduardo Cunha, Jucá, Padilha, essa turma que ajudou a destruir o país.

O Ciro costuma chamar o MDB de bando de ladrões, mas você aceitaria então essa outra parte do MDB como governo?

Quem escolhe com quem vamos articular não somos nós, é o povo brasileiro, que escolhe e elege os deputados e senadores. Então somos uma democracia, não é que escolhemos. Se temos este congresso, somos obrigados a conversar com os parlamentares, não significa que vamos entregar pedaços do Brasil a ninguém. O Brasil não funciona hoje porque cada partido quer um pedaço, um quer o coração, um quer o fígado, o pulmão. O corpo só funciona com tudo funcionando. E nós como médicos, enfermeiros do país, não podemos permitir isso. Ciro Gomes tem condições de fazer isso. Vamos fazer um governo decente, republicano, que o povo vai se orgulhar. Temos sempre que selecionar os melhores para as áreas, reunir com os partidos e debater quem eles indicam, quais setores querem ajudar a fazer parte. Isso até para fazermos uma seleção de que não rouba, de quem é decente. 

O PT participaria do governo Ciro?

Os parlamentares terão negociação no Congresso, participar em cargos eu não sei, não cabe a mim, mas comporemos um governo decente e transparente. Queremos que o povo brasileiro saiba que não queremos enganar ninguém, não queremos depois abrir as porteiras para desmandos, vamos ser um governo ético. Não precisamos nos antecipar agora a nada, se vai ser A, B ou C, até porque precisamos ver quais partidos vão querer participar do governo. Teremos muito trabalho para melhorar as condições e o bem-estar dos brasileiros.

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