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Pastor suspeito de estuprar fiéis é preso em casa

Ele ficou conhecido como “maníaco da orelha”, já que sempre iniciava seus assédios lambendo as orelhas das vítimas

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Registro. 'Assessoria da igreja confirmou que o pastor suspeito dos abusos é o homem na foto
PUBLICADO EM 13/03/18 - 08h49

A Polícia Civil prendeu, na manhã desta terça-feira (13), o pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, Wilson Jorge Ferreira, 51 anos suspeito de abusar de, pelo menos, 15 fieis. Ele ficou conhecido como “maníaco da orelha”, já que sempre iniciava seus assédios lambendo as orelhas das vítimas.

Na última sexta-feira (9) a reportagem de O TEMPO divulgou história de mulheres que foram assediadas pelo pastor, que está há 25 anos a frente da igreja. Nesta terça ele foi preso em casa durante a Operação Libertação, que apreendeu também vários aparelhos eletrônicos do suspeito.

Os abusos

O pastor teria abusado, inclusive, de uma noiva que o escolheu como celebrante de seu casamento. Agora, após a primeira denúncia de uma fiel, a igreja afastou o pastor de suas funções, e a Polícia Civil abriu uma investigação. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também está no caso.

A abordagem às vítimas seria sempre a mesma, segundo as mulheres que o acusam. O pastor marcava uma reunião a portas fechadas com uma de suas “ovelhas” ou oferecia uma carona, afirmando ter algo sério a tratar com elas. Em seguida, se aproximava e lambia as orelhas de suas vítimas, por isso o apelido dado a ele.

O caso se tornou público quando, em 24 de fevereiro, em uma reunião com mais de 3.000 pastores, uma mulher invadiu a sede da congregação, na região Oeste da capital, gritando que precisava ser ouvida. “Ele me estuprou”, dizia a mulher. A cena foi gravada e divulgada em diversas redes sociais.

A Polícia Civil começou a investigar o caso poucos dias depois, quando uma outra vítima formalizou uma denúncia. A acusação foram apuradas pela delegada Larissa Mascotte. O Ministério Público também informou que há um processo em um curso, mas ele corre em sigilo.

No altar. Nos últimos dias, O TEMPO ouviu sete mulheres que dizem ter sido vítimas de algum tipo de abuso. Uma delas foi uma mulher, que, em 2011, escolheu o pastor como celebrante de seu casamento por causa de sua propriedade impressionante para falar das “coisas de Deus”.

Algumas semanas antes da cerimônia, porém, Silva teria chamado a mulher em seu gabinete e a assediado. Em um outro caso, o pastor teria proposto levar uma vítima ao culto. No carro, ele a teria estuprado. “Ele sempre começa lambendo a orelha da gente”, afirmou uma vítima.

Igreja nega conhecimento de denúncias contra religioso

A Igreja do Evangelho Quadrangular afastou preventivamente o pastor Jorge Silva de suas atividades de seu núcleo religioso no bairro Salgado Filho, na região Oeste de Belo Horizonte. A igreja, contudo, afirmou nunca ter tido conhecimento de qualquer abuso envolvendo o religioso e informou que ele passou por diversos testes de comportamento.

“O pastor apresentou todas as certidões sobre sua conduta moral, sem nada que o desabonasse, tal como exigido pelo estatuto da igreja”, afirmou em nota. A Quadrangular também disse não ter sido notificada oficialmente sobre as denúncias.

O pastor já comandou igrejas nas regiões Oeste e Nordeste de BH, além de outra em Contagem. Questionada sobre a necessidade de transferir o religioso tantas vezes, a igreja disse que as mudanças ocorreram por solicitação dele.

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