Saúde

Frio e aumento de doenças respiratórias sobrecarregam hospitais infantis em BH

No hospital João Paulo II, onde o tempo médio para a espera de um atendimento chegou a 10 horas, alta de casos respiratórios é de 144%

Por Tatiana Lagôa e Pedro Nascimento
Publicado em 18 de maio de 2022 | 12:05
 
 
 

O avanço das doenças respiratórias mais comuns durante o outono e o inverno, aliado ao retorno às atividades de rotina fora do isolamento social, fizeram ‘explodir’ a demanda nos pronto-atendimentos pediátricos de Belo Horizonte. No Hospital João Paulo II, referência no atendimento infantil pelo SUS, a alta de 144% no número de atendimentos respiratórios e a falta de profissionais especializados fizeram o tempo de espera das crianças para passar por um médico girar em torno de 10 horas nos casos menos graves.

A situação piorou, e muito, desde 2021. Entre janeiro e abril daquele ano, os pacientes com problemas respiratórios representavam 42% dos atendimentos no hospital. Em 2022. os dados saltaram para 62%, com 8.704 pacientes atendidos no período.

Fontes ligadas ao hospital afirmam que, para além do aumento significativo de casos, um dos gargalos é a falta de estrutura pediátrica suficiente para atendimento nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de Belo Horizonte e outras cidades do entorno. 

“Acaba que o hospital recebe pacientes de vários locais e é um hospital de médio porte. Então, estamos operando no vermelho mesmo”, diz uma fonte que prefere não ser identificada. “É uma angústia para nós também, mas estamos sem ter o que fazer neste primeiro momento”, diz.

A demanda no João Paulo II é tão grande que parte dos atendimentos mais urgentes estão sendo direcionados para o Pronto Socorro João XXIII, que pertence ao mesmo complexo hospitalar. 

Na rede de saúde de Belo Horizonte, os atendimentos da chamada síndrome respiratória aguda grave (SRAG) cresceram 35% em 2022, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Até o dia 16 de maio, foram 1.358 casos de SRAG em crianças de até 12 anos, residentes no município.

Aumento esperado

Segundo o diretor do Complexo Hospitalar de Urgência - que inclui o João Paulo II e o João XXIII -, Fabrício Giarola, esse aumento esperado devido à sazonalidade das doenças respiratórias era esperado. No entanto, a gravidade dos casos tem aumentado o tempo de atendimento e, consequentemente, a demora na fila de espera.

“O que tem acontecido muito neste ano é o aumento na gravidade dos casos, o que demanda mais tempo de atendimento dos médicos. E a consequência, como já podemos ver, é que os pacientes com quadros mais leves vão aguardar mais tempo para o atendimento”, explica o diretor.

Fabrício ainda explica que, para o próximo mês, a expectativa é de aumento no número de atendimentos. Para que a população não continue sendo prejudicada, a esperança haja um reforço no corpo clínico do hospital.

Além dos 15 pediatras aprovados em concurso e que já foram chamados, a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) possui 12 vagas para pediatras que vão atuar no Complexo Hospitalar.

Em todo o hospital João Paulo II, atuam 140 pediatras, sendo 35 na área de pronto-socorro.

Explicações

Segundo a diretora científica da Sociedade Mineira de Pediatria, Eleonora Druve Tavares Fagundes, é comum o maior adoecimento de crianças durante o outono. “Habitualmente, no outono e no inverno há uma demanda maior em função de queixas respiratórias, sintomas gripais, piora de quadro de asmas. Então o aumento da demanda já é esperado”, explica.

Isso ocorre porque a oscilação de temperatura e o ar mais seco, característicos dessa época do ano, predispõem as pessoas a doenças como resfriados, gripes, sinusites e pneumonias. Com o frio, a tendência é que os espaços fiquem fechados, o que colabora para a propagação dos vírus respiratórios que são transmissíveis por gotículas respiratórias.

A especialista alerta, porém, que o quadro foi um pouco pior neste ano do que em 2021, porque as crianças saíram do isolamento mais recentemente. “Estamos vivendo um momento diferente que é desse retorno às atividades normais, dos contatos das crianças com mais pessoas e a volta da circulação de muitos vírus”. diz.

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