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Saúde

Desnutrição infantil em Minas cresce e supera média nacional

Crise impacta no índice; mortalidade no Brasil sob pela 1ª vez em 26 anos

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Miséria. IBGE aponta que 1,49 milhão de pessoas atingiram a linha da extrema pobreza no ano passado
PUBLICADO EM 22/07/18 - 03h00

No ano passado, o número de crianças de até cinco anos que apresentaram quadro de desnutrição grave em Minas Gerais aumentou em quase 5.000 em relação a 2016. A crise econômica e o desemprego são apontados por especialistas como os vilões desta história, responsáveis também pelo aumento da mortalidade infantil em todo o território nacional. Pela primeira vez desde 1990, o país apresentou alta na taxa: foram 14 mortes a cada mil nascidos vivos em 2016; um aumento de 4,8% em relação a 2015, quando a taxa foi de 13,3 óbitos por mil nascidos vivos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em relação à desnutrição, Minas Gerais superou a média nacional: 5,1% das crianças com até cinco anos apresentaram, em 2017, peso menor do que o esperado para a idade – são 38.808 pequenos desnutridos no Estado. No Brasil, a taxa estava em declínio desde 2013, e a média foi de 4,5% no ano passado. 

Para a gerente executiva da fundação Abrinq, Denise Cesario, os dados acendem um alerta. A brutal recessão, somada à crise fiscal e refletida na escassez de recursos públicos e em cortes em determinados programas – como o Rede Cegonha e o Bolsa Família – são fatores determinantes para a piora da nutrição infantil. “Direitos básicos das crianças não estão sendo preservados. É claro que as famílias mais pobres são as mais impactadas. Mesmo em situação de crise, você tem que priorizar essas áreas para evitar o problema futuro”, analisa Denise. 

Segundo o professor do departamento de nutrição da UFMG José Divino Lopes Filho, o combate à pobreza é importante para a redução da mortalidade na infância por garantir a famílias mais vulneráveis maior acesso à saúde. O número de brasileiros em situação de extrema pobreza aumentou 11,2% em 2017 na comparação com 2016. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, 14,83 milhões de pessoas viviam com até R$ 136 mensais em 2017: 1,49 milhão a mais que no ano anterior. “A desnutrição medida pelo indicador peso x idade estava em desuso no Brasil porque havia sido reduzida a níveis esperados pela OMS, por isso é assustador que tenha retornado. O principal desafio é manter as políticas públicas que vinham sendo desenvolvidas com efeitos positivos. Isto não deveria estar ligado à orientação político-ideológica de governantes”, avalia Lopes Filho. 

Outro lado. De acordo com a superintendente de Redes de Atenção da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Karina Rocha, é preciso cautela ao analisar os dados. Segundo ela, os números estão de acordo com o recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

“Estamos vivendo um período de crise, de cortes de recursos no país. Minas não foge a isso. Estamos em estado de calamidade, mas, mesmo assim, contemplamos e monitoramos todas as demandas da saúde. Temos programas que são referências no país em vigilância alimentar”, destaca Karina Rocha. 

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que trabalha para que as diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição sejam executadas em todas as esferas de gestão do SUS. O órgão destacou ainda que a Atenção Básica também tem recebido foco especial do governo federal nos últimos anos. Segundo a pasta, de 2013 a 2017, o valor anul repassado para todo o Brasil foi R$ 4,7 bilhões. Neste ano, a previsão é chegar a R$ 5,1 bilhões.

Detentos garantem alimentação

Em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, quase 3.000 crianças carentes estão com os pratos cheios de peixes e verduras fresquinhas. Um parceria do Banco de Alimentos do município com o projeto Piscicultura e horta, do presídio Antônio Dutra Ladeira, possibilita que 49 entidades socioassistenciais, como asilos e creches, recebam alimentos. Ao todo, são 6.534 pessoas beneficiados por ano.

A iniciativa surgiu em 2012 e ensina os detentos a criar, armazenar e preparar os peixes. Ao atingirem o tamanho necessário para a despesa, eles são doados para o Banco de Alimentos. Em troca, os detentos participam do processo de inclusão social e ressocialização. “Muitas dessas crianças se alimentam só na escola”, explicou a Gerente de Segurança Alimentar e Nutricional, Xica da Silva. 

Justificativas

Federal. Segundo o Ministério da Saúde, o orçamento do Rede Cegonha passou de R$ 26 milhões em 2016 para R$ 64,5 em 2017. Sobre a mortalidade infantil, a pasta cita o vírus zika e as mudanças socioeconômicas.

 

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