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Rompimento

Após mineroduto romper, laudo vai apontar se há contaminação em rios

Equipe técnica da Semad sobrevoou a área impactada e constatou que os sedimentos que vazaram percorreram 7 quilômetros nos rios Santo Antônio e Casca

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mineroduto
De acordo com Semad, 7 km foram atingidos por rejeitos de minério
PUBLICADO EM 13/03/18 - 15h04

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais vai aguardar laudo para saber o nível da contaminação de rios da Zona da Mata atingidos por rejeitos de minério, após rompimento de um mineroduto da empresa Anglo American na segunda-feira (12). 

Equipe técnica da Semad sobrevoou a área impactada e constatou que os sedimentos que vazaram percorreram 7 quilômetros nos rios Santo Antônio e Casca.

O vazamento é de poupa de minério  e representa 70% de minério de ferro e 30% de água, segundo a Semad. Pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a classificação do resíduo é considerado “não perigoso”.  

“Foi possível verificar que os sedimentos que vazaram do mineroduto percorreram aproximadamente 7 quilômetros, nesses dois cursos d’água. Percebeu-se que o material mais pesado se sedimentou no leito do Ribeirão Santo Antônio, passando pela cidade de Santo Antônio do Grama. Já o material mais fino chegou a atingir o Rio Casca, porém bastante diluído”, diz trecho da nota enviada pela Semad.

Após o diagnóstico, a Semad vai definir se haverá punição para empresa.

O rompimento

O Minas-Rio, maior mineroduto do mundo, rompeu-se na manhã de segunda-feira (12). De Conceição do Mato Dentro, na região Central, até o porto do Açu, em São João da Barra (RJ), são 535 km. O vazamento aconteceu praticamente na metade do caminho, em Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata mineira, onde está a segunda estação de bombeamento.

Não houve vítimas, mas o abastecimento de água está comprometido. Só na cidade, são cerca de 4.000 habitantes. No entanto, Rio Casca, onde moram cerca de 15 mil pessoas, também deve ser afetada, além de imóveis rurais.

Assim que identificou o problema, às 7h42, a Anglo American comunicou à Copasa. A polpa de minério invadiu o leito do ribeirão Santo Antônio e o deixou totalmente vermelho. Às 10h,por medida de segurança, a companhia suspendeu a captação de água no local.

Na noite de segunda-feira, a cidade já estava sendo abastecida por meio de caminhões-pipa disponibilizados pela mineradora. “A água está sendo transportada da estação de tratamento de Rio Casca para a estação de Santo Antônio do Grama que, por enquanto, é a única afetada. Mas o ribeirão Santo Antônio deságua do rio Casca e a previsão é de que a polpa do minério chegue lá até a madrugada de amanhã (terça-feira)”, explica o coordenador da Defesa Civil de Santo Antônio do Grama, Gilvan de Assis.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) enviaram equipes técnicas ao local, para avaliar a qualidade da água e, juntamente com a empresa, com a prefeitura e com a Defesa Civil da cidade, montarem um plano de ação. “Só depois dessa análise será possível dar uma previsão do tempo que vai levar para normalizar o abastecimento. A empresa adiantou que isso pode demorar de dois a três dias”, ressalta Assis.

A mineradora destaca que a polpa de minério é classificada como resíduo não perigoso pela NBR 10.004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O Ibama afirma que não há substâncias químicas ou tóxicas e, apesar da turbidez, não há risco à saúde humana. Porém, segundo o ambientalista e coordenador do Projeto Manuelzão da UFMG, Marcus Vinicius Polignano, a lama de minério inviabiliza o tratamento da água. “A empresa deve ser responsabilizada e avaliar, por meio de análises técnicas e científicas, o dano e limpar o sedimento, retirar do leito do córrego o minério que ficar sedimentado”, explica.


Moradores cobram soluções e empresa paralisa atividades

A apreensão tomou conta dos moradores de Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata, que, agora, esperam medidas efetivas para a normalização do abastecimento e recuperação do rio. “A população depende desse ribeirão. Esperamos que as autoridades tenham responsabilidade, principalmente a Anglo, para sanar o problema do abastecimento da água e da degradação ambiental”, afirma a moradora Lizziane Ribeiro.

A Anglo paralisou todas as atividades na mina de Conceição do Mato Dentro até que as causas sejam esclarecidas. O Ibama disse que, a princípio, não pretende suspender a licença de operação e, posteriormente, avaliará sanções administrativas.

Fatos e ações

300 mil toneladas é a quantidade de material que vazou.

1.600 toneladas é a quantidade de polpa de minério que ainda está na tubulação e que a Anglo vai drenar.

Bacia. Para não atingir nenhum curso d’água local na retirada desse material, a empresa irá construir uma bacia de contenção.

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