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Soterrados pela lama

Em Barão de Cocais, mais 248 pessoas são retiradas de casa

Uma nova inspeção será feita na mina neste domingo (10); ainda não há previsão de retorno

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Sob controle. Segundo a Defesa Civil, barragem de Itatiaiuçu está com a estrutura estabilizada
PUBLICADO EM 10/02/19 - 03h00

As famílias que tiveram que deixar suas casas por causa de risco de rompimento em barragens nos municípios de Barão de Cocais, na região Central de Minas Gerais, e Itatiaiuçu, na região metropolitana de Belo Horizonte, ainda não têm previsão de voltar para a casa. Ambas as estruturas, da Vale e da ArcelorMittal, respectivamente, permanecem no nível de classificação de risco 2, o que significa que houve inconsistência da leitura de aparelhos que atestam a estabilidade da estrutura.

Em Barão de Cocais, três pessoas permaneciam na área de risco até a tarde deste sábado (9). Elas foram localizadas durante um sobrevoo da Polícia Militar na região, e os órgãos de segurança iriam tentar convencê-las a deixar o local. No total, 487 pessoas foram removidas na cidade, nas comunidades de Socorro, Piteiras, Tabuleiro e Vila do Gongo, sendo que 243 foram encaminhadas para hotéis e 244 preferiram ficar em casas de parentes. Foram 248 novas remoções desde o balanço divulgado na tarde de sexta, que falava em 239 pessoas retiradas de suas casas.

De acordo com o major Eduardo Lopes, superintendente de gestão de desastres da Defesa Civil de Minas Gerais, uma nova inspeção será realizada neste domingo (10) na barragem Sul Superior, na mina de Gongo Soco, e pode definir o destino dos moradores. “A última inspeção oficial, que recomenda a evacuação, permanece, e uma nova inspeção está agendada para amanhã (domingo) ao longo do dia, por especialistas da empresa e da Agência Nacional de Mineração. O resultado pode provocar reações imediatas, desde a possibilidade de ocupação ou a permanência da evacuação”, afirmou.

Itatiaiuçu

A barragem de rejeitos de Serra Azul está sob controle, de acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais. O tenente Flávio Fagundes informou que 95 pessoas haviam sido retiradas de casa, na comunidade de Pinheiros, até a tarde deste sábado. Todas foram levadas para um hotel de Itaúna.

“A estrutura continua estabilizada. É uma questão de adequação às normas de segurança dos órgãos fiscalizadores e, assim que essa parte for resolvida e voltar ao nível 1, as pessoas poderão voltar para a casa”, informou, ressaltando que não há previsão de quando isso vai acontecer.

De acordo com a ArcelorMittal, a ação de evacuação decorre de uma inspeção e auditoria minuciosas da barragem. Neste sábado pela manhã o CEO da empresa, Sebastião Costa Filho, esteve na comunidade para prestar solidariedade e para se assegurar de que as medidas necessárias ao bem-estar das famílias estão sendo tomadas.

 

Moradores voltam para checar os animais

Moradores do povoado de Pinheiros, em Itatiaiuçu, que tiveram que deixar suas casas, puderam visitar o local para verificar a situação dos animais neste sábado. De acordo com a ArcelorMittal, eles vão poder levar os bichos de até 15 kg para o hotel em Itaúna: são cerca de 30 cães, 40 gatos e um coelho. Os animais de grande porte foram alimentados, e a remoção deles está sendo estudada.

Segundo o tenente Flávio Fagundes, da Defesa Civil do Estado, a visita foi realizada por 32 representantes das famílias. “Autorizamos os moradores a virem para mostrarem onde os animais ficam e que alimentos têm que ser trazidos. Vamos dar suporte para a remoção, observando a rota de fuga em caso de anormalidade”, afirmou.

Em Barão de Cocais, a prioridade é alimentar os animais nas áreas evacuadas. De acordo com a Vale, a Defesa Civil definiu um plano para atender e acolher os bichos e, caso a remoção seja necessária, eles serão levados para uma fazenda. Duas clínicas veterinárias foram contratadas pela empresa. (Aline Diniz/ RM)

Vale

A Vale afirmou que a evacuação das áreas próximas à barragem da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, é uma medida preventiva e que vai continuar “apoiando a população acolhida até que a situação seja normalizada”. Neste domingo, além da nova inspeção na mina, também está prevista uma visita do prefeito da cidade, Décio dos Santos, aos hotéis onde as famílias foram alocadas. Ele pretende ouvir as demandas gerais e específicas de cada morador.

Paracatu

O Ministério Público de Minas instaurou na sexta-feira (8) um procedimento para investigar a estabilidade e a segurança do maior complexo de barragens de rejeitos do país, em Paracatu, no Noroeste de Minas. Com licenças de instalação e funcionamento aprovadas pelo Estado, esse sistema integra as operações de mineração de ouro, sob a responsabilidade da Kinross Brasil Mineração. Moradores de Paracatu questionam a segurança das barragens e estão receosos com possíveis riscos no complexo.

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