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Intoxicação por metais pesados desafia Renova

Origem da contaminação de 11 pessoas está em análise, diz presidente da fundação

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2015. Tragédia em Mariana, na região Central, provocou 19 mortes e o maior desastre ambiental do país
PUBLICADO EM 08/11/18 - 04h00

O presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, reconheceu nesta quarta-feira (7), em entrevista à rádio Super Notícia 91,7 FM e ao jornal O TEMPO, que a situação de pelo menos 11 pessoas diagnosticadas com intoxicação por metais pesados em Barra Longa, na região Central de Minas Gerais, ainda não tem solução. Ele considerou ainda que o assunto é um dos maiores desafios a serem solucionados pela fundação, que atua nos reparos dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão.

No último dia 5, o desastre, que matou 19 pessoas e provocou a maior destruição ambiental do país, em Mariana, na região Central de Minas, completou três anos. “A fundação tem algumas atividades. São mais de 80 profissionais que, juntamente com o SUS (Sistema Único de Saúde) local, procuram dar apoio a essas pessoas. Então, tem algumas que são transportadas para São Paulo. Mas é uma situação que ainda não está resolvida mesmo”, disse.

Em reportagem publicada no último dia 4, O TEMPO mostrou que esses 11 moradores de Barra Longa foram diagnosticados com intoxicação causada por níquel e arsênio – ambos metais pesados. Dois dos pacientes são crianças e têm 3 anos. O diagnóstico foi feito pela médica Evangelina Vormittag, do Instituto Saúde e Sustentabilidade, em dezembro de 2017.

Apesar do problema, Waack afirmou que a lama que vazou é inerte, ou seja, não tem metais pesados e que, por isso, é preciso identificar qual a fonte desses materiais. “Há evidências de que existem metais dessa natureza na região, que é tipicamente de mineração. Então, a relação entre essas contaminações com o ambiente é algo que precisa ser aprofundado”, explicou.

A Renova precisa entender ainda como esses metais passaram a fazer parte do cotidiano dessas pessoas. “Isso não está claro. Alguns desafios que a gente tem são de conhecimento mesmo”, complementou Waack.

Pesquisa

A Renova informou que está em curso o estudo de Avaliação de Risco à Saúde Humana, financiado pela fundação e que usa metodologia da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde para investigar o risco de contaminação por metais, monitorar a poeira causada por obras nas regiões atingidas e, com base nos resultados, aplicar políticas de apoio aos atingidos.

A médica Evangelina alertou que metais pesados podem gerar mutações e atrapalhar o desenvolvimento de crianças. A especialista considera urgente identificar se esses metais estão no ar, na água ou no solo.

 

Minientrevista

Roberto Waack

Presidente da Fundação Renova

Como está a questão das indenizações? Há prazos?

A gente terminou as indenizações relacionadas a danos de água. São 260 mil indenizações concluídas. Já estamos, atualmente, com 8.000 situações de indenizações concluídas também, pagas para a área de danos gerais. Deve chegar a 10 mil até o fim deste ano. A gente espera concluir o grupo maior das indenizações, que são os casos não controversos, e os controversos, que já são resolvidos com política, até o final do ano que vem. Então, a gente tem ainda um ano importante de trabalho para concluir o ciclo de indenizações.

Como está a situação das indenizações dos moradores de Mariana?

Especificamente de Mariana, o sistema de indenização foi objeto de ação civil pública. Há mais ou menos um mês e meio, dois meses, foi concluído esse processo. Essa ação foi praticamente equacionada. As políticas, as metodologias de indenizações foram definidas. Isso é muito importante. A partir daí, as indenizações de Mariana já se iniciaram para essas pessoas que foram efetivamente atingidas. Achamos que nos próximos meses, talvez até no meio do ano que vem, a gente concluirá as indenizações das pessoas diretamente atingidas nas regiões de Mariana e Barra Longa.

O cuidado com as pessoas que estão com depressão ou que foram para o alcoolismo está sendo feito?

Existe todo um sistema de proteção social que tem que ser, aos poucos, implementado em conjunto com as ações públicas. Não pode separar esse atendimento do atendimento público. Esse conjunto de desafios ligados à proteção social e à saúde não está equacionado.

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