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Virginópolis vislumbra o caminho do céu

Escadaria gigante no Vale do Rio Doce, construída para ligar cidade à capela, virou símbolo de fé e do turismo

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Escadaria rasgou a serra do Zé Daniel, marcou a paisagem de Virginópolis e imortalizou os sobrenomes de 511 famílias
Escadaria gigante no Vale do Rio Doce, construída para ligar cidade à capela, virou símbolo de fé e do turismo
PUBLICADO EM 15/03/08 - 19h01

VIRGINÓPOLIS - Cada um dos 511 degraus da escadaria que leva à Capela de Nossa Senhora do Patrocínio conta quem são as famílias que habitam a cidade de Virginópolis, no Vale do Rio Doce, a 270 km da capital. Caldeira, Nunes, Coelho e Silva são apenas alguns dos sobrenomes gravados no chão e que acompanham cada passo do visitante rumo ao cume da serra do Zé Daniel, uma homenagem ao primeiro dono das terras que integram o cartão postal da cidade.

Quem chega à pequena cidade de 11 mil habitantes é pego de surpresa por um corte de aproximadamente 300 m que rasga de cima abaixo a montanha que limita o lado esquerdo do município. De longe, para quem não conhece, a escadaria parecem um manto branco que se estende da entrada da capela aos pés da serra. Quando se chega ao primeiro degrau, a pequena igreja desaparece num convite para os corajosos, e de muito fôlego, que aceitam o desafio de reencontrá-la no alto.

A capela da padroeira da cidade foi construída no início dos anos 80. A dificuldade de acesso contribuiu para uma visitação esparsa dos fiéis, já que tinham que atravessar uma região de mata fechada e muito íngreme. Em 1988, Walter Passos, um ex-morador da cidade, e o padre holandês Pedro Daalhuizen tomaram frente ao projeto faraônico de uma grande escada, que levou seis meses para ficar pronto. "Sentamos e decidimos que cada degrau representaria uma família ou pessoa que quisesse ajudar. Anotei cada nome numa lista, à medida que apareciam os colaboradores", conta o padre.

A escadaria foi construída em regime de mutirão. Dona Maria da Penha Coelho, 78, foi quem doou o terreno para a construção e não é à toa que sua casa fica aos pés da escadaria. Ela se recorda da multidão, formada por pessoas de todas as idades, que participou do empreendimento e afirma que fez sua parte no trabalho. "Todos os dias vinha aquele monte de gente. Eu fazia litros de suco, biscoito e café e levava para eles com a ajuda dos meus filhos", lembra.

Às vésperas de ficar pronto, faltava ao padre Daalhuizen apenas cumprir a promessa de imortalizar a comunidade junto com o monumento. Foram feitas várias fôrmas de madeira com todas as letras do alfabeto. Quinze dias foram gastos para gravar cada um dos nomes nas centenas de degraus. "Fiquei com meus joelhos doloridos durante um tempo, mas fiz com grande alegria. Ficou marcado na minha vida", disse.

Devoção

O projeto mirabolante virou atrativo turístico - os centenas de degraus compõem uma das maiores escadarias de igreja do mundo - e palco de muita fé e devoção de fiéis que vêm de longe pagar suas penitências. Dona Maria de Lourdes Soares, 73, dona do hotel da cidade, diz que inúmeros devotos sobem a escadaria de joelhos para pagar promessa. "Lembro de uma mãe que veio de Ipatinga, uma senhora de idade, que subiu até o final para agradecer a cura da filha que estava com câncer. Ela levou quase quatro horas. Fiquei aflita", conta.

Os sábados são um dia sagrado para o farmacêutico Geraldo Moreira Reis, 61. São nesses dias que ele visita a capela da santa de devoção. Durante o percurso, ele aproveita para anotar mentalmente as melhorias que precisam ser feitas no lugar. Para Moreira, o costume só vai ser abandonado quando as pernas não conseguirem mais enfrentar o esforço. "Moro aqui há 22 anos e espero estar firme outros 20 para continuar chegando lá em cima e me encontrar com a paz que busco sempre."

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