Quando assumi o meu mandato, apesar de poder nomear 20 assessores e um motorista, assinei o compromisso de trabalhar com apenas seis pessoas.
Passado pouco mais de um ano de mandato, a equipe foi reduzida a cinco. E assim permanece desde então, trabalhando bem e produzindo com excelência o que se espera de um mandato parlamentar: técnica na produção legislativa, critério na avaliação de propostas e profundidade em fiscalização.
Desde o começo, o conceito que adotei foi o de que menos pessoas, se bem escolhidas, poderiam garantir um serviço de melhor qualidade do que um amontoado de gente contratada para fazer campanha antecipada para o vereador, como acontece em tantos gabinetes. Os tais assessores “de base” representam uma lógica inaceitável para mim. É dinheiro público custeando gente para agenciar favores e ludibriar a população, assumindo como realização parlamentar cada centímetro quadrado de asfalto, gota de tinta ou grama de medicamento investidos pelo Executivo em cada região – quem frequenta a Câmara já assistiu, por exemplo, a cenas lamentáveis de disputa entre os vereadores para saber quem é o responsável pelo asfaltamento de uma rua, a pintura de uma escola ou a simples poda de uma árvore.
Vivemos a República dos despachantes legislativos: um oceano de eleitos, com milhares de assessores, para mendigar favores nos órgãos públicos em favor dos seus amigos. Para o resto da população… bem, para eles há sempre a sorte…
Essa tônica, de que menos gente – capacitada e voltada à realização do que efetivamente importa poderia levar a resultados melhores – tem sido uma tônica para o meu mandato. Não sem razão já economizei mais de R$ 2 milhões em dois anos. Nessa mesma direção, em 2017, ao substituir o meu assessor de comunicação, abri um processo seletivo público, em três fases (currículo, entrevista e prova prática), contando com a participação de mais de 600 pessoas de todo o país e resultando na contratação de um profissional capacitado tecnicamente.
A experiência de seleção foi tão positiva que vários dos deputados eleitos pelo Novo, em 2018, estruturaram as suas equipes por meio de processos seletivos abertos. E, no Congresso Nacional, as vagas da assessoria ao bloco do partido estão todas sendo providas assim, pela escolha de gente capaz, para que mais possa ser feito com menos.
Precisamos incorporar na gestão pública a lógica da eficiência privada para que não apenas as pessoas se sintam desconfortáveis com o desperdício, mas também se sintam obrigadas a entregar mais do que o Congresso, a Assembleia e as Câmaras municipais têm conseguido. O Congresso custa mais de R$ 10 bilhões, a Assembleia de Minas, mais de R$ 1,5 bilhão, e a Câmara Municipal de BH, escandalosos R$ 240 milhões! Dinheiro que, na leitura da quase totalidade da população, tem sido jogado fora, anualmente…
Fica o desafio. O Parlamento tem de custar muito menos do que atualmente – eu diria que a proporção moralmente aceitável seria de pelo menos cinco vezes menos – e entregar muito mais do que tem feito até aqui.
O desafio é grande, mas não é para os outros. É para cada um de nós que, incomodados com o que vem sendo feito, tem de se dispor a cobrar e, cada vez mais, a partir para cima e entrar na política de cabeça, fazendo com que os bandidos saiam daqui por falta de espaço.
Nada mais poderoso para lavar a política do que a força da eficiência, da austeridade e do exemplo!
