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Portal Eleições Sem Fake desenvolve ferramentas para fiscalizar campanhas

Essa será a primeira eleição em que o impulsionamento de conteúdo na internet será permitido

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Notificação. Seguidores do presidenciável pelo PDT, Ciro Gomes, foram incluídos pelo Facebook
PUBLICADO EM 21/05/18 - 03h00

Para além de ocupar o protagonismo das próximas eleições presidenciais, as redes sociais serão também o espaço que possibilitará o desequilíbrio entre candidatos com diferentes potenciais econômicos, isso sem falar na propagação de notícia falsa.

Pode até ir além, sendo uma alternativa de um possível caixa 2 eleitoral. Para justamente trazer maior transparência ao jogo político no meio digital, o Departamento de Ciência da Computação da UFMG lançou o portal Eleições Sem Fake, com uma série de ferramentas que possibilita fiscalizar o que está passando pelo Facebook, pelo Twitter e, futuramente, até pelo WhatsApp. A perspectiva é que os dados coletados possam servir de base para a Justiça Eleitoral.

Essa será a primeira eleição em que o impulsionamento de conteúdo na internet será permitido, que é quando páginas ou perfis pagam às plataformas para que suas postagens alcancem um número maior de pessoas, ou perfis específicos. Porém, essas ferramentas podem apresentar distorções que desequilibrariam a disputa, e em uma eleição apertada poderiam até ser decisivas. Uma dessas distorções foi percebida pelas Eleições Sem Fake logo na coleta dos dados.

A página do pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) no Facebook não estava incluída na lista que conta com possibilidades de segmentação para impulsionamento de conteúdo. Ou seja, um possível anunciante poderia focar seus conteúdos para pessoas com interesse em todos os pré-candidatos, menos Ciro. “Isso por si só já gera uma desigualdade de condições de concorrência. Seja para o próprio Ciro, mas também para os demais candidatos. Por exemplo, um presidenciável que queira focar seus anúncios em possíveis eleitores de Ciro Gomes não conseguiria fazer isso”, disse o professor responsável pelo projeto, Fabrício Benevenuto. Após o Facebook ser notificado da ausência de Ciro, ele incluiu os seguidores do presidenciável pelo PDT como uma das segmentações possíveis para anúncios.

Benevenuto explica que esse é um dos exemplos que apontam a ausência de transparência nas redes sociais, apesar do protagonismo que elas deverão assumir durante a campanha. “A proposta do nosso projeto é justamente aumentar essa transparência. Temos uma série de ferramentas que possibilitam de alguma forma aumentar um pouco o controle do que está sendo realizado. Um sinal de anormalidade pode servir para embasar matérias jornalísticas ou até mesmo para ações da Justiça Eleitoral”, afirmou.

Umas das maiores preocupações é que, com o fim do financiamento privado de campanha e a liberação do uso de impulsionamento, as redes sociais podem ser uma forma de fazer caixa 2. Isso porque conteúdos favoráveis a um determinado candidato poderão ser impulsionados por pessoas e páginas não necessariamente ligadas aos comitês de campanha. “Ou seja, em vez de fazer a doação diretamente à campanha, empresas podem maquiar esse apoio fazendo o impulsionamento de noticias favoráveis a um determinado candidato, não necessariamente notícia falsa. Será muito difícil fazer esse controle”, explica o professor.

Uma das ferramentas disponibilizadas pelas Eleições sem Fake é um plugin que, ao ser instalado, permite que a pessoa monitore todas os anúncios que são direcionados para ela. Ela inclusive poderá saber por quais motivos aquele conteúdo impulsionado foi direcionado. “Por exemplo, se você começar a receber um número grande de anúncios porque curtiu uma página de um determinado presidenciável, já pode ser indício de algo anormal”, afirmou.

 

Site analisa os pré-candidatos

Entre os presidenciáveis, Manuela D’Ávila (PCdoB) é a que conta com o maior percentual de mulheres entre seus seguidores. Já Alvaro Dias (Podemos) é o mais popular entre os mais velhos, enquanto Fernando Collor de Mello (PTC) é campeão de curtidas entre as pessoas com menor faixa de renda, segundo o site Eleições Sem Fake.

Na plataforma, é possível analisar cada pré-candidato com base em renda, faixa etária, região do país, gênero e status de relacionamento. Esses são dados que o Facebook disponibiliza para possíveis anunciantes e que foram coletados pelo site Eleições Sem Fake, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. Eles podem orientar o impulsionamento de conteúdo com objetivo eleitoral.

Por exemplo, um candidato pode querer mirar sua propaganda para homens que seguem o ex-presidente Lula. As informações também podem mostrar de quais segmentos determinado candidato conta com maior simpatia e de qual ele tem uma maior rejeição.

Entre os seguidores de Manuela D’Ávila (PCdoB), 62,9% são mulheres. Em segundo lugar nesse segmento, aparece Fernando Collor (PTC) com 58% dos seguidores, seguido por Marina Silva, com 51,2%.

Já entre os homens, o líder disparado é Jair Bolsonaro (PSL) com 72,1% dos seus seguidores nesse segmento. Depois aparecem Cristovam Buarque (PPS) (62,5%) e Michel Temer (MDB) (56,5%).

Quando se analisa a faixa de renda, Lula, Collor e Bolsonaro estão praticamente empatados, entre os que ganham até R$ 4.000. Todos eles contam com 46% dos seu seguidores nesse perfil. Quando se analisa a faixa de renda mais alta, entre os que recebem de R$ 10 mil a R$ 20 mil, Alvaro Dias (Podemos) e Cristovam Buarque (PPS) têm 16%. Em terceiro lugar aparece Fernando Haddad (PT), com 14%.

Outro dado interessante é o impacto regional no perfil dos seguidores. No Norte e no Nordeste, Lula e Marina (Rede) se destacam. O petista lidera no Nordeste com 30% dos seus seguidores sendo dessa região. No Norte estão 8%. Já Marina Silva tem 25,9% do total de curtidas de sua página no Nordeste e 7,8% no Norte.

No Sudeste, os paulistas são os que tem mais força. Geraldo Alckmin (PSDB) é o que tem o maior índice de seguidores na região, 75%. Em segundo lugar está Fernando Haddad, com 71%. 

No Sul, Alvaro Dias e Manuela D’ Ávila lideram, com 33% e 31%, respectivamente. No Centro-Oeste, quem se destaca é Cristovam Buarque com 11,5%.

 

Recursos verificarão utilização de robôs

Outras ferramentas do portal Eleições Sem Fake atuam no Twitter, e agora começará a ser testado um monitoramento no WhatsApp. O objetivo é verificar o impulsionamento de notícias falsas ou a utilização de robôs para intensificar a discussão sobre um determinado assunto.

O professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG Fabrício Benevenuto afirma que perfis falsos têm grande influência nos temas mais comentados no Twitter, conhecidos com trendig topics. “Conseguimos perceber que, entre os perfis que comentam os assuntos mais falados no Twitter, 20% são robôs. Esse percentual pode fazer a diferença na lista que ordena os temas mais discutidos na plataforma”, explica.

No site Eleições Sem Fake, o usuário pode colocar a hashtag de um trending topics no Twitter, e a plataforma mostrará se robôs ajudaram a promover o assunto e qual foi esse percentual. “Levamos em consideração uma análise de perfis que permite identificar se é ou não um robô. Por exemplo, se esse perfil realiza postagens seguidas em um pequeno intervalo de tempo”, explica. 

Agora está sendo testado um sistema que monitora as mensagens compartilhadas em grupos públicos de WhatsApp. Benevenuto diz que a ideia é ter uma dimensão da propagação de notícias falsas no aplicativo, mesmo sem analisar as mensagens privadas que podem ser realizadas nele.

Ferramenta vê divulgação na mídia

Comparativo. Uma das ferramentas disponíveis pelo site Eleições Sem Fake permite comparar como cada veículo midiático fez a divulgação de um determinado assunto. Basta digitar o fato que se quer pesquisar e selecionar dois veículos de mídia. Em seguida aparecerá a publicação de ambos lado a lado.

Diversidade. Segundo Fabrício Benevenuto, a ideia é possibilitar que os leitores possam ter acesso a outras perspectivas de interpretação sobre o mesmo assunto.

Audiência. Outra possibilidade permitida pela plataforma é analisar o perfil dos seguidores das páginas dos veículos de comunicação. 

Políticos. Além dos presidenciáveis, a plataforma também permite analisar os perfis de seguidores de outros políticos brasileiros.

Saiba mais

Site. As ferramentas disponibilizadas pelo Eleições Sem Fake estão disponíveis no site: www.eleicoes-sem-fake.dcc.ufmg.br

Checagem. Na semana passada, o Facebook iniciou o serviço de checagem de notícias falsas. A rede social fechou uma parceria com as agências de checagem Lupa e Aos Fatos. Nos casos em que houver denúncias de disseminação de fake news, essas agências farão o trabalho de apuração para saber se a notícia é mesmo falsa. Se for, elas terão sua divulgação reduzida, e o Facebook não aceitará impulsionamento para essas postagens.

 

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