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Mina do Feijão

Duas semanas antes da tragédia, associação pediu fim das atividades

Ainda no pedido, foi solicitado que os responsáveis pela concessão do licenciamento fossem investigados criminalmente por improbidade administrativa

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Duas semanas antes da tragédia, associação pediu o fim das atividades
PUBLICADO EM 26/01/19 - 10h07

No dia 10 de janeiro, quinze dias antes da tragédia que ocorreu em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Associação Comunitária da Jangada pediu a suspensão da licença ambiental concedida à Mina do Feijão, que se rompeu e vitimou, ao menos, nove pessoas nesta sexta-feira na cidade.

No pedido, a associação enumerou diversas irregularidades, dentre elas, a forma com a qual a Vale e o Estado aprovaram a renovação da licença a "toque de caixa" e mudando categorias do empreendimento para conseguir a autorização, como mostrou O TEMPO por documento obtido nesta sexta-feira.

"Esse documento foi o ultimo suspiro, depois da licença aprovada, a gente entrou com um recurso contra ela por conta da forma como foi licenciada, sem ouvir a comunidade, sem estudo de impacto ambiental adequado, porque houve mudança da área diretamente afetada sem o estudo depois e a gente protocolou isso antes da licença ser votada. A gente pediu audiência pública e falamos um monte de coisa, mas estamos sendo constantemente ignorados. Tudo que a gente vem apontando, todas as ilegalidades, os impactos ambientais, tudo que a gente consegue ter de informação concreta, é ignorado", disse Carolina de Abreu, presidente da Associação Comunitária da Jangada.

De acordo com Carolina, o Estado, aliado à Vale, cometeu uma série de "tramoias, mudou a classe do empreendimento para poder conseguir a licença concomitante de uma só vez". A presidente da associação afirmou que a comunidade tem um relacionamento conflituoso com a empresa há pelo menos, oito anos. 

Em relação ao desastre, Carolina diz estar "arrasada", mesmo sem ter perdido amigos ou parentes na tragédia. "É um misto de sensações absurdas, tem hora que eu tremo de raiva porque a gente está dia a dia lidando com conflito, com essa situação de violação de direito. Tem raiva, tem ódio, tem muita tristeza, muito pesar pelas vítimas, pelo território, pela natureza, me sinto arrasada, indignada", declarou.

Carolina alertou que o caso em Brumadinho não é isolado, lembrando o que aconteceu em Mariana há três anos e que precisa pressionar o governo para o "Estado não ser mais conivente com essas empresas criminosas, essas pessoas têm que ser presas, essa empresa tem que parar de atuar. A Vale já provou que é incompetente, não podemos aceitar a destruição das nossas vidas em troco de lucro de poucos. A empresa tem que fechar as portas".

Ainda no pedido, a Associação pediu que os responsáveis pela concessão do licenciamento fossem investigados criminalmente por improbidade administrativa, alegando omissão de informações no documento que autorizou a renovação das atividades.
 

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