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Kalil propõe ônibus a R$ 4,50, mas empresas querem mais

Prefeito de Belo Horizonte condicionou reajuste da tarifa a recontratação de 500 cobradores e mais ar-condicionado

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Passagem de ônibus de Belo Horizonte tem mesmo valor, de R$ 4,05, desde janeiro de 2017
PUBLICADO EM 22/12/18 - 03h00

Após manter a tarifa de ônibus de Belo Horizonte a R$ 4,05 em 2018, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) propôs nessa sexta-feira (21) às empresas do transporte público um reajuste de 11% no valor da passagem. Com isso, ela passaria dos atuais R$ 4,05 para R$ 4,50. Como condição para o reajuste, o Executivo municipal exigiu que as concessionárias recontratem 500 cobradores demitidos e comprem 300 novos coletivos com ar-condicionado. No entanto, a proposta foi rejeitada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH).

A reunião a portas fechadas no Salão Nobre da prefeitura, da qual participaram o prefeito Alexandre Kalil (PHS) e os presidentes do Setra-BH, Joel Paschoalin, e da Empresa de Transportes e Trânsito (BHTrans), Celio Bouzada, foi em um clima tenso, segundo fontes.

“Foi tudo muito rápido, 20 minutos, no máximo. O prefeito fez a proposta, e as empresas negaram de cara. Já foram saindo e afirmando que contatariam os advogados. Parecia que ia dar briga”, descreveu um participante, que pediu anonimato.

O presidente do Setra-BH não escondeu a insatisfação com a proposta do prefeito. “O que houve não foi uma negociação, foi uma imposição da prefeitura. Vamos procurar nossos direitos para honrar o contrato que foi assinado e pago”, afirmou Paschoalin. Segundo ele, as empresas não têm condições financeiras para investir na frota. A cidade conta com 2.854 veículos, dos quais 734 possuem ar-condicionado.

“Com certeza não haverá nenhum investimento. Com essa defasagem comprovada na auditoria, fica claro que as empresas não têm capacidade financeira nem de trocar a frota, nem de recontratar cobradores. Só os ônibus sairiam por R$ 120 milhões”, afirmou.

O presidente da BHTrans disse que as empresas terão um tempo para refletir: “Eles saíram daqui falando que vão acionar a Justiça, mas demos um tempo para pensarem. Segunda ou quarta que vem eles voltam. Se a ideia for OK, nós vamos preparar os autos para o reajuste da tarifa e o cumprimento das demais condicionantes”. Ainda de acordo com Bouzada, a ideia inicial da prefeitura era não reajustar a tarifa, mas a administração reviu a necessidade de recompor os insumos.

Multas. Como O TEMPO mostrou, as empresas ainda não pagaram nada dos mais de R$ 5,8 milhões referentes às 8.726 multas aplicadas de janeiro a novembro deste ano por operarem sem trocador.

‘Volta de cobradores é melhoria’

A recontratação de cobradores é uma das condições do prefeito Alexandre Kalil (PHS) às empresas de ônibus para que a passagem seja ajustada para R$ 4,50. “A volta de 500 cobradores, que estão perdendo o emprego, é um chamado da sociedade e é uma melhoria na qualidade do serviço”, afirmou o presidente da BHTrans, Célio Bouzada.

Conforme a reportagem de O TEMPO vem mostrando nos últimos dias, parte das linhas de ônibus da capital descumpre determinação da Lei Municipal 10.526/2012, que obriga a presença do agente de bordo das 5h59 às 20h30. A reportagem flagrou 41 ônibus de linhas diferentes sem cobrador no meio da tarde, em apenas quatro horas. Há demissão em massa desses profissionais, segundo a representante do movimento Sem Cobrador Não Dá, Cléo Olímpio: “Mais de 4.000 agentes já perderam o emprego”.

O Setra-BH afirmou que “não é possível precisar o número de demissões, já que a função de agente de bordo não é discriminada na carteira”.

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