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Anuário de segurança

Mortes violentas fazem ao menos 11 vítimas por dia em MG

Documento mostra que 4.134 homicídios e latrocínios ocorreram em 2017 no Estado

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Minas. Estado registrou mais de 3.900 homicídios em 2017, queda de 5,3% em relação ao ano anterior
PUBLICADO EM 10/08/18 - 03h00

Por dia 175 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2017. No ano passado, o país registrou 63.880 mortes violentas (homicídios e latrocínios), o maior número da série histórica, iniciada em 2013, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (9) no 12° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Por hora, segundo o levantamento, são sete vítimas, um crescimento de 2,9% em relação a 2016. 

Ao contrário do que ocorreu no país, Minas Gerais registrou uma queda de 5,3% nesse tipo de crime. Em 2016 foram 4.370 vítimas, contra 4.134 no ano passado. Ainda assim, o Estado teve 11,3 assassinatos por dia. 

A taxa de homicídios registrada no ano passado foi de 19,6 por 100 mil habitantes. Minas tem a quarta menor do país, atrás de São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera aceitável 10 homicídios por 100 mil habitantes.

Para o especialista em segurança pública Jorge Tassi, apesar da redução, os dados de Minas são considerados preocupantes. “Não tivemos grandes políticas, grandes ações que mudaram esse sistema, mas não tivemos desastres além daquilo que já existe. Apesar disso, os números ainda são graves”, disse.

Dos crimes violentos registrados em Minas no ano passado, 3.964 foram homicídios dolosos – quando há intenção de matar. Outras 104 pessoas foram vítimas de latrocínio – roubo seguido de morte, o que coloca o Estado em sétimo do país com mais casos desse último crime. São Paulo lidera com 338 latrocínios.

Tassi avalia que o problema dos homicídios tem como principal origem as organizações criminosas. “O que nós temos hoje é uma epidemia de homicídios, principalmente, praticados entre jovens, negros e pobres, que estão dentro das favelas, que são dominadas por organizações criminosas. Elas não têm sua sede na comunidade. A execução acontece contra as pessoas que não estão compactuando dentro desses processos, o que acaba gerando essas mortes. As leis que existem no crime organizado são muito diferentes das leis da sociedade”. 

Segundo o coordenador de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques, nesse contexto, o preocupante é que quase 14 mil armas legais foram parar na ilegalidade em 2017, o que contribui para os assassinados. “Hoje, 71% dos homicídios no país são cometidos com arma de fogo”, explicou.

País. O ano passado foi marcado por brigas entre facções criminosas que causaram, já no primeiro dia do ano, 56 homicídios no interior do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. O massacre se repetiria com intensidade similar em Boa Vista, na Penitenciária Agrícola Monte Cristo, onde 33 morreram, e na Penitenciária de Alcaçuz, na Grande Natal, onde ao menos 26 foram mortos.

O contexto de confronto entre essas organizações criminosas, cujos expoentes são o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), permaneceu fora das prisões, elevando o número de assassinatos cometidos nas ruas em diversos Estados. (Com agências)

Armas

Apreensões. Foram apreendidas 119.484 armas de fogo em 2017 no país. Destas, 94,9% não foram cadastradas no sistema da Polícia Federal. Em Minas, foram 23.543 armas tiradas de circulação.

Atuação

Governo. A Secretaria de Estado de Segurança Pública informou que atua em prevenção e repressão de homicídios, com foco em áreas de vulnerabilidade, e destacou programas, como o Fica Vivo!, que, em 2017, reduziu em 27% as mortes de jovens nas áreas de atuação em comparação com 2016, segundo a pasta.

Polícia Civil. A corporação informou que trabalha para incansavelmente garantir segurança por meio de investigações e sempre busca novas tecnologias no trabalho policial.

 

Cada vaga em prisão tem dois presos

A superlotação dos presídios brasileiros também chamou a atenção dos produtores do “12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública”. O país tinha mais de 729 mil presos em 2016 – dois por vaga. Em Minas, há 31.148 sem vaga nas 199 unidades prisionais sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), segundo a pasta. 

O sistema prisional brasileiro alimenta a violência, afirma o coordenador de Projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques. “Não existem condições dignas de cumprimento de pena no Brasil hoje. O que se faz é alimentar o crescimento do sistema dominado por facções criminosas”, afirmou. 

Em nota, a Seap afirmou que empenha esforços para reduzir o impacto da lotação, que não é particularidade do Estado, mas uma realidade que acontece em todo o país.

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