Manifestação

Grupo faz carreata no centro de BH pedindo retomada do funcionamento do comércio

Pessoas manifestam-se contra as medidas de isolamento social, impostas pelo poder público para conter o avanço do coronavírus

Por Rafaela Mansur
Publicado em 27 de março de 2020 | 12:24
 
 
 

Dezenas de pessoas participaram, nesta sexta-feira (27), de um protesto a favor da retomada do funcionamento do comércio e das empresas em geral em Minas Gerais. O grupo saiu em carreata da Cidade Administrativa em direção à sede da Prefeitura de Belo Horizonte e se manifestou contra as medidas de isolamento social impostas pelo poder público para conter o avanço do coronavírus. Especialistas em saúde consideram essas medidas essenciais para o fim da epidemia.

Os participantes pediram a suspensão do Decreto Municipal 17.304, do prefeito Alexandre Kalil (PSD), que determinou a suspensão dos alvarás de localização e funcionamento "emitidos para realização de atividades com potencial de aglomeração de pessoas”, como bares, restaurantes e shopping centers.

Veja vídeo:

“O Brasil é um país pobre, que não tem condições de ficar 30, 40, 60 dias parado, sem produzir. Se continuarmos assim, teremos um caos social pior do que as consequências do próprio vírus. Queremos que as empresas voltem a trabalhar normalmente e que as pessoas que estão na faixa de risco fiquem em casa”, afirmou um dos orgnanizadores do protesto, o fundador do movimento Patriotas, Syllas Valadão. 

O empresário Leonardo Bastos, de 37 anos, dono de um bar na região da Pampulha, conta que o estabelecimento está fechado há cerca de uma semana. Ele teme ter de demitir funcionários e até fechar o negócio. "Não sei se depois de tudo isso a gente vai conseguir retomar os trabalhos. Eu tive que jogar dois sacos grandes de mercadoria que estavam se perdendo no lixo, não vou ter dinheiro para repor isso depois. Quanto mais tempo se prolongar isso, mais difícil para os pequenos comércios retornarem", disse. 

A loja do comerciante e representante comercial de calçados e confecções Mauro César Câmara, em Contagem, na região metropolitana, também está fechada. Ele diz que já teve pedidos cancelados. "Os boletos não param, os recursos vão acabando, e vai ficando difícil. Não tem mais receita com a loja fechada. Pode ser que por mais uns 15 dias a gente ainda aguente os boletos, as responsabilidades, mas a partir daí vai ficar difícil", pontuou Câmara.

Na semana passada, o governo de Minas decretou calamidade pública em função do coronavírus, impondo diversas restrições ao funcionamento do comércio em todo o Estado como forma de evitar aglomerações de pessoas. O funcionamento de feiras, cinemas, academias de ginástica, clínicas de estética, entre outros estabelecimentos, está proibido.

No entanto, nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro criticou o fechamento de comércios e escolas e defendeu a adoção do isolamento vertical, que abrange apenas idosos e pessoas com comorbidades, considerados os grupos mais vulneráveis ao vírus.

“O objetivo é apoio total ao governo de Bolsonaro, estamos em linha com ele. Achamos que as pessoas precisam voltar ao trabalho urgentemente, mesmo porque existe somente um grupo de risco, que são os idosos e as pessoas com imunodeficiências. Nós acreditamos que esse vírus foi propagado no Brasil no Carnaval”, disse a microempresária e representante comercial Adriana Borges, de 45 anos.

De acordo com especialistas em saúde, o isolamento social é necessário para combater o coronavírus. "É possível que a gente tenha um achatamento da nossa curva (de casos) se essas medidas de restrição de circulação e isolamento social, que estão sendo preconizadas principalmente por prefeitos e governadores, forem efetivamente cumpridas e tiverem uma longevidade concomitante a auxílio econômico, para que as pessoas fiquem em casa", esclarece o infectologista e professor Mateus Westin, da Faculdade de Medicina da UFMG.

Nesta quinta-feira (27), o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, também reforçou que o isolamento social continua sendo a melhor alternativa para combater a propagação do coronavírus.

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'REVOGUE, KALIL, SEU DECRETO. O PESSOAL PRECISA TRABALHAR' - Dezenas de pessoas participam, nesta sexta-feira (27), de um protesto a favor da retomada do funcionamento do comércio e das empresas em geral em Minas Gerais. . . O grupo saiu em carreata da Cidade Administrativa em direção à sede da Prefeitura de Belo Horizonte e manifesta contra as medidas de isolamento social, impostas pelo poder público para conter o avanço do coronavírus. . . Eles pedem a suspensão do decreto municipal, sancionado pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), que determinou a paralisação de uma série de atividades na capital. . . Leia a matéria completa de Rafaela Mansur (@rafammansur) no link da bio. . . Vídeo: Alexandre Mota/O TEMPO (@alexandrecmota) . #BH #manifestação

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