Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Desabafo

Preso, Cabo Júlio diz em carta que vive seu pior momento

Deputado cumpre pena por envolvimento em esquema de corrupção conhecido como “Máfia dos sanguessugas”, em que ele desviou recursos públicos da saúde por meio de emendas parlamentares

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
cabo júlio
Documento. Carta de Cabo Júlio foi lida na manhã de quarta-feira durante sessão na Assembleia Legislativa
PUBLICADO EM 14/06/18 - 03h00

Preso desde a última sexta-feira, o deputado estadual Cabo Júlio (MDB) enviou uma carta a seus pares na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) afirmando que está vivendo o pior momento de sua vida. Ele revelou que sentiu vontade de se matar, mas recuou ao pensar no filho. O documento foi lido nesta quarta-feira (13) no plenário da Casa, pelo líder de governo, Durval Ângelo (PT).

Por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), o parlamentar está preso no 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros, no bairro São Francisco, na região da Pampulha. O político é acusado de envolvimento no esquema de corrupção conhecido como “Máfia dos sanguessugas”, em que ele desviou recursos públicos da saúde por meio de emendas parlamentares. Na época, Cabo Júlio era deputado federal.

O político contou que escreveu a carta do cárcere, na madrugada de sexta para sábado. No texto, o emedebista perde perdão “a todos pelo constrangimento” de ter sido preso no momento em que ocupava o cargo de deputado estadual. “Quem convive comigo sabe que não sou bandido e procuro tratar todo mundo com respeito”, garantiu.

Cabo Júlio revelou que soube pelos jornais que seria preso e se apresentou imediatamente, mas que achou a situação desesperadora. “Tive vontade de me matar, mas pensei no Gugu (filho). Lá no fundo do meu coração, eu acredito que Deus não desistiu de mim. No meio do caos, da angústia e do desespero, eu creio que posso voltar ao primeiro amor da minha fé”, disse.

No texto, ele lembrou de sua trajetória política e contou que, após liderar a greve da polícia, em 1998, foi eleito o deputado federal mais votado de Minas, em uma campanha feita com vendas de rifas no valor de R$ 1.

O deputado estadual também falou sobre sua relação com o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, que era dono da maior empresa de ambulâncias do país e foi condenado no esquema da máfia dos sanguessugas. Cabo Júlio disse que, na época, não pesava nenhuma acusação contra o empresário e afirmou que recebeu de Vedoin a doação de R$ 112 mil para a campanha de reeleição e que fez indicações de emendas parlamentares para a aquisição de ambulâncias, mas que não há nenhuma irregularidade. 

“Não acho que a Justiça tenha sido injusta, mas desproporcional, devido ao momento que vivemos. Um dos processos está prescrito e estou preso”, desabafou.

Trechos

“É desesperador. Tive vontade de me matar. Lá no fundo do meu coração, eu acredito que Deus não desistiu de mim.”

“Foram ouvidos prefeitos, vereadores e membros de comissões de licitação. Nunca nenhum deles me viu, me conheceu ou deu ou recebeu um centavo meu.”

“Está doendo muito. O desespero e a dor são muito grandes. Mas vai passar.”

Cabo Júlio (MDB)

O que achou deste artigo?
Fechar

Desabafo

Preso, Cabo Júlio diz em carta que vive seu pior momento
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório

comentários (15)

Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter