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Nome de Ciro pode ser considerado pelo PT mais para a frente, diz Pimentel

"É meu amigo e um quadro político fundamental hoje. Se ele vai ter ou não o apoio do PT, a discussão não chegou nesse momento ainda", disse o governador de Minas Gerais

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PUBLICADO EM 15/07/18 - 13h15

Cercado por uma profunda crise fiscal e por denúncias de corrupção, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), aposta na vitória de um presidenciável de esquerda para melhorar a situação do estado, que pretende administrar por mais quatro anos. Seu principal adversário será o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

Se o registro da candidatura do ex-presidente Lula (PT) não for aceito, Pimentel avalia que seu partido deve considerar apoiar Ciro Gomes (PDT).

O sr. tem sido alvo por atrasos de repasses às prefeituras e de salários. Como resolver?

Pimentel - Não temos tido apoio do governo federal para nada. O estado está numa situação de completo desequilíbrio orçamentário. O grande problema é a Previdência pública. Sem ela, teríamos superávit de R$ 7 bilhões no ano passado. Com ela, há déficit de R$ 9 bilhões. Agora, falar que cortar despesa equilibra as contas... O candidato que disser isso não está falando a verdade.

Quais medidas o sr. tomou?

Pimentel - Estamos tomando. Só não tomamos mais porque a gente não consegue avançar com o governo, esse desastre chamado Michel Temer [MDB]. Fomos vítimas de um cerco brutal do governo. Estamos tendo que enfrentar esse déficit com os recursos disponíveis. E aí sou obrigado a parcelar salários.

O sr. tenta empréstimos via estatais e é travado na Justiça ou na Assembleia. Vai insistir?

Pimentel - Temos que insistir na estratégia de obter recursos extraordinários, que são legais.

O sr. diz que reduzir gastos não é suficiente, mas já recebeu dois alertas do Tribunal de Contas de que ultrapassou limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não cabe cortar despesas?

Pimentel - Como reduzir a despesa com pessoal? Queria que o TCE dissesse. Alguém demagogicamente pode dizer para extinguir cargos de confiança, cujo gasto é de R$ 17 milhões ao mês. A folha é de R$ 2,4 bilhões. Quando vejo pré-candidatos fazendo esse tipo de afirmação, me dá pena.

Mais quatro anos de Pimentel são mais quatro anos de salário atrasado?

Pimentel - Não, porque vamos conseguir receitas extraordinárias. Dia 31 de dezembro acaba o pesadelo Temer. Tenho certeza que o resultado da eleição tenderá para para o campo democrático-popular, que é onde eu me situo.

A três meses da eleição, o sr. não tem alianças definidas. Há isolamento?

Pimentel - Temos o PC do B, estamos em negociação avançada com PR, PV. Eu não me surpreenderia se o MDB fizesse aliança conosco apesar desses últimos desentendimentos. O MDB de Minas não é do Temer, são do nosso campo.

Já definiu vice?

Pimentel - Tenho carinho extraordinário pela Jô Moraes [PC do B], mas eu sei que ela quer o Senado. O MDB tem grandes nomes, o deputado Adalclever Lopes, presidente da Assembleia, é um nome qualificado para qualquer cargo. O PR tem o filho do Zé Alencar, o Josué, nosso amigo.

Houve boatos de que Dilma ou Josué disputariam em seu lugar.

Pimentel - É medo que eles têm de que eu seja candidato. Tenho uma notícia ruim para dar a eles: eu sou o candidato. E serei muito competitivo. Temos um governo que está mantendo o estado funcionando.

Como avalia o pedido de impeachment contra o sr. aceito na Assembleia?

Pimentel - É um incidente da vida parlamentar.

O sr. conversou com o presidente Adalclever sobre isso?
Pimentel - Não, aqui em Minas Gerais a gente não fala de assuntos polêmicos, a gente conversa de coisas mais amenas.

Teve algum acordo para o impeachment não avançar?
Pimentel - Não, acho que parou porque não tinha objeto. Se fosse levado a voto, seria derrotado.

Se continuar governador, a pauta da Assembleia vai continuar trancada?
Pimentel - A oposição fica mais valente na época das eleições, depois ela costuma aquietar.

A vinda da ex-presidente Dilma para disputar o Senado atrapalhou a aliança com o MDB?
Pimentel - Foi uma surpresa. Em um primeiro momento provocou um certo abalo nas conversas, mas logo se acomodou. Ela está muito bem nas pesquisas e vai nos ajudar. Essa é uma eleição de lado: os que estão com Lula, preocupados em recuperar o modelo distributivista, e outro lado dos golpistas, contra o direito dos trabalhadores.

O senador Aécio Neves (PSDB) está fragilizado em Minas, como vê isso?
Pimentel - Cada um responde pelo seu problema. Deixa as dificuldades deles lá com eles.

O sr. concorda em manter a candidatura do Lula a todo custo?
Pimentel - Eu não sei se ele está condenado, não transitou em julgado. Se há um questionamento, ele tem direito de registrar a candidatura.

O STF já interpretou a Constituição para adiantar a prisão.
Pimentel - Disse, e acho até que não deveria ter dito, que pode começar a cumprir pena a partir da segunda instância. E como a presidente Cármen Lúcia ainda não pautou a discussão de mérito, isso não está definido. Acredito que o Supremo não fará -agora vou cometer um uma ousadia- essa barbaridade.

O sr. é contra escolher um plano B?
Pimentel - Não está na hora disso. Se Lula for impedido, lá na frente, vamos ver o que fazer. Essa eleição vai ter um candidato com apoio explícito de Lula e acho que será eleito. Já tem a Manuela D'Ávila (PC do B), o Guilherme Boulos (PSOL), o Ciro Gomes (PDT). Pode ser que tenha mais um ou pode ser que um desses seja apoiado pelo presidente Lula.

Ciro diz que é difícil que o PT o apoie, mas o sr. diz que isso pode acontecer.
Pimentel - É meu amigo e um quadro político fundamental hoje. Se ele vai ter ou não o apoio do PT, a discussão não chegou nesse momento ainda. Lá na frente, se isso tiver posto, tenho certeza que o nome dele pode ser considerado.

O sr. é acusado na Operação Acrônimo por corrupção e caixa dois. Hoje são cinco denúncias, uma aceita. Como responde?
Pimentel - Pode até ser que sejam mais. Aquilo é uma armação do começo ao fim contra mim. Tudo ilegal, cheio de irregularidades. Depois de três anos e meio de investigação acintosa, arbitrária e perversa não tem nada contra mim. Temos depoimentos, inclusive de membros da Polícia Federal, dizendo claramente a armação que havia lá dentro.

O fato de os processos terem descido para a primeira instância é bom ou ruim?
Pimentel - Me dá o mesmo direito que qualquer outro cidadão brasileiro tem. Não tem benefício. O [Sergio] Moro está trucidando o presidente Lula e é juiz de primeira instância.

PERFIL

Fernando Pimentel, 67

É formado em economia pela PUC-MG. Lutou contra a ditadura militar como guerrilheiro e no movimento estudantil; ficou três anos preso. Foi prefeito de Belo Horizonte (2001 a 2009) e ministro do Desenvolvimento (2011 a 2014), no governo Dilma Rousseff (PT). Foi eleito governador de Minas em 2014, após um período de 12 anos de gestão do PSDB, com Aécio Neves e Antonio Anastasia.

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