Estranho no ninho

Yeah Yeah Yeahs faz show para público curioso e impaciente

Com a platéia estática e a banda acanhada, o show terminou em um frustrante empate

 
 
 
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Em meio a uma lista de artistas que frequentaram as FMs nos anos 1990 e 2000, o Yeah Yeah Yeahs, cria da cena alternativa de Nova York do inicio dos anos 2000, era um estranho no ninho. Era de se esperar que levantar o publico, que estava em massa para ver o Red Hot Chili Peppers, seria uma tarefa difícil para a banda e assim o foi.

Quem estava sentado na pista guardando o melhor lugar para ver o Red Hot Chili Peppers até chegou a se levantar para lançar um olhar curioso para o palco, mas o público pouco se mexeu diante do rock moderninho da banda. Houve quem vaiasse a banda no incio do show - pedindo logo o show seguinte e quem acenasse com um tchau em direção à banda também pedindo pelo Chili Peppers. Alguns grupos isolados vibravam com o repertorio pouco conhecido do grande público - "Gold Lion", "Heads Will Roll", "Mosquito" e "Maps", um passeio pelos quatro discos da banda em cerca de 45 minutos de show.

Usando tênis esportivo, meias vermelhas até os joelhos, short e blazer rosa metálico (depois trocado por uma jaqueta de couro cravejada de tachas), e uma camiseta com o rosto de Lou Reed, morto no ultimo domingo (e para quem foi dedicada a musica "Maps"), a vocalista Karen O estava menos performática que o normal. Brincou de engolir o microfone - o que arrancou um raro grito coletivo durante o show -, convocou o público a bater palmas, mas permaneceu "comportada" para seus padrões.

Sua voz aguda foi prejudicada pela equalização do som da banda - apenas guitarra e bateria - e soou abafada a maior parte do show. Em determinado momento, os gritos de "cerveja, cerveja" de um pequeno grupo de pessoas na tentativa de chamar atenção de um ambulante chegou a soar mais alto que a voz de Karen. Mesmo sem a resposta devida do público, a banda pareceu se esforçar e até se divertir em determinados momentos, mas fez um show menos extenso do que poderia ter realizado.

Com a plateia estática e a banda acanhada, o show terminou em um frustrante empate.

Shows
 
A programação foi aberta com Gaby Amarantos, que convidou Fernanda Takai, do Pato Fu, para uma canja. Elas cantaram "Debaixo dos caracóis", de Roberto Carlos e "Sonífera Ilha", dos Titãs.
 
Na seqüência, Tianastacia homenageou o Charlie Brown Jr.,  banda cujos integrantes Chorão e Champinhon morreram neste ano.  O Jota Quest, além dos hits "Fácil" e " Na Moral",  tocou "Tempos Modernos", de Lulu Santos.
 
Quem também sofreu com o trânsito na região foi a banda "O Rappa". Músicos da banda ficaram presos no congestionamento e chegaram atrasados para a apresentação. O vocalista, Marcelo Falcão, expôs a situação e se desculpou com o público pelo atraso de mais de meia hora do show.
 
Mesmo com atraso, O Rappa fez uma apresentação curta no Circuito Banco do Brasil. Em pouco mais de trinta minutos, a banda fez um show com poucos hits. "Pesquisador de Ilusões" encerrou a apresentação.
 
 
Filas nos bares

As filas para compra de alimentos e bebidas estão longas. O público que aguarda nas filas relata gastar entre trinta e quarenta minutos para conseguir comprar as fichas que devem ser trocadas pelos produtos em uma outra tenda. A água é vendida a R$5, a cerveja a R$6 e um hambúrguer a R$ 15. Na tenda de troca de fichas pelos lanches e bebidas, a espera é menor, de cerca de 15 minutos, mas há desorganização, sem a montagem de filas.

Quem optou por chegar mais tarde e retirar os ingressos na bilheteria também tem enfrentado lentidão. Há relatos de fãs que levaram cerca de uma hora entre a retirada dos ingressos na bilheteria e o acesso à rampa principal, que leva até área dos shows.
 
A falta de organização para o evento também irritou muitas pessoas. Alessandra Machado, de 34 anos, que trabalha na indústria alimentícia, se decepcionou. "Tá muito difícil pegar ficha para comprar bebida. Para um evento desse tamanho, faltou mais pontos de venda, faltou também identificar melhor esses postos".
 
O administrador Leandro Dias, de 32 anos, reclamou da cerveja. " Vim pro show do Red e a cerveja não está gelada, e está cara. Estão vendendo a R$ 6. Para mim, R$ 4 seria o ideal", disse.
 
Dentro do Mega Space, há quem se queixe de uma espera de até 30 minutos para utilizar os banheiros. Há 380 banheiros químicos para um público estimado em 40 mil pessoas.
 
Lívio Giorgini, 46, contou que foi roubado. "Um cara esbarrou em mim, fingindo estar bêbado. Eu amparei, tentei ajudar, e depois dei falta da minha carteira". 
 
Até a repórter de O TEMPO teve sua mochila roubada enquanto enviava textos e fotos para a redação.
 
Engarrafamento 
 
Os centenas de fãs que se dirigiam ao Mega Space para curtir os shows do Circuito Banco do Brasil tiveram uma surpresa ingrata no caminho. Um protesto na MG-020, onde moradores fechavam a rodovia desde a manhã deste sábado (2), causou um enorme congestionamento no caminho do festival.
 
Enquanto algumas pessoas desistiam e estacionavam, ou literalmente abandonavam, seus carros às margens da rodovia, alguns taxistas aproveitavam a situação para cobrar de cada passageiro R$5,00 para levá-los ao local do evento. 

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