Cinco anos após tragédia, Samarco detalha reinício de operações em Mariana
Reinício de operações foi anunciado no início do mês pela Prefeitura de Mariana, mas produção de pelotas de minério recomeçou nesta quarta-feira (23)

A tragédia da mineração que deixou 19 mortos em Mariana, na região Central de Minas Gerais, havia recém-completado cinco anos quando no início de dezembro o município assegurou o retorno das operações da Samarco no complexo de Germano. Doze dias após o anúncio, a produção das primeiras pelotas de minério na unidade de Ubu, no Espírito Santo, nesta quarta-feira (23), marca o retorno categórico – e gradual, segundo a direção da empresa – das atividades.
Em Mariana, o retorno será a partir de um concentrador no complexo de Germano e, em união com a usina de Ubu, espera-se que sejam produzidos oito milhões de toneladas de minério por ano.
Autorizações para reinício da operações foram concedidas há cerca de um ano e dois meses – em outubro de 2019 – pela Câmara de Atividades Minerárias do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) que decidiu pela concessão da Licença de Operação Corretiva (LOC) à mineradora.
Exatos doze meses depois, agora em outubro, a Samarco começou os comissionamentos a frio e a quente das estruturas do complexo de Germano para checar o funcionamento dos equipamentos e “garantir a segurança das operações”, como disse em nota encaminhada à reportagem à noite de quarta-feira. O retorno, segundo o diretor-presidente da mineradora, Rodrigo Vilela, será seguro e paulatino.
“Tomamos a decisão de retornar de uma forma gradual, com muita segurança e usando novas tecnologias. Este momento reflete o compromisso da empresa com o reinício sustentável, a segurança operacional, o meio ambiente e o relacionamento com as comunidades. Estamos comprometidos com uma mineração moderna, segura e sustentável”.
Frente à mudança, foi implantado um sistema que inclui filtragem de rejeitos para empilhamento à seco – a água extraída, de acordo com a Samarco, será reutilizada. Outro ponto de mudança, segundo a mineradora, gira em torno da segurança. Foi criado, disse a Samarco, o Centro de Monitoramento e Inspeção (CMI) que irá checar em tempo real a estabilidade de estruturas geotécnicas ligadas à mineração.
O retorno de operações da mineradora foi comunicado no início do mês pelo prefeito de Mariana, Duarte Júnior. À época, ele declarou que a população do município enxerga com bons olhos o reinício das atividades da Samarco, mas que também espera pela reparação integral de danos provocados pelo desastre de 2015 – o que, até então, não ocorreu.
A barragem de Fundão, gerida pela Samarco, rompeu-se em 5 de novembro daquele ano, e a tragédia deixou 19 mortos. Comunidades como Centro Rodrigues e Paracatu de Baixo foram engolidas pela lama, que atingiu também o rio Doce. Até agora, não foi concluída a reconstrução do Novo Bento Rodrigues, reassentamento que irá abrigar famílias que até hoje vivem de aluguel.
Posição
Em nota, a Fundação Renova, responsável pelos trabalhos de reparação do local, informou que ainda está empenhada na tentativa de minimizar os impactos provocados pela tragédia. Veja o posicionamento na íntegra:
"A Fundação Renova permanece dedicada ao trabalho de reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), propósito para qual foi criada.
Até 30 de novembro de 2020, foram destinados R$ 10,7 bilhões para as ações integradas de recuperação e compensação. Cerca de R$ 2,9 bilhões foram pagos em indenizações e auxílios financeiros emergenciais para cerca de 321 mil pessoas.
Os reassentamentos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana (MG), ganham forma nas primeiras casas sendo concluídas, nas ruas pavimentadas, bens coletivos em etapa final, vias iluminadas e obras de infraestrutura avançadas.
As obras foram adaptadas ao cenário da COVID-19. Cerca de 470 famílias participam ativamente do processo. A questão do prazo está sendo tratada no âmbito de uma Ação Civil Pública, tendo sido o juízo devidamente informado sobre os impactos da Covid-19 no andamento das obras desses reassentamentos.
A água do rio Doce pode ser consumida após passar por tratamento convencional em sistemas municipais de abastecimento, de acordo com os mais de 3 milhões de dados gerados anualmente pelo maior sistema de monitoramento de cursos d’água do Brasil. A Fundação também disponibilizou R$ 600 milhões para projetos de saneamento para os 39 municípios impactados.
Em 2020, uma ação integrada entre a Fundação Renova, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, com a participação do Fórum dos Prefeitos do Rio Doce, vai destinar cerca de R$ 830 milhões para investimentos em educação, infraestrutura e saúde na região impactada. Destes, já foram depositados cerca de R$ 480 milhões em juízo.
Na área de restauração ambiental, está em curso o reflorestamento de 40 mil hectares de Mata Atlântica na bacia do rio Doce".
Matéria atualizada às 10h de 24/12/2020.





