Crime na Holanda

'Psicopata', diz irmã de jovem sobre mineiro preso com suposta carne humana

Begoleã Mendes, de Matipó (MG), é suspeito de matar Alan Lopes em Amsterdã, na Holanda; ele está preso há uma semana em Portugal

Por Gabriel Rezende
Publicado em 06 de março de 2023 | 20:17
 
 
 

Segue um mistério a motivação do assassinato do jovem Alan Lopes, de 21 anos, natural de Brasília e encontrado morto a facadas em Amsterdã, na Holanda. Begoleã Mendes Fernandes, de 25, de Matipó, na Zona da Mata, é suspeito do crime. O mineiro foi preso há uma semana no aeroporto de Lisboa, em Portugal, enquanto tentava embarcar para Belo Horizonte. Com ele, as autoridades encontraram carne supostamente humana. 

Irmã de Alan, Kamila Lopes diz que, inicialmente, preferia acreditar que o crime ocorreu após um surto psicótico do suspeito. "Mas vendo a situação do corpo do meu irmão, eu acho que ele [Begoleã] é um psicopata. Foi uma cena brutal. Meu irmão está praticamente degolado a facadas", contou. Segundo ela, Alan e Begoleã eram amigos há, pelo menos, três anos. “Era uma relação tranquila", contou.

Não há evidências de que os restos mortais encontrados com Begoleã sejam de Alan. Kamila também afasta a possibilidade de canibalismo. Um jornal de Portugal chegou a confirmar, com base em análise do Instituto de Medicina Legal, que a carne encontrada com o mineiro era humana. Contudo, a origem ainda não teria sido determinada. As investigações seguem em andamento. 

No dia do crime, Alan estava sozinho em casa. A mãe e a irmã, com quem morava, haviam viajado para a França. "Deixamos o Alan dormindo. Ele falou para fechar a porta para a luz não bater na cara dele. Essa foi a última vez que o vi", narrou. Segundo Kamila, Begoleã, quando não tinha onde dormir, abrigava-se na casa da família. 

"Recebemos a notícia da morte dele no domingo (26). A namorada dele [Alan] ligou e perguntou se eu estava bem. Em seguida, contou. É uma notícia difícil. Na hora, eu não acreditei, achei que fosse engano. É difícil falar. Já chorei tanto. Era uma pessoa extremamente doce. Não tem um ser humano que não fale do sorriso e da amizade dele", contou. 

Ainda segundo Kamile, Begoleã trabalhava como entregador na Holanda, mas havia perdido o registro. Alan, inclusive, o ajudava com esse problema. "Como meu irmão tem documentos, estava tentando auxiliar o Begoleã. Muitos entregadores perderam contas aqui [na Holanda]. Mas meu irmão não tinha cobrado a ajuda", completou. 

O enterro de Alan Lopes está marcado para esta quarta-feira (8), das 12h às 14h, na Holanda. 

Prisão 

Fernandes foi preso na noite do dia 17, no aeroporto de Lisboa, quando tentava embarcar para o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na região metropolitana. Inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras suspeitaram do seu passaporte e, na checagem, confirmaram que era falsificado, assim como sua permissão de residência na Itália.

Ao examinar a bagagem, encontraram roupas sujas de sangue e pedaços de carne suspeita em embalagem plástica. Na pesquisa realizada pela policia, constatou-se que o brasileiro era procurado por homicídio pelas autoridades holandesas.

O outro lado

Ao ser interrogado, Begoleã confessou ter matado Alan, na casa da vítima, na região norte de Amsterdã, mas alegou legítima defesa, segundo informações da imprensa portuguesa. O mineiro teria alegado que o colega o obrigou a comer carne humana e depois tentou matá-lo. Ele afirmou, ainda, que conseguiu tomar a faca e matar Alan.

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