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Saúde

Fechamento de alas prejudica serviço no Hospital do Ipsemg

Dez salas do CTI e quatro do bloco cirúrgico estão desativadas à espera de reforma e de profissionais

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Rede. Além do Israel Pinheiro, BH tem mais oito hospitais credenciados para atender os servidores do Estado – em Minas, são 220
PUBLICADO EM 21/03/17 - 03h00

A aposentada Fátima Silva*, 78, aguardava para fazer uma ressonância magnética no Hospital Governador Israel Pinheiro, do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), em Belo Horizonte, quando teve uma parada cardíaca, em janeiro. A filha dela chamou a equipe médica aos gritos, mas não havia aparelho para reanimação onde ela estava. Até chegar ao pronto-atendimento, no mesmo prédio, foram 15 minutos e mais duas paradas cardíacas, que levaram a paciente à morte.

Os problemas do hospital, um dos principais no atendimento de 891 mil beneficiários do plano de saúde estadual, são de longa data. Faltam profissionais e materiais. A estrutura existente é subutilizada, com leitos desativados em vários setores, enquanto a lotação é máxima, especialmente no pronto-socorro. Reparos de manutenção também atrapalham o atendimento.

A reportagem recebeu queixas de funcionários e pacientes, que foram confirmadas, em maior ou menor grau, pelo hospital. Gestores dizem que as contas estão em dia, mas admitem deficiências. Dos 30 leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), ao menos dez estão parados à espera de uma reforma sem previsão de acontecer. Segundo o diretor de saúde, José Luiz Cruz, parte do CTI foi desativada há anos para abrigar o setor de hemodiálise, que passava por obras. A hemodiálise voltou para seu local de origem, mas o CTI, que tem sempre 100% de ocupação, funciona com 67% da capacidade. “Temos muita rotatividade no local e médicos excelentes, mas precisamos reformar o espaço”, disse Cruz.

No bloco cirúrgico, a situação se repete. Das 14 salas, ao menos quatro estão desativadas. O problema no local, diz Cruz, é a falta de anestesistas, o que compromete 20% do funcionamento. “Tivemos muitas aposentadorias e demissões. Estamos em processo para credenciar novos profissionais”, afirmou. Há denúncias ainda de falta de material no bloco cirúrgico, o que o gestor não confirma.

O equipamento de hemodinâmica, montado há mais de oito meses ao custo de R$ 1,5 milhão, nunca foi usado por falta de insumos. O aparelho faz o reconhecimento do estado cardiovascular de forma menor agressiva. Cruz alega que 95% dos materiais foram comprados, e o restante está em processo de aquisição. “Até o fim de junho estaremos funcionando”, garantiu Cruz.

Lamento. Para a filha de Fátima, Fernanda Silva*, 52, houve negligência do hospital, mas a queixa formal feita por ela nunca foi respondida. “Mandei carta para a direção, mas eles nunca respondem. Nunca vou esquecer aquele 27 de janeiro”, diz.

O Ipsemg não quis comentar o caso de Fátima por alegar desconhecer detalhes do ocorrido, mas informou que há um carro de emergência com reanimador em todos os andares.

* Nomes fictícios

Atendimento

Reflexos. Segundo a direção, mesmo com setores fechados, nenhum atendimento deixa de ser feito e o número de internações mensais subiu de mil, em média, em 2014, para 1.500 atualmente.


Saiba mais

Rede. Enquanto a hemodinâmica não é inaugurada, o procedimento é realizado em hospitais credenciados. Há também leitos de CTI e cirurgias contratados para atender os servidores do Estado.

Vigiados. Funcionários do hospital criticam o atual presidente, Hugo Vocurca Teixeira, por investimentos em segurança, como em catraca na recepção e câmeras, enquanto a saúde está com problemas. Teixeira assumiu em janeiro de 2015 e, procurado nessa segunda-feira (20), não quis comentar. A direção do hospital diz que o projeto de vigilância é para proteção de trabalhadores e pacientes.

 

Ala B

Enfermaria se transformou em depósito

A terceira torre do Hospital Governador Israel Pinheiro, conhecida como Ala B, está fechada para reformas há mais de três anos sem previsão de obra ou de reativação. São 11 andares de antigas enfermarias, que hoje estão vazias ou viraram depósito de materiais, atraindo escorpiões.

Na urgência pediátrica, teriam aparecido quatro escorpiões nos últimos meses, segundo funcionários. O diretor de saúde do hospital, José Luiz Cruz, confirma um caso no térreo, mas diz que foi feita uma dedetização. “Estamos próximo ao Parque Municipal, isso pode ocorrer”. A assessoria de imprensa do Ipsemg informou que as obras para operação da Ala B serão realizadas tão logo haja dinheiro.

Ainda conforme o hospital, mesmo com as deficiências, o atendimento não foi prejudicado. Mas, para a bancária Flavia Torres*, 26, houve demora na cirurgia para retirada de um nódulo do pescoço de seu pai, de 58 anos. “A cirurgia foi marcada três vezes”. (LC)

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