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Homem-bomba

Rigoroso, Sérgio Machado contava com padrinho ‘forte'

Ex-presidente da Transpetro era bancado por Renan

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Gravações de Machado derrubaram dois ministros de Michel Temer
PUBLICADO EM 06/06/16 - 03h00

Sérgio Machado se tornou o homem a provocar mais medo no meio político, superando até mesmo o juiz Sergio Moro, comandante da operação Lava Jato. As gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro que derrubaram dois ministros de Michel Temer foram capazes de mudar o clima em Brasília, provocando silêncio em um lugar onde o falatório é um hábito.

Entretanto, durante o período em que esteve no comando da estatal, Machado se destacava pela forma áspera de enfrentar adversários e pela determinação em buscar os resultados que se propunha.

Joacir Pedro, diretor da Federação Única dos Petroleiros, conta que Sérgio Machado não aceitava ser confrontado. “Era uma pessoa muito rigorosa com seus subordinados, que se impunha. Se um diretor batia de frente com ele, acabava detonado”, relata.

Para o sindicalista, que conta que foi pego de surpresa com o envolvimento de Machado com as investigações da Lava Jato, o comportamento do peemedebista era garantido graças às “costas quentes”, imposta pelo PMDB.

Pedro conta que os três últimos presidentes da Petrobras durante o governo do PT tentaram remover ou enfrentar o ex-presidente da Transpetro, sempre sem sucesso, graças à blindagem vinda de Brasília. “Todo mundo aqui sabia que ele tinha padrinhos fortes, que eram o Renan Calheiros (presidente do Senado, PMDB-AL) e o ex-presidente Sarney (PMDB-AP), que inclusive tinham gente aqui dentro”, afirma o sindicalista. “Mas, no sentido gerencial, ele fez uma grande gestão, que não podemos jogar por água abaixo”, diz o petroleiro, que relaciona os feitos de Machado com a sua forma de se impor.

Milhões. Em sua delação premiada, Sérgio Machado afirmou que pagou ao menos R$ 70 milhões desviados de contratos da Transpetro para líderes do PMDB no Senado. Segundo o relato dele, a verba ia para Renan, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e Sarney.

A maior parte da propina teria sido entregue para o presidente do Senado, sendo R$ 30 milhões. Renan é considerado o padrinho político de Machado e principal responsável por dar sustentação a ele no cargo, que ocupou por mais de dez anos.

O ex-presidente apontou ainda aos investigadores que Jucá e Sarney levaram do esquema R$ 20 milhões cada um. Não há detalhes sobre como Machado teria feito esses repasses, que foram desviados da empresa que é responsável pelo transporte de combustível no país.

Curiosamente, cabia ao ex-presidente da Transpetro o papel de quem sempre estava desconfiado com a possibilidade de ser pego em grampos. Eram constantes os pedidos de varredura em seu gabinete para procurar por escutas ilegais. 

Um comportamento que não chamava atenção, conta o ex-diretor Financeiro e Administrativo da Transpetro Rubens Teixeira da Silva. “Se ele fazia isso, eu não sei. Tem muita coisa que a gente vê depois e só tem a percepção quando as pessoas falam. Não ficamos ligados e podemos não perceber”, afirma Teixeira da Silva.

Escutas mudam rotina política

Brasília. Som ambiente alto, celulares guardados em caixas ou em salas separadas e até ordem para retirar os paletós. Essas são algumas das artimanhas que estão sendo usadas por alguns dos políticos em Brasília para escapar à epidemia de grampos e escutas que tomou contra dos corredores do poder nos últimos meses.

De acordo com reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, as estratégias já são usadas por ministros, senadores e até no gabinete presidencial.

Um ministro que recebeu um jornalista, por exemplo, só conversou após colocar jazz para tocar, ligar a televisão e ver se as cortinas estavam fechadas. “Só recebo gente assim”, disse.

No gabinete presidencial, de acordo com a reportagem, celular não entra. Os visitantes têm que deixar os aparelhos em uma antessala e só os recebem de volta na saída.

Já na residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos políticos que apareceram nas gravações do ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado, a situação é tratada de forma irônica. “Bem-vindo ao Big Brother Brasil”, teria dito Renan ao receber um senador, se referindo ao programa em que participantes de um reality show ficam confinados em uma casa cercada por câmeras.

O mais irônico é que o próprio Machado dava dicas de segurança sobre como prevenir escutas. Ao amigo de infância, o ex-presidente José Sarney, Machado teria dito que os celulares, mesmo desligados, podem ser usados para gravar conversas e recomendava que os aparelhos ficassem longe do onde as conversas aconteciam. Segundo a reportagem, Sarney está abatido com a “traição” do ex-amigo. 

Rede de relações

Graça barrada. O diretor da Federação Única dos Petroleiros, Joacir Pedro, conta que, quando foi presidente da Petrobras, Graça Foster tentou tirar Machado da Transpetro, mas não conseguiu. Ele disse que José Eduardo Dutra e Sergio Gabrielli, outros ex-presidentes, também não se davam bem com Machado.

Família. Três filhos de Sérgio Machado também falarão à Justiça. Além de Expedito Neto, o Did, Sérgio e Daniel foram incluídos na delação premiada do pai, homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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